6 de junho de 2014

dois anos depois

12 de maio de 2014. 

Quando no começo as palavras corriam para fora de mim para dentro da página, agora elas sussurram baixinho no meu ouvido sem pressa. Eu escuto e guardo. Não é que, de repente, eu não tenha mais nada a dizer, eu tenho muito, mas não tenho mais necessidade de escrever. Exatos dois anos depois da minha chegada aqui, passou a minha urgência.

Passou aquela angústia, o medo do incerto e do se. Se isso, se aquilo, não tem mais espaço, não me sobra mais tempo. Voltei a viver de verdade, sem conjunções subordinativas condicionais. 

Não que antes eu não vivesse, mas eu vivia menos e pensava mais. Sofria na corda bamba da minha vida, que estava de cabeça para baixo. Foram dois anos no Brasil sem saber o que fazer. E quase dois anos aqui sem saber o que fazer depois de ter feito.

Agora não tem mais depois. Tem agora. Hoje e talvez, amanhã. Quem sabe o final de semana. A vida corre comigo de um lado para o outro, me apresentando pessoas e oportunidades em cada esquina e eu agarro todas. Nada me escapa. 

Voltei ao meu estado estabanado, atrasado, descabelado. Tenha pressa, tenho hora, tenho sono. E durmo depois de um dia cheio sem chorar de saudade no travesseiro. A saudade aperta, mas não machuca tanto. Pego o telefone e ligo, mas não fico com vontade de entrar correndo num avião.

Penso na família e nos amigos do Brasil todos os dias, nem que seja um pouquinho, mas é feliz e não triste. É saudade saudável, com carinho. Com vontade de ver eles logo, quando der. E daqui a pouco dá.

Enquanto isso, trabalho. Trabalho em tudo. De domingo a domingo se precisar. Trabalho é um remédio, quando a gente gosta. É xarope com gosto bom de chiclé de morango. As possibilidades são infinitas do lado de cá. Dá quase para sonhar com um Oscar e preparar um discurso no banho.

Voltei a sonhar grande, talvez não tão grande, mas grande. Vou pegar esse país pelo cangote, fica dito. E enquanto por muitas noites mal dormidas eu pensei que estar casada em um país que não é meu, poderia amarrar a minha carreira, hoje é a melhor parte de ter uma carreira. É voltar para casa e contar tudo para ele, de trás pra frente, e ver olhinhos azuis cheios de orgulho, de apoio e de incentivo. 

O Jared é o meu trampolim e o meu sossego. Ele é a minha vista para o mar no meio do deserto. Sem ele, não saio do chão e por ele mantenho a razão. Não me perco em mim mesma, não alucino. Divido. Vivo. Trabalho. E sonho, com meta, com razão, com plano estratégico e com ele.

E no meio disso tudo, de tanta coisa, de pouco tempo e muito sonho, venho por meio deste me despedir de vocês. Venho relutando encerrar esse capítulo, mas a vida se encarregou de me empurrar para os próximos desafios, para outros desabafos, em outros cantos. Afinal já me casei, casei de novo e ainda fiz uma festa extra para não ficar na dúvida.



Vocês são parte da nossa história. Todo mundo que mandou boas energias, que torceu, que sorrio e que chorou com a gente. Até quem torceu o nariz, debochou e não gostou. Vocês foram meu chão por esses dois anos e meio de blog e acho que sem esse cantinho para organizar as ideias e encontrar coragem eu nunca teria nos dado essa chance. Eu nunca teria me dado essa chance.

Então, fica o meu muito obrigada, pela companhia, pela parceria, pela torcida. Sigam seus corações, mesmo sem entender aonde ele quer levá-los. Fechem os olhos e vão. PULEM!



"Ser profundamente amado por alguém lhe dá força, enquanto amar alguém profundamente lhe dá coragem." Lao Tzu.

Desejo que vocês sejam fortes e corajosos. Amem e se deixem ser amados. Não tem nada que vale mais a pena ou faça mais sentido nessa vida maluca. Beijos e até a próxima aventura! Quem sabe um dia viramos livro. Com carinho, Fabiana.


1 de maio de 2014

a vida é um balão

22 de dezembro de 2013.

Às vezes murcha, às vezes estoura, às vezes voa. No dia 22 de dezembro voou e foi lindo demais. Os nossos padrinhos de casamento resolveram nos dar de presente um passeio de balão. Nós sempre víamos os balões no céu de Vegas e eu dizia pro Jared que um dia a gente teria que andar de balão. Eles adivinharam. Foi o melhor presente de todos!

Acordamos cedo, sem reclamar. Cedo mesmo, às 6 e meia. Era um domingo lindo de céu azul sem nuvens. Chegamos no ponto de encontro e logo começamos a conversar com os pilotos, que muito simpáticos nos ofereceram para voar no balão especial. Especial porque seria só nós dois e o piloto. Enquanto as outras 11 pessoas do grupo iriam no balão maior. Adoramos e causamos muita inveja (risos do mal).

Acompanhamos todo o processo e participamos de tudo. O nosso piloto se chamava Sheldon (bazinga!). Uma daquelas pessoas contagiantes, super apaixonado pelo que faz. Ele junto com o ajudante em terra, Larry, fizeram a nossa experiencia ainda mais divertida e especial. As fotos falam melhor que eu:








Voamos por uma hora e meia a mais de 1500 metros de altura. Flutuamos no ar, sem pressa, sem tempo, sem norte, ouvindo o som do silêncio e as histórias do nosso super piloto!


 

Aterrizamos e ajudamos a dupla dinâmica a enrolar o balão até ele caber em uma bolsa. Aberto, é possível colocar 105 mil bolas de basquete dentro do balão. Inflado, o balão fica aproximadamente da altura de um prédio de 10 andares. 




 

Para encerrar com chave de ouro, brindamos com champagne como manda a tradição que começou na França, hipoteticamente já nos primeiros voos de balão em 1783. Comemos bolachinhas com queijo, frutas e tomamos mimosas. Um banquete e tanto em um estacionamento vazio, quase esquecido. No entanto a gente parecia ainda estar nas alturas.


Então um brinde para esses dias lindos, em que a vida é um balão, um balão que voa! Como diz o Lulu, não é sempre, é quase nunca, mas no resto dos dias "o teu amor me cura de uma loucura qualquer". Tudo bem.



 Ps. Desculpem de novo pela demora e tanto; e super obrigado para os melhores padrinhos do mundo!

13 de março de 2014

Lincoln, Nebraska

6 de dezembro de 2013.

Aterrizamos em Grand Island, na Nebraska, e o piloto informou a temperatura local. Eu ouvi, mas não entendi. Ou pelo menos achei que não tinha entendido. Perguntei para o Jared quantos graus estava na rua. Ele olhou para mim com uma cara quase de riso e disse: - tu quer mesmo saber? Eu falei que não queria saber e perguntei se era para eu colocar a minha touca. Ele disse que sim, com certeza.

Estava UM GRAU FAHRENHEIT. Se 32ºF é igual a 0ºC, vocês calculem o frio terrorista representado por 1ºF! F de fudid*, né? Me desculpem, mas é única coisa que eu posso dizer para vocês numa hora dessas. Estava -17ºC. 

O aeroporto em Grand Island é um ovo. Então tivemos que descer do avião no pátio mesmo, numa escadinha daquelas charmosas (nada charmosas nesse contexto) e caminhar até o terminal. Foram 20 passos infinitos e eu cheguei no terminal já transformada em cubo de gelo. O meu sogro fofo estava nos esperando com um cobertor na parte de trás do carro.

Depois de uma hora e meia chegamos em Lincoln e por um instante eu vivi na ilusão que iríamos poder curtir a família e os amigos, mas logo acordei do meu sonho com mil coisas para fazer again. A festa era no dia seguinte. Quando eu me dei conta já eram 6:45 e todo mundo ia nos encontrar em um restaurante às sete. 

Subi correndo para me arrumar e já não dava mais tempo de lavar os cabelos, ou sequer tomar um banho. Comecei a me maquiar como dava e me lembrei do Brasil, do jantar um dia antes do casamento e de mim, sem banho, sem maquiagem, com cara de louca, cabelo molhado da chuva e pensei, não vou cair nessa de novo. Pára tudo, vou tomar um banho e me arrumar direito. O mundo que me espere, eu sou a noiva - de novo. 

A noite foi uma delícia. Jantamos num bistrô com família e amigos mais chegados. A melhor parte de sexta-feira foi rever a minha amiga Nany, que se despencou de Baltimore no frio da putaquepariu para comemorar com a gente. Fazia mais de dois anos que a gente não se via, mas sabe aquele sentimento de que a gente se viu ontem? A Nany estava comigo em Vegas quando eu e o Jared nos conhecemos, o que fez a presença dela na festa mais especial ainda.

Depois do jantar, fomos para os barezinhos no centro de Lincoln. Eu de vestido, quase virei um icebergue. Mas para os amigos do Jared e agora meus amigos também, não tem tempo ruim. Para esquentar, não só bebemos como inalamos shots de cinamon crunch! Essas loucuras de Lincoln. O melhor lugar dos Estados Unidos para encher a cara.

No sábado de manhã, fomos para o salão acertar os últimos detalhes da decoração e da festa. Depois do almoço enrolamos os bem-casados e por volta das 4 da tarde fomos para o hotel nos arrumarmos para a festa que estava marcada para as 7 da noite.





Chegamos lá, o Jared tinha fechado um bloco de quartos para os nossos convidados, mas esqueceu de reservar uma suíte para nós dois. Já pode querer matar o marido de verdade? Ou ainda é cedo? Por sorte, o hotel tinha uma suíte vaga. Eu juro que era praticamente a única coisa que ele tinha que fazer para a festa em Lincoln, mas enfim. 

Às cinco da tarde, os amigos dele começaram a chegar no nosso quarto para o esquenta pré-casamento. Enquanto a Aubrey arrumava o meu cabelo, eles jogavam drinking games. Por volta das 6:30 corremos eles do quarto, ensaiamos a nossa dancinha traumática mais um vez e fomos para o salão. Um frio, um frio, um frio. Mas um friiiio. Os -17ºC viraram -20ºC na noite anterior e repetiram a façanha na noite de sábado. Quem mandou reclamar?


Antes de entrarmos na festa, passamos o vídeo do nosso casamento no Brasil, só para o povo saber que casamos de novo mesmo. Não era mentira. Assim que acabou o vídeo o Dj anunciou o Mister e Misses Ubben! O que por incrível que pareça, eu já me acostumei.

Abraçamos todo mundo e dançamos a nossa segunda primeira dança. Dessa vez, arrasamos na pista!




O pai do Jared fez um discurso fofíssimo e até nos enfiou em ponchos de gaúcho! Meu sogro devia ter nascido no Rio Grande do Sul. Até hoje ele diz, que não tira o Brasil da cabeça!


Logo em seguida, teve uma surpresinha da minha família. Esse vídeo aqui em baixo. Muito amor. As pessoas mesmo sem entenderem o que eles estavam dizendo se emocionaram. Mais uma prova de que o amor não tem nada a ver com entender e sim sentir. Eu quase sucumbi de saudade, mas parecia mesmo que eles estavam lá com a gente. De coração.

video

No meio da festa começou a nevar. O que eu achei lindo demais. Nem me incomodei mais com o frio. Cortamos o bolo, jogamos o buque (sapo) e garter, fizemos a dança do dólar. Dançamos e dançamos mais um pouquinho. Não faltou nada! Até um pedaço do bolo nós congelamos, como manda a tradição.







Detalhe, na hora do brinde o DJ não foi avisado que seriam servidas taças de champagne no bar para os convidados e todo mundo fez o brinde com o que já estavam bebendo. Sendo assim, 100 tacinhas de champagne ficaram bonitinhas no balcão do bar esperando os convidados.

Um problema sério que eu fiz questão de resolver quase sozinha e fui dando jeito de sumir com as tacinhas do bar. Eu e a minha sogra!

A noite chegou ao fim, mas ficaram mais memórias. Não ia ficar completo sem uma comemoração em Lincoln. Temos muita sorte em termos uma família tão especial e amigos de todo o canto do mundo. Me diz se é isso não é motivo para fazer muitas e muitas festas?


Preciso dizer, que eu não posso nem ouvir falar em vestido de noiva, mas a gente continua celebrando todos os dias - até os dias difíceis. E muitas outras grandes festas ainda virão. Até a próxima!



Photos by Corey Buller.