6 de dezembro de 2011

aeroporto 3


22 de maio de 2010.

Eu ainda tinha dez dias de férias para tirar. Prometi que ia voltar a Las Vegas e voltei. Era fim de maio e já estava ficando calor. Na manhã daquele sábado, eu tinha o teste TOEFL para fazer em York, mais ou menos à uma hora da minha casa em Kinzers, PA.

Eu e uma colega alemã, saímos umas 6 da manhã. O carro da minha host estava fora da garagem bem atrás do meu no sentido oposto. Nossos carros formavam um T. Automaticamente, eu (sem café e com a cabeça em Vegas) entrei no meu carro e dei uma ré, colocando o cinto de segurança, em cheio no Volvo dela. Inacreditável, eu sei. Em minha defesa, não tinha crianças na rua e ela nunca deixava o maldito carro fora da garagem.

Fui fazer a porra da prova aos prantos. A minha host foi super legal, mas eu não conseguia acreditar que eu tinha feito aquilo. Além de não conseguir transferir a prova eu ainda tinha que bater uma foto. Eu tinha uma raiva tão grande da situação, mas tão grande que nem um sorriso amarelo eu consegui dar. Pelo menos fui aprovada.

Em casa, troquei o carro pela mala e peguei uma carona para a estação de trem com a alemã. Ela me deixou em Exton, lá peguei um trem para Philadelphia, onde peguei um trem para o aeroporto – o segundo, porque o primeiro passou na minha frente e eu perdi (ARG). Pelo jeito, eu estava em transe no Planeta Caldas, me ferrando loucamente no Planeta Terra. Meu voo era direto, mas foram longas e intermináveis 5 horas. Eu só queria chegar!

Em Vegas, segui o fluxo das pessoas e acabei descendo do portão de desembarque pela escada rolante secundária. É óbvio que ele estava me esperando na principal. Cheguei no carrossel das bagagens e nada. Liguei. Ele atendeu já falando, ansioso:

- Where are you? [Onde tu ta?]
- Baggage claim number 10. [Carrossel de bagagens número 10.]
- How did you get there? [Como é que tu chegou aí?]
- Idk, I just followed people without thinking. [Não sei, eu só segui as pessoas sem pensar.]

Sentei, coloquei o pé em cima da mala e fiquei esperando. Exausta. Logo em seguida ele apareceu com o olhar apreensivo, o andar apressado e um copo de Starbucks na mão. Vanilla Latte. Quando ele me viu, ele relaxou e eu também: juntos.

No caminho para o apartamento, ele disse:

- Don’t mind me. I’ll be smiling non-stop for at least two days.
[Não dá bola para mim, eu vou ficar sorrindo sem parar pelo próximos dois dias.]

Eu, inevitavelmente, sorri também. Ele tem esse dom!

4 comentários:

  1. Legal ler este teu post hoje, quando me aproximo de completar 3 anos de casado com a mulher mais especial deste mundo. E mais legal ainda é ver que situações como as que aconteceram comigo, esta distância toda, separações e encontros, choros, despedidas e tudo o mais ainda se misturam à realidade do nosso dia a dia. Só tenho uma coisa para te dizer: tudo nessa vida vale à pena! E digo mais, compra a bicicleta e te casa, pq se for para ir para algum lugar que seja perto do teu amor e que dê p ir pedalando... Bjos e felicidade sempre!

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  2. Eu também sorri!! hehe cunhado fofo :P

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  3. Não conheço o Rafael Leite, mas adorei o comentário e assino embaixo!! ;D

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  4. Aeroporto. O lugar mais bacana e torturante ao mesmo tempo. Lugar de reencontros e despedidas. Lugar onde a história de vocês fica cada vez mais forte, se renova. Que venham outros 'aeroportos' felizes ;)

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