12 de dezembro de 2011

pensilvânia

O mês de junho daquele ano passou voando em Countryside Drive, Kinzers, PA. Enquanto eu olhava pela janela e via o milho do vizinho crescendo sem parar, uma tempestade de sentimentos tomava conta de mim. O sol forte aquecia os últimos dias da primavera e já anunciava o verão, mas aqui dentro estava tudo meio cinza. Uma inquietação. Uma agonia.

O relógio corria e o meu tempo estava acabando. Apesar de eu estar pronta para ir embora, com o dever mais do que cumprido, metade das malas prontas e uma saudade imensa de casa, eu sabia que ia doer muito. Mas doeu muito mais do que pensei

Todos os dias eu olhava para a carinha dos meus meninos, que logo logo estariam crescendo muito mais rápido que o milho do vizinho, sem eu estar por perto. Eles iam crescer sem mim, eu ia virar uma lembrança, uma foto no porta-retrato do quarto que eu mesma coloquei para pelo menos garantir que eles não me esqueceriam assim tão fácil. E ainda tinha os amigos e o Jared - a cereja no bolo dessa saudade, dessa vida que ia ficando para trás. O que ia acontecer com a gente? O que ia acontecer comigo?

Enquanto eu pensava em tudo isso e o vizinho cuidava do milho, a minha hostfamily planejava uma festa surpresa para minha despedida. E me enganaram direitinho. No dia 19 de junho, cheguei no aniversário forjado da vizinha (não a dona do milharal), atrasada, de havaiana, com cara de ressaca e sem presente. Resolvi entrar pelos fundos para não fazer alarde. Só queria mesmo dar um abraço nela.

o milho do vizinho

Abri a porta e dei de cara com todo mundo olhando para mim, batendo palmas e gritando eeeeeeee! Fiquei pasma, ali de boca aberta, com a mão no peito, achando que meu coração ia despencar. Até a minha prima, que mora em Philly, estava lá. Abracei todo mundo, ainda fora de órbita. Eles estavam loucos de fome, esperando eu chegar para começar a comer! E eu bem faceira no shopping com a Jaque e a Nany, que sabiam da trama, mas não viam jeito de me mandar pra tal festa.

Depois que eu me situei um pouco, as meninas disseram para eu ligar para o Jared. Ele já tava com a passagem comprada para estar na festa também de surpresa, mas na última hora desistiu. Deixem eu explicar porquê:

Eu ia passar a minha última semana nos EUA numa praia na Carolina do Norte com a minha família americana, mas resolvi que eu já tinha vivido quase dois anos amando sem limites aqueles monstrinhos e que eu queria mais tempo com o Jared - isso tudo sem saber que ele viria. Uns dias antes da festa, eu disse para ele que iria passar mais dez dias em Vegas. Ele achou melhor então não ir para a Pensilvânia, porque aquele seria o meu último final de semana com as minhas amigas e hostfamily.

Se eu soubesse, eu teria dito para ele ir. Queria que ele estivesse lá, mas eu não podia deixar de sorrir com a generosidade e a preocupação dele em fazer o que parecia ser melhor para mim. Agora me digam onde é que eu vou encontrar outro homem tão compreensivo assim?

Desliguei o celular e curti aquela delícia de surpresa. Afinal de contas, eu não precisava procurar por nenhum outro homem compreensivo ou não. Em três dias, eu estaria com ele. Mais uma vez.

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