20 de dezembro de 2011

fireworks

4 de julho de 2010 - Dia da Independência dos Estados Unidos.

O voo de volta para a Pennsylvania tinha sido péssimo. Não dormi nada e ainda fiz uma conexão absurda nem me lembro onde. Eu com cara de choro e a pessoa do meu lado perguntando seu tinha me divertido muito em Vegas (Y). "Sim, demais."

Cheguei umas 10 e tanta da manhã. Peguei um trem pra Central Philly e mais outro para Exton. A Fernanda, obviamente, se atrasou para me buscar e eu cheguei em casa quase duas da tarde, que nem um zumbi. Desci do carro e as crianças, que estavam na rua, vieram correndo me abraçar: Faaaaabi! Senti um embrulho no estômago. 

Entrei pela porta da garagem e dei de cara com o Peter (hostdad), que perguntou se eu tava "ok". Eu não tava ok e já comecei a chorar na hora. Ele, querido, perguntou o que eu queria fazer no meu último dia nos EUA. "A gente pode ir escalar ou pegar o barco", dizia ele, com empolgação na voz, tentado me animar. Agradeci. Eu queria era ficar ali, no lugar que eu tinha aprendido a chamar de casa. 

Fomos buscar a Jaque, que tava com o pé quebrado para passar o dia comigo. A Nany estava viajando. A Joyce e o Mark também foram me ver. Eu lembro que eu estava meio aérea. Queria dar atenção para todo mundo, tinha mala para arrumar e a vizinha estava dando uma festa para comemorar o Dia da Independência e o aniversário dela - agora de verdade.

Fomos para festa, tipicamente americana. Chips, hamburguers, copos vermelhos de plástico, cervejas em lata. Era bem aquilo que eu queria mesmo. Fazia parte da despedida que eu ainda estava processando. Fogos de artifício no céu e uma explosão de angústia dentro de mim. Viva o 4 de Julho.

Nós, no dia 4 de julho de 2010.

Entre um fogo de artifício e outro, recebo esta mensagem do Jared:

When we kiss there's sparks. When we touch, my heart starts. You are the perfect girlfriend, like art. The worst thing in the world is when we are apart. 

Agora aguenta, Fabiana. Quem mandou?

Coloquei as crianças na cama e fui levar a Jaque em casa. Na volta, fiquei até as 3 da manhã terminando de arrumar as malas. Os dois últimos anos da minha vida estavam espremidos ali, entre um tênis e outro. Três horas depois, acordei com os olhos estalados. Eram 6: 15, do dia 5 de julho de 2010. Pulei da cama e corri para o banheiro com ânsia de vômito. Aquele dia era como um teste de matemática, daqueles que a gente não quer que chegue, mas quer que passe logo. Eu queria que já fosse 6 de julho, mas não era.

Voltei para o quarto e liguei para minha mãe aos prantos. Se fosse para ir embora, eu queria ir para casa. Eu queria colo. Colo de mãe. Mas, não, eu estava indo para a França! Naquele momento, a ideia de passar o verão lá, parecia a coisa mais ridícula do mundo. Eu nunca, em mil anos, pensei que ia ser tão difícil deixar a terra do Tio Sam. Isso, sem falar que a saudade da minha casa, casa mesmo, já estava me corroendo por dentro. Exatos 22 meses longe, eu não queria ir embora, mas queria ir para casa. E, no entando, eu estava indo embora e não estava indo para casa. Alguém me ajuda?

Fomos tomar café da manhã, pegamos a Jaque e fomos para o aeroporto. Eles foram todos me levar. A Angi (hostmom) ficou do lado de fora do aeroporto cuidando o carro mal estacionado. Queríamos uma despedida rápida. Ela me deu um abraço sofrido. O Peter me ajudou com o check in, depois disso, só me lembro do Chase chorando, do Owen me olhando de canto de olho e do Cael (2 anos) me perguntando porque o pai dele estava chorando. Nós, adultos, choramos que nem crianças. Abracei todos bem forte, fiquei lá esperando o carro sair do meu campo de visão e fui pegar um avião para lugar nenhum que acalmasse meu coração... 


*Quem quiser ler mais sobre esse drama dia, pode dar uma passadinha aqui. O vermelho poá está abandonado, mas relembrar é viver!


5 comentários:

  1. Me deu vontade d chorar lendo isso! Imagino como tu devia estar nesse dia!
    Bjos da Gorda!

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  2. :) a gordinha mais sensível de todas!! hahaha AMO.

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  3. esse moreninho ta com quantos anos agora? tem telefone? hahahaha brincadeira!

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  4. hahahaha vai fazer 10 :P ainda tem que esperar uns aninhos Clau. Deixa o meu filho hehe :) beijoka

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  5. a despedida foi triste, mas a lembrança que tu tens deles é maravilhosa! são uns amores :D

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