9 de dezembro de 2011

Las Vegas e despedida 3

Eu fui passar dez dias lá. Para nós, parecia muito. Era mais que um final de semana estendido, era mais que uma semana inteira. Dois sábados, dois domingos. O apartamento dele era relativamente pequeno: quarto, sala e cozinha. Grande para nós dois. Maior que um quarto de hotel. Era um xodó de apartamento. Entrei e estava tudo no lugar. -Welcome, ele disse.

Abri a geladeira (gordinha é triste). Tinha um estoque de ice coffee, budweiser e corona. Acho que ele estava mesmo me esperando. Nem preciso dizer que os dez dias passaram em um piscar de olhos.

Logo nas primeiras noites, eu fiasquenta sonhei com um urso preto gigante. Acordei  aos berros, ele me segurava e eu, ainda meio dormindo, tentava me desvenciliar do "urso". Quando abri os olhos, ele tinha uma expressão de terror! Deve ter pensado, onde é que eu tava com a cabeça quando eu pedi essa louca desvairada em namoro (Y). E eu, louca desvairada que sou, cai na gargalhada. Achei que ele ia me colocar no próximo voo de volta pra Pennsylvania, mas ele caiu na risada junto. Rimos até rolarem lágrimas.

O Jared fazia café da manhã americano, eu fazia jantar brasileiro. Ou então íamos comer fora. Ele se dividia entre eu e o trabalho, afinal, era só eu que estava de férias. Ás vezes, eu ia pro trabalho junto, naquela época, ele era o único funcionário da empresa. Outras vezes, eu ficava na piscina do condomínio ou fuçando "secretamente" nas coisas dele. Se ele tivesse alguma coisa que eu não pudesse ver, era a hora de descobrir!

Numa dessas, achei um cachorrinho de pelúcia e um álbum de fotografia, com fotos nossas. E tinha uma dedicatória para mim. Era pra ser surpresa, mas eu adoro estragar surpresas para mim mesma. Como diriam, meus amigos do jornalismo, fofo em Cristo!

De noite, saímos para fazer turismo de casal em Vegas. Nada de balada. Naquela sexta-feira, resolvemos ficar em casa e ver um filminho de mulherzinha. Chick-flick. Coitado, ter namorada é isso: assistir comédia romântica. Hoje em dia ele até torce para os finais felizes!

Eu lembro bem dessa noite, porque foi uma das melhores sextas dos últimos tempos. Totalmente diferente das minhas sextas-feiras de bar em bar em West Chester, que eu adorava, por sinal. Mas alguma coisa tinha mudado em mim e ficar em casa na sexta com ele, foi bom, foi até melhor. Era estranho me dar conta disso.

A gente procurava evitar o fato de que eu iria embora de Vegas em poucos dias e embora do país em aproximadamente um mês. Era o nosso elefante na sala. Estava sempre ali, mas a gente ignorava o máximo que podia. Falamos uma noite, era simples: ele queria que eu voltasse, eu alegava que ainda nem tinha ido.

Até que chegou o dia de fazer as malas. Eu ia embora na terça-feira, primeiro de junho. No domingo, ele começou a se sentir mal, dor de garganta e no corpo. Na segunda, só piorou. Teve até febre. E na terça de manhã (1º de junho), quando foi me levar no aeroporto, foi péssimo.

Já seria ruim o bastante ir embora. Deixar ele doente, era muito pior. Ele estacionou na porta do aeroporto. A intenção era fazermos uma despedida rápida, puxar logo o esparadrapo, sem delongas. Ele me alcançou a mala, me deu um beijo e um abraço apertado. Bloqueie o que ele disse. Lágrimas, não de riso. Virei as costas e entrei no aeroporto. Olhei para trás, o carro dele estava arrancando.

Mesmo não tendo certeza de nada, algo me dizia que a gente ainda ia se ver de novo. Não podia acabar ali, daquele jeito. E não ia.


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