22 de novembro de 2011

aeroporto 1

18 de fevereiro de 2010.

No dia 4 de janeiro, entramos no voo de volta para nossas vidinhas normais na Pensilvânia. Chega de Vegas, chega de luzes, chega de glamour. O negócio agora era cuidar das nossas crianças ranhentas e limpar bunda de nenê. Ainda assim na viagem, voltamos rindo das nossas aventuras:

"O mocinho que eu conheci disse que vai pagar as nossas passagens para irmos visitar ele no Texas", comentou uma das meninas às gargalhadas. "O meu, croata que mora em Nova York, disse que vai me ligar quando nós chegarmos na east coast porque quer uma relationship". Piadistas total. Por fim, eu falei, "e o meu que disse que vai me visitar na Philadelphia? Jura!". Rolamos de rir no avião. Risos do tipo: me engana que eu gosto!

Exatos 45 dias depois, estava eu no Philadelphia International Airport no saguão do desembarque. Como nada  é tão lindo e perfeito na vida real e/ou eu sou uma péssima protagonista dessa história, é óbvio que eu estava no portão de desembarque errado, no terminal errado. Ainda bem que Philly só tem um aeroporto, senão era bem provável eu estar no aeroporto errado também.

Quando ele falou para os pais dele que iria passar o final de semana na Pensilvânia com uma brasileira que ele tinha conhecido na primeira semana que estava em Vegas, eles não acharam a coisa mais sensata a ser feita. Convenhamos, né?! Então o pai dele disse: - Já pensou se ela não aparece e te deixa plantado no aeroporto? E a partir deste momento estava plantada a sementinha da dúvida na cabeça do menino.

Então, vocês imaginem a situação do rapaz quando ele sai do portão de desembarque e não me encontra lá? Porque eu, claro, estava bem feliz do outro lado do aeroporto, vendo todos os passageiros de todos os voos desembarcarem menos ele. Será que ele desistiu? Será que o avião caiu? Toca o meu celular.

Ele: - Onde tu tá?
Eu: - To aqui oras, no portão de desembarque.
Ele: - Não te vejo.
Eu: - Que terminal tu tá? 
Ele: - E.
Eu: - E?? (pqp, nem sabia que tinha terminal E). A bateria do meu celular tá acabando (great), não sai daí que eu to indo. 

Despenco-me eu todo trabalhada no salto alto do terminal B para o terminal E. E o tal E era longe viu. Ou pelo menos pareceu uma maratona. Eu queria impressionar o bofe, mas quando encontrei ele eu tava era botando os bofes pra fora. Nos abraçamos! Juntos.

Caminhamos milhas para pegar o meu carro no estacionamento errado, do terminal errado. Já falei né?! Uma nuvem de nervosismo flutuava em nossas cabeças e apesar da conversa fluir (no meu inglês pouco fluente), borboletas, cobras e lagartos habitavam os nossos estômagos. Era palpável.

Enfim, chegamos no hotel que ele tinha reservado, Hilton Garden Inn. Provalemente o melhor hotel que já ficamos nesses quase dois anos de idas e vindas. Impressionar era a palavra de ordem, tanto da parte dele,  quanto da minha.

No fundo, estávamos mesmo impressionados. Um com o outro e, principalmente, com o fato de tudo aquilo estar acontecendo com a gente. Um "tudo aquilo" que a gente nem sabia direito o que era, mas que a gente já sentia.

2 comentários:

  1. Te enxergo correndo no aeroporto, ainda mais estando toda "trabalhada no salto alto" hahahahahaha! Muito bom!

    Esta história é a tua cara! Consegues colocar tua personalidade no texto e nos transportar para uma conversa cara a cara!!!

    Queremos mais...

    ResponderExcluir
  2. Meus olhos brilham neste momento lendo este inicio que eu já sabia, mas que com tuas palavras, fica ainda melhor. Eu sempre disse que essa história daria um livro...é, virou, um blog ;)

    AMO!

    ResponderExcluir