13 de dezembro de 2012

amor em movimento - natura

Achei esse vídeo promocional da Natura, uma fofura só. Até rima. Também achei bem no clima do bloguinho e vim aqui dividir com vocês. Porque o amor de verdade não é perfeito. E é perfeito. Que seja assim. Que assim seja.





aniversários

Agosto e Setembro de 2012.

Desde sempre a gente sabia que teríamos que nos casar se quiséssemos ficar juntos. Precisávamos casar para poder namorar mais. Depois do noivado e da minha vinda permanente para os Estados Unidos, regularizar a situação era uma questão de tempo.

Eu cheguei a conclusão na minha cabecinha pensante que eu ainda era muito nova para casar. Afinal, 25 aninhos era a reta final dos adorados 20 e poucos. Então, eu disse que só casava depois que eu fizesse 26. Uma idade mais condizente aos planos mirabolantes para a minha vida quase perfeita, que só aconteceu nos meus planos mesmo.

O Jared com toda a paciência que Deus deu para ele, concordou. Até porque ele também era muito novo para casar. Quer dizer, na cultura americana ele já estava ficando passadinho, que nem eu. Mas desde que eu entrei na vida dele nada é mais puramente determinado pela cultura americana. Só o barbecue sauce que está fora de discussão.

Chegou o 4 de agosto, aniversário de 26 anos dele, o que me deu 27 dias para debochar do fato de ele estar ficando velho. Teve bolo, velhinha e um dia de folga na piscina. Nada mal para um senhor de idade.

Como era de se esperar, exatas 4 semanas depois, chegou a vez dos meus 26! Acordei  às 6 da manha ansiosíssima para abrir meus presentes, todos enrolados em folhas de jornal no sofá da sala. Muitos presentes, todos fofos mas o melhor de todos foi um roller para eu voltar a ser adolescente. Ou para pagar mico mesmo andando de "patins" com 26 anos na cara.

Abri tudo meio que rapidinho, liguei para a família no Brasil e pegamos a estrada para Utah. Na segunda-feira seguinte era feriado e resolvemos ir acampar. No meio do na-da. O verão já estava mais pra lá do que pra cá e dava para contar nos dedos as barracas. Sem telefone, sem internet, sem televisão. Só nós os três. Era um presente e tanto de aniversário.

O final de semana foi bem acampado mesmo, com direito a trilhas, fogo no chão, cachorro quente  e marshmallow no palitinho. Durante a noite, tava tão frio que o Chima acabou dormindo no meio de nós dois. Na segunda noite, resolvemos tomar um porre para espantar o frio. Quando a cerveja acabou, tomamos vodca com energético, quando a vodca acabou, abrimos um garrafão de vinho branco. Vocês imaginem o estrago.

Pelo menos, a gente se divertiu com pouco. O Chima ficou de dono do pedaço e comeu todos os gravetos que ele encontrou. Tudo muito bom, muito bem, mas mal amanheceu a segunda-feira e eu já queria voltar para o conforto da minha casa. Com uma ressaca maior que o estado de Utah inteiro, eu queria um banho quentinho, uma casa quentinha, uma comida quentinha. Qualquer coisa quentinha. Arrastei o Jared para fora da barraca e pegamos o rumo de volta.

Acho que acampar daqui para frente virou uma coisa meio utópica  No mínimo, uma cabana. Tomara que ele não me escute. Realmente, ele pode ter feito aniversário antes de mim, mas quem está ficando velha sou eu.




Voltamos para casa. E agora nada mais ficava no meio do nosso casamento no civil. Não tinha mais desculpa. Não tinha mais tempo. Não tinha mais rolo. Como o Jared, não veio ao mundo à passeio, casamos antes do que vocês imaginam, mas esse é assunto para outro dia.

7 de dezembro de 2012

happy tail [cola feliz]

Agosto de 2012.

Como já comentei aqui, um dos motivos que me seguraram por tanto tempo no Brasil a saúde da minha vó. Não estar fisicamente presente na vida dela, tão frágil e preciosa para mim, é um preço bem alto que eu pago pela minha escolha. Sendo assim, qualquer notícia ruim relacionada a elame derruba em dois toques.

O Jared sabe disso melhor que ninguém e tem até reservinhas de dinheiro para qualquer possível viagem de emergência. Isso também, porque sem que eu consiga entender ou explicar, eles dois tem um carinho enorme um pelo outro.

Enfim, depois de passarmos um final de semana de caseiros no chefe do Jared, o Chima voltou pra casa com a ponta do rabo machucada. Deixa eu explicar melhor: o chefe foi viajar e perguntou se a gente poderia ficar uns dias na casa dele cuidando os quatro cachorros da família. Aceitamos sem problemas, já que o nosso cachorro poderia ir junto. 

Pois bem, o Chima se divertiu tanto com os outros cães  balançou tanto a cola que fez um feridinha na ponta. Na semana seguinte, começamos a notar sangue nas paredes e percebemos que era da cola dele. Ouvimos dizer que se não cicatrizasse teríamos que cortar o rabo fora, então resolvemos levar ele no veterinário em seguida.

Nesse meio tempo, fiquei sabendo que a minha vó precisaria de um outro cateterismo. Aquele procedimento no coração, que já comentei por aqui. Dessa vez, ela estava com uma dor nas costas (pulmões), que poderia estar relacionada com o coração  Ela já tinha se escapado no ano passado, mas agora não tinha jeito. Tinha que fazer o cateterismo, exame para analisar a situação das veias, e logo em seguida, a angioplastia, para desentupir as veias. 

Eu resolvi conversar com o Jared pessoalmente sobre as condições de saúde da vó. Coincidentemente, era dia de levar o Chima no veterinário. Então, conversamos no caminho da consulta. Ele fez cara de triste e não falou muito coisa. Afinal, não tem muito o que dizer.

Chegamos lá, ainda com medo de ter que amputar a cola do cachorro. A veterinária disse que não era nada grave e que provavelmente não iria precisar cortar. Nas palavras dela, ele só tinha uma " happy tail" - cola feliz, de tanto abanar o rabo com força e bater nos móveis e paredes. 

Saímos do veterinário aliviados. O Chima ainda contrariado com o rabo enfaixado e um daqueles cones na cabeça. O Jared olhou para mim e disse: "I wish vó only had a happy tail". [Eu queria que a vó só tivesse uma cola feliz].

Claro, que ele quis dizer que gostaria que ela não tivesse nada sério e que todo mundo pudesse ficar aliviado. Mas eu achei muito engraçado e acabei abrindo o meu primeiro sorrido do daquele dia pesado. Como eu sou muito simplória, contei para ela, que mais simplória do que, cai na risada também.

No final das contas, ela praticamente só tinha uma cola feliz mesmo. O cateterismo correu tão bem que acabaram desmarcando a angioplastia. O médico disse que ela poderia vir até para Vegas nos visitar! O coração estava muito bem, obrigada. Ficamos todos contentes, com a cola feliz, abanando os rabinhos. 

29 de novembro de 2012

peguei o buquê

30 de junho de 2012.

Eu sei que eu já estava lá em julho, mas vou ter que voltar um pouquinho no tempo para falar do casamento da Camila e do Igor. Conhecemos eles em uma viagem curtinha para Philadelphia no ano passado, através de amigos em comum. Mas, brasileiro no exterior tem ímã. Na maior parte dos casos, a gente mal se conhece e se identifica na hora. Quando menos esperamos já somos amigos de longa data.

Dito isso, esse ano eles resolveram casar em Vegas e nos convidaram para dividir esse momento tão especial com eles. A festa começou na sexta-feira, quando fomos todos de limousine para um Strip Club. Total Vegas Experience!

Geeeente, eu nunca tinha ido num lugar desses e preciso confessar que achei um máximo. O andar de baixo era para o público masculino e o de cima, para o feminino. Entramos no elevador sem saber direito o que nos esperava no outro lado da porta. Logo demos de cara com homens de bunda de fora, melhor dizendo, de fio dental. Só Jesus na causa. Ca-da homem. Um poço de gente feia, só que não. Espero que o Jared não traduza essa parte.

Enfim, chegamos todas meio tímidas. Estrategicamente, o valor da entrada inclui dois drinks e o garçom seminu já traz os dois juntinhos, para a mulherada se soltar mesmo. Não deu outra! Foi difícil nos tirarem lá de dentro, mas saímos e nos reencontramos com os nossos reles mortais namorados, noivos e maridos, que por sua vez esperavam mais das moças do Strip. Ou pelo menos, foi isso que eles nos disseram, tendo em vista que um deles perdeu até a carteira.

Chegou o sábado, dia 30, e nos reunimos na capela para assistir à união dos noivos. Tudo bem ao estilo de Vegas, mas com a simplicidade do amor dos dois e a presença de muitos amigos e família. Apesar de ter sido meio rápido,  porque casamento nessas bandas é um negócio muito lucrativo e com bastante procura, foi muito intenso e quase dava para tocar a felicidade deles.



A festa foi num restaurante no Planet Hollywood. Comemos, dançamos e chegou a hora de jogar o buquê. Eu fiquei um pouquinho mais para trás, afinal de contas, eu já estava a caminho da forca mesmo. Até o momento em que a Camila jogou o buquê muito forte e caiu atrás de uma mesa alta nos pés de dois caras.

Eu olhei o buquê, o buquê olhou para mim e o ser competitivo que existe em mim saiu correndo de vestido e salto alto, passou por baixo da tal mesa e catou o buquê do chão. Levantei toda errada, com o cabelo despenteado a tempo de ouvir alguém dizer: "não valeu, tem que jogar de novo".

A noiva me olhou com o buquê na mão, com a minha cara de não sei o quê e respondeu: valeu sim, o buquê é da Fabi! Ufa. Que fofura de noiva. Depois de todo o sacrifício, eu queria aquele buquê e ponto. Era meu.

Cada dia, a nossa história ficava um pouquinho mais palpável, através dos momentos que fomos vivendo juntos, dos amigos novos que conhecemos juntos e de todo o resto que agora fazíamos juntos e não separados por literais dez mil quilômetros.

A nossa vida nova tinha começado. Junto com a vida nova da Camila e do Igor. Quero deixar registrado que desejamos para eles que essa nova vida seja cheia de felicidade e sonhos realizados. Muito obrigada por dividir a alegria de vocês com a gente! Cheers.

22 de novembro de 2012

insanidade do ócio

Julho de 2012

Depois de ficar um mês e meio sozinha em casa durante o dia, todos os dias, a insanidade começou a bater. Apesar de eu me dividir entre as tarefas da casa, o nosso filhote Chima, livros, o blog e as redes sociais em geral, comecei a ficar meio enlouquecida. Pior do que eu já sou na minha "normalidade". Ao que vocês devem estar se perguntando, porque diabos que eu não arrumo um trabalho ou algo produtivo para fazer.

Para quem ainda não sabe, a resposta e fácil: imigração. Para eu poder trabalhar, estudar e ter uma vida normal aqui, eu preciso me casar. Eu sabia muito bem disso, por isso demorei tanto tempo para entrar naquele avião. Bom, vocês já devem saber que eu não quero me casar. Ou não queria. Pelo menos, não agora. Não, por um bom tempo. Não sei explicar o porque desse meu receio. Afinal casamento não é esse bicho de sete cabeças. Ainda mais hoje em dia, em que infinitos casamentos acabam em divórcio. Casou, não dá certo, separa. Será?

Na minha cabeça,  essa matemática não é tao fácil. Se passar por um fim de namoro  foi relativamente difícil imaginem um divórcio. Deve ser um desgaste e tanto. Sem falar no estado civil, que muda para sempre. Solteira, nunca mais. Logo eu, que aprecio tanto a minha solteirice. Daqui para frente, será casada, divorciada ou viúva. Se eu já me acho muito nova para ser casada, imaginem então ser desquitada ou, que Deus não me ouça, viúva

O papel e os rótulos são o de menos, eu sei, só estou sendo dramática. O importante mesmo é: estou preparada para dar esse passo? Estamos preparados? Infelizmente ou felizmente,  temos uma maneira de descobrir. E vocês, estão preparados? Se eu casar, vou ter que trocar o nome do blog?

De qualquer forma, ainda não está bem nessa hora e resolvi ocupar o meu verão no hemisfério norte com projetos de decoração para casa, yôga, aulas online, tudo e qualquer coisa que ocupasse a minha cabecinha pensante, que definitivamente não se torna produtiva no ócioPelo contrário.

Para falar a verdade, às vezes, até sai alguma de produtiva. Olhem o sofá que o Jared fizemos de pallets. Com o dinheiro das cervejas que tomamos no processo de lixar, pintar e envernizar as pallets dava para ter comprado um sofazinho para o pátio na loja, mas ai não teria seria tão divertido.



Por enquanto, a vida a dois anda no melhor astral. Tudo sob controle, capitão. Toca o barco.

21 de novembro de 2012

dia dos namorados

De volta à junho.

O dia dos namorados no Brasil estava chegando e uma amiga minha que trabalha no jornal Força do Vale de Encantado me pediu um textinho sobre a nossa história. Escrevi, mandei, ela ajustou e tá aqui o resultado. Estamos famosos nos interior do Rio Grande do Sul. =)


19 de novembro de 2012

1 ano sem querer casar

Hoje não é quinta-feira e eu sei bem que ando meio sumida, mas eu não poderia deixar de escrever. Hoje, no dia que essa loucura de blog invadiu a minha vida. No dia 19 de novembro do ano passado, eu resolvi contar a minha história aqui. A ideia era tirar do meu sistema e dar vida própria ao que estava acontecendo comigo. Virou vício, terapia, diário, projeto de livro e até um compromisso.

Na época, foi a maneira que eu encontrei de lidar com a situação. Era pra mim, mas depois de um ano essa história não é mais só minha. Ela se tornou muito maior que eu e às vezes até me engole. O blog foi crescendo devagarinho e agora tem um grupo de leitores que acompanham todos os capítulos desse livro virtual e acabaram se tornando minhas testemunhas. Eu nem sei o que dizer para essas pessoas tão especiais.

Muitas vezes, eu questiono toda a exposição que isso representa na minha vida e também na vida do Jared, que apesar de não ter gostado muito da ideia no começo, hoje em dia me incentiva bastante. Penso nas críticas e possíveis más interpretações, mas logo esqueço. Afinal, abri essa porta enorme para minha vida pessoal e mesmo que um dia eu a feche, sempre vai ficar uma brecha e eu tenho plena consciência disso.

Em contra partida, toda a semana eu recebo um comentário de alguém novo, que achou o blog por acaso e ficou preso por horas. Toda a semana eu recebo os comentários das mesmas pessoas que sempre voltam, se identificam com a historia e trazem uma palavra de carinho e apoio. A cereja no bolo,claro, é o exercício de escrever, que me completa.

Tantas coisas aconteceram nesse ano, algumas que talvez eu tenha previsto e muitas que eu nunca imaginei. O blog é um retrato simples e claro dessas coisas todas. Coisas que eu, sinceramente, ainda não tenho coragem de reler. Por isso, sinto que devo me desculpar por eventuais repetições ou desencontros no percurso. Sei que um dia vou ler o blog de cabo a rabo e, sendo perfeccionista do jeito que sou, vou querer reescrever tudo. Porém, esse não é o proposito. Ser perfeito nunca foi o objetivo aqui. Esse é um espaço de fraquezas, que ironicamente, me mantem firme e forte.

Por isso, hoje quero agradecer a todo mundo que acompanha, dá pitaco ou não. Todo mundo que lê, que ri e chora comigo. Todo mundo que passa pelas mesmas coisas e torce para o nosso final feliz. Vocês tornaram esse espaço maior do que eu previ. Eu não podia estar mais feliz em ter esse refúgio e de saber que vai estar aqui para sempre, esperando um leitor desavisado se perder ou pronto para eu abrir a minha caixinha de memórias. 

Através da escrita, o blog me mostra a dimensão da minha realidade e me dá a noção de que tudo que aconteceu comigo não foi em vão. Nada é em vão, a gente que sem querer esquece como chegamos onde estamos. Um brinde ao amor, aos contadores de histórias e às histórias a serem contadas. 

Eu penso que a única pessoa para quem o escritor tem obrigações é para com ele mesmo. Se o que eu escrevo não preenche algo em mim, se eu não sinto honestamente que é o melhor que posso fazer, então fico infeliz.
Truman Capote

1 de novembro de 2012

saudade

Junho de 2012

Metade de junho bateu na minha porta com uma mala cheia de saudade. Fazia apenas um mês que eu tinha chegado, mas aquele final de semana fui um combo fatal de nostalgia: 15 de junho, sexta-feira, aniversário da minha mãe; 16 de junho, sábado, formatura em medicina de uma grande amiga; 17 de junho, domingo, aniversário da minha avó querida.

Estar longe de casa naquele momento não fazia nenhum sentido para mim e foi difícil evitar a pergunta "o quê eu estou fazendo aqui?". A resposta eu já sabia. Estava ali, do meu lado, na minha frente, disposto a me fazer feliz da maneira que ele podia. Assim, apenas o pensamento, a pontinha de dúvida, a pergunta recorrente, me encheu de culpa.

A mesma culpa que me acompanhou por tanto tempo. A culpa de ir embora e deixar a família e os amigos ou a culpa de ficar e deixar ele. Eu era uma culpada convicta. Ou pelo menos, eu me sentia assim. Naquele final de semana, fiquei com o coração apertado por não estar lá e fiquei com o coração apertado por querer estar lá. Quanto aperto!

O Jared tentou me manter ocupada e fez de tudo para ter o telefone fixo com ligações ilimitadas para o Brasil instalado a tempo. E teve. Consegui ligar para a minha mãe e para a minha vó nos respectivos aniversários e assisti a Jô receber o diploma pela internet. Um viva para a tecnologia. Não me senti tão longe. Até porque estar longe é diferente de estar distante. De uma forma ou de outra, eu sempre me sinto muito perto das pessoas que são importantes para mim.

No entanto, aquele final de semana foi uma prova de todos os bolos de aniversário que eu vou perder. Todas as festas de casamento, batizados, formaturas que eu não vou comparecer, alguns Natais, viradas do ano, nascimentos e até velórios. O mais provável é que eu não esteja presente, uma verdade difícil de lidar e acho que nunca vai ficar mais fácil.

Acredito que com o tempo, algumas coisas vão melhorar, talvez a saudade de casa se amenize. Porém, o fato de estar ausente em determinados momentos vai doer para sempre. Mas, eu gosto de pensar que as coisas acontecem na vida da gente do jeitinho que elas tem que acontecerem e dois dias após o meu final de semana saudoso, a companhia aérea Copa criou um voo semi-direto de Las Vegas para Porto Alegre.

Mesmo assim, vou continuar não podendo estar tão presente o quanto eu gostaria, mas confesso que a notícia foi um conforto e tanto. Foi um abraço da vida, dizendo, viu, eu sei o que eu estou fazendo contigo. Segura a tua onda, Fabiana.

SAUDADE
Brazilian Portuguese: [saw'dadi] or [saw'dadʒi] is an unique Portuguese word that has no immediate translation in English. Saudade describes a deep emotional state of nostalgic longing for an absent something or someone that one loves. It often carries a repressed knowledge that the object of longing will never return.

25 de outubro de 2012

almost famous

27 de maio de 2012.

Era uma domingo preguiça como outro qualquer. Estávamos em casa, colocando quadros na parede quando vimos pela janela um movimento estranho, muitas pessoas, câmeras profissionais e, logo em seguida, um carro adesivado com os dizeres "Chef Race US vs UK". O que será isso?

Ficamos de butuca na janela um tempão, procuramos no google a tal Chef Race e nada. Até que notamos as pessoas batendo de porta em porta. Eu, que estava usando uma calça de abrigo e uma camiseta do Jared, entrei em pânico. "Babe, eles vão vir aqui e eu pareço uma indigente". 

Fazendo um parênteses, minha mãe me comprou um monte de camisolas e pijaminhas bonitinhos, já que ia/vou me casar! Sabe, aquelas coisas de mãe. Uma noite, coloquei uma camisola e um chambre pretos, lindos, o Jared olhou para mim e disse: vai aonde vestida de ninja? Juro por Deus. Desde então, eu só uso as camisetas dele para dormir e ficar em casa. Em outras palavras, ser sexy durou uma semana.

Voltando ao assunto, o Jared insistiu que eles não viriam aqui em casa. De qualquer forma, coloquei as minhas próprias roupas e dei uma ajeitada no andar de baixo. Dito e feito, não demorou muito umas dez pessoas bateram na porta, inclusive os vizinhos que não conhecíamos, tudo sendo devidamente filmado.

Os vizinhos se apresentaram e explicaram que tinham cedido a casa deles para um churrasco, um barbecue, eu devo dizer, porque churrasco mesmo é só no Brasil, mais precisamente, só no Sul do Brasil. As pessoas estranhas eram o time dchefes de cozinha da Inglaterra. Eles estavam gravando um episódio do programa "Chef Race US vs UK", uma corrida pelos Estados Unidos, onde os times, britânico e americano, teriam que sobreviver e atravessar o país apenas com o lucro das comidas que fizessem.

Em outras palavras, eles iriam fazer esse churrasco no nosso bairro, enquanto o time americano iria mover outra ação. Quem arrecadasse mais doações, ganharia o desafio. Quem perdesse, teria que mandar um dos chefes para casa. Muito divertido. 

Não só comparecemos ao churrasco, como levamos um sofá e uma mesa que tínhamos na garagem para ajudar na acomodação das pessoas. Foi uma experiência muito legal, tivemos a oportunidade de conhecer alguns vizinhos e ainda trouxemos as sobras das comidas diferentes para casa. Não cozinhamos por uma semana. 

Teria sido melhor se um dos chefes não tivesse passado mal. Estávamos todos sentados comendo, quando um deles caiu no chão se retorcendo todo. Por um instante, achamos que era parte do show. Até que vimos que era sério, provavelmente causa do estresse da competição, somado com desidratação e o calor do deserto.

Quando nos demos conta, tinha uma ambulância e um caminhão de bombeiros no meio da nossa rua. Sim, os americanos mandam até o caminhão de bombeiros em caso de emergências médicas. Na verdade, normalmente, vem primeiro o que estiver mais próximo da área, mas que eles são meio exagerados, isso são.

O programa foi ao ar agora em outubro e a gente aparece um pouquinho logo já no primeiro episódio, chamado Vegas or Bust! Infelizmente, não achei o link para assistir online de graça, mas, para quem estiver interessado, o site da BBC America tem vários sneak peeks e explica melhor o programa!

Em pensar, que tudo começou com um domingo preguiçoso de colocar quadros na parede. Em Vegas, todo mundo sabe como começa o dia, mas poucos sabem como vai  acabar.


18 de outubro de 2012

las vegas - chima

Maio de 2012.

Chegamos em Vegas naquela tarde de domingo (13). A casa estava praticamente do jeito que eu deixei em outubro do ano passado. "Eu estava te esperando para decorar o resto", ele disse. Morar em Las Vegas, não era tao bom quanto o simples fato de dividir aquela casa com ele, novinha, com cara de começo.

A casa, sem dúvida alguma, era grande demais para nós dois. Então já tínhamos resolvido que assim que eu chegasse, iríamos adotar um novo morador. Já naquela primeira semana, intensificamos as buscas por um cachorrinho para encher a casa grande. Reviramos a internet, fomos nos canis com animais para adoção, olhamos nos classificados e nada. Não encontramos nenhum que fizesse o nosso coração bater mais forte. 

Até o que o Jared chegou em casa com um jornalzinho antigo, Nifty Nickel, que eu nunca tinha visto. Abri na página dos classificados sem expectativa nenhuma e li "seis labradores à venda". Ele não queria labradores, por serem muito comuns. Todo mundo tem um labrador nesse país. Mesmo assim, eu continuei lendo: 4 filhotes pretos, dois cinzas. Labrador cinza? De repente, estávamos os dois entusiasmados. Já deve ter sido vendido, concordamos.

Do mesmo jeito, ligamos e, para nossa surpresa, só tinha sobrado um cinza e custava 800 dólares. 800 dólares? Era muito dinheiro, era uma passagem de ida para o Brasil. Abrimos a caixinha das economias. Tinha mil, mas era para uma emergência e achamos melhor não gastar. Dormimos com o labrador cinza na cabeça.

Amanheceu o domingo (20), exatamente uma semana depois que eu cheguei em Vegas, a dona dos filhotes ligou perguntando se ainda estávamos interessados, porque tinha surgido outras pessoas que o queriam. Diante daquela ligação, a gente se olhou e pensou junto: emergência!

Abrimos a caixinha e pegamos a estrada para Pahrump, uma cidadezinha que fica a uma hora de Las Vegas. Estávamos em alas, fazendo uma lista de nomes. Ainda apavorados com o preço, o Jared disse que ia tentar negociar por $600. Que nada. Quando chegamos lá, olhamos para ele e o preço nem importava mais.

Ele era a coisa mais fofa que pode existir no mundo dos filhotes de cachorro. Voltamos para casa felizes! Como ele chorava de noite, eu dormi no chão do banheiro as duas primeiras noites. Afinal de contas, eu sabia como era esquisito essa fase de adaptação. Eu e ele estávamos no mesmo barco. Quase que o Jared me mandou de volta pro Brasil, porque eu tinha trocado ele pelo cachorro na nossa segunda semana juntos.






Ele ficou dois dias sem nome, quase nos matando de agonia. Depois de muitas ideias, o Jared sugeriu Chima e eu adorei! Chima, de chimarrão, em homenagem ao meu saudoso Rio Grande do Sul. Todo mundo aqui acha que ele é menina ou não entende da onde saiu esse nome, mas quem mandou ter uma mãe adotiva gaúcha?

Aos poucos, o Chima foi enchendo não só a casa grande, mas enchendo sofá de pelo, o carpete de xixi e cocô, os móveis e sapatos de mordidas, entre outras peripécias. Mesmo assim, é muito bom ter uma casa cheia com esse amor de cachorro.

11 de outubro de 2012

bem a calhar


los angeles - chegada

12 de maio de 2012.

Depois de uma parada estratégica no Panamá e de 16 horas de viagem, cheguei em território americano.  Para evitarmos uma conexão de oito horas em Los Angeles, o Jared resolveu comprar a passagem direto para L.A. e ir me buscar lá mesmo. Las Vegas fica apenas quatro horas leste de Los Angeles, então achamos que seria uma boa oportunidade para passarmos o final de semana na Califórnia.

O que me preocupava mais, na verdade, era entrar nos EUA em uma cidade qualquer e depois pegar outro voo para Las Vegas. Eu queria que ele estivesse na primeira cidade americana que eu chegasse caso eu fosse presa ou levada para uma sala escura da imigração. Loucura, mas já vi casos parecidos.

Dito isso, vocês podem imaginar que eu estava com o c* na mão. Eu tinha visto de turista válido, mas como eu já tinha ido para lá no ano passado, eu achei que eles poderiam complicar e pensar que eu tenho potencial para ficar ilegal no país. Afinal que pessoa em sã consciência passa 3 meses em Vegas todos os anos? Eu. 

O aeroporto Internacional de Los Angeles é o quinto mais movimentado do mundo. Ou seja, é um formigueiro fora de proporções. Depois de trocar mil vezes de fila por causa da desorganização dos agentes, acabei ficando na fila errada mesmo, pois eu estava cansada de andar pra cima e para baixo com a minha bagagem de mão - sem rodinhas! Nunca mais na vida passo um trabalho desses! Juro por Deus que abandono meus pertences.

No final da minha fila, tinha dois guichês. Um agente muito simpático chamando o próximo da fila com sorrisos e acenos espalhafatosos. O outro era uma cruza de mexicano com asiático que não deu certo, com aquela cara fechada de pessoas da lei. Adivinhem quem eu peguei? Exato. Eu até fiquei feliz quando o mexicano de olhos puxados chamou o rapaz que estava na minha frente. Mas como toda alegria de pobre dura pouco, ele mandou o cara de volta para fila porque ele não tinha preenchido o formulário da alfândega e chamou a mim. Viva eu!

Resolvi que eu não ia mentir sobre visitar o meu noivo. Na verdade, eu disse que ele era meu namorado para o cara não me perguntar o porquê de eu não ter um visto de noiva. Sim, para quem não vive nesse mundo de relacionamento com estrangeiros, existe uma coisa chamada visto de noiva. Eu sou péssima mentindo, mas como eu ainda não tinha me acostumado totalmente com a palavra noivo, essa mentirinha saiu natural como a verdade.

Ele de cara perguntou o que meu namorado estava fazendo na América. Era uma boa pergunta, não posso negar. Dei um relatório completo da vida do Jared. Sorri enquanto ele olhava para minha cara e para minha foto no passaporte, à la cara-crachá, e só recebi desprezo. A gota d'água foi quando ele me perguntou o que eu tinha trazido para o meu namorado além de mim mesma. Respirei fundo, afinal não era hora nem lugar de ter um ataque feminista. Trouxe chocolates, eu disse, no máximo da minha educação.

Ele começou a carimbar meu passaporte e disse algo como aproveite a sua estada, eu sei que você não vai voltar. Eu catei o passaporte, falei "thank you, thank you", me fiz de desentendida e fui correndo para o carrossel de bagagens.

Peguei as malas e entrei na fila de saída. Eu não via a hora! Todo mundo estava passando pelo agente sem problemas. Até chegar a minha vez. Ele olhou para mim, olhou para as minhas malas, olhou para o meu passaporte e me mandou para outra fila, onde outros agentes iam inspecionar minha bagagem. Ótimo.

A essas alturas eu já estava a mais de duas horas no aeroporto, incomunicável. O Jared do outro lado, falando com a minha irmã pela internet. Os dois sem entenderem por que todo mundo saía do portão de desembarque, menos eu. A mulher que revistou as minhas malas foi surpreendentemente muito querida. Ela me fez um monte de perguntas e acabei contando para ela um resumo da nossa história.

Ela mal olhou as minhas malas, me acompanhou até metade do saguão e disse entre os dentes: boa sorte no casamento. O pesadelo chamado Imigração do Aeroporto de Los Angeles estava chegando ao fim. Atravessei o portão de desembarque, olhei todos os rostos de todas as pessoas que estavam plantadas ali na frente a procura dos seus e não vi o Jared. Cadê ele?

Ele estava bem mais atrás e fez uma cara de alívio quando me viu. Eu tinha ficado quase três horas lá dentro, ele não sabia mais o que pensar! Eu acho que também fiz uma cara de alívio. Respiramos. Assim que eu vi ele, as coisas começaram a fazer mais sentido. 

No final das contas, a ideia de passar o final de semana em Los Angeles não foi das melhores. Eu estava um caco, um trapo, físico e emocionalmente. Nem consegui aproveitar nada do nosso sábado na capital do  entretenimento. Eu precisava de uma noite de sono, nada romântico, eu sei.

No domingo pela manhã, fomos numa feira linda. A Califórnia transforma qualquer feirinha na beira da calçada em um evento, com pessoas estranhamente bonitas e bem vestidas. Passeamos em Hollywood, almoçamos um sushi delicia e resolvemos ir para Vegas logo no comecinho da tarde. Eu estava ansiosa. Ele também. "Não vejo a hora de te levar para a nossa casa". Eu também queria chegar na minha casa nova, na minha vida nova.

4 de outubro de 2012

aeroporto 8 - a última despedida

11 e 12 de maio de 2012.

Naquela sexta-feira, 11 de maio, acordei com a sensação de "hoje vai ser um dia difícil". Respirei fundo, aliviada por já ter me despedido da minha avó na semana passada. Ela resolveu voltar para a casa um pouco antes, justamente para minimizar o sofrimento. Nessa tentativa, ela me deu um abraço breve, entrou no carro e foi para rodiviária. Achei melhor não ir junto. O coração dela é um cristal e a gente evita qualquer emoção forte.

Forte. Tomei café da manhã com a minha mãe e ela estava fingindo muito melhor que eu a angústia daquele dia. Fiquei de pijama o máximo do tempo que eu pude, me despedi de algumas amigas, me joguei no chuveiro e fechei as malas. Pesei a bagagem. O peso de ir embora era enorme.

O meu vôo era na madrugada do dia 12. Por isso, estávamos indo para o aeroporto no entardecer do dia 11. Afofei meu cachorro e às cinco da tarde, nós os cinco, pegamos a estrada para a capital dos gaúchos. Meus tios que moram em Porto Alegre resolveram fazer um churrasco de despedida para mim. Afinal, eu precisava me abastecer de carne antes de me jogar no mundo fora do meu Rio Grande do Sul. Jantamos, conversamos, rimos.

Eu queria chegar cedo no aeroporto. Porque era vôo internacional, porque era sexta-feira, porque eu queria que esse dia acabasse logo, mas principlamente porque se tratava de mim e do Jared e com a gente as coisas nunca eram simples. No entanto, na hora de nos despedirmos dos meus tios foi difícil sair logo. Mais uma foto, mais um abraço, mais um conselho. Era difícil ir embora.


Então, nós cinco, seguimos para o aeroporto. Eu, minha mãe, meu pai, meu irmão e minha irmã. Chegamos lá com duas horas de antecedência, mas a fila do check in já estava grande. Comecei a passar mal. Aquela vontade de vomitar que me dá quando não consigo lidar com as minhas emoções. Se bem que podia ser apenas o tanto de carne que eu tinha comido. A minha mãe comprou um chá milionário para mim. Tomei.

Finalmente, chegamos no guichê e depois de olhar as minhas informações, a atendente diz que eu não posso embarcar no avião sem passagem de volta. Como assim? Onde diz isso? Para que eu precisava passagem de volta se eu não ia voltar? Como o Governo quer evitar imigrantes ilegais, era óbvio que eu como turista não ia poder entrar no avião para os Estados Unidos sem passagem de volta. Era óbvio, mas eu não tinha pensado nisso.

Na hora, eu pensei, tá paciência, vamos ter que remarcar o vôo. Tem como remarcar? Tem que ligar para  0800 da companhia aérea e ver quais as normas dele nesse caso, falou a atendente. Querendo dizer, tá aqui o problema, resolve. No sistema vai aparecer "no show", completou. Como "NO SHOW" se eu to aqui? Coloca qualquer coisa aí no sistema, explica a situação, dá um jeito, comecei eu a dar um show para ela. Não adiantou, ela só fez aquela cara de paisagem e disse, "a senhora só vai poder entrar nesso vôo se tiver uma passagem de volta". O check in fechava 12:05, eram 11:30 da noite. E agora? Fude*.

Enquanto a primeira reação dos meus pais foi "calma, a gente vai dar um jeito", o meu primeiro impulso foi desistir e ligar para o 0800 para pelo menos garantir a passagem de ida que eu já tinha. Liguei, mas eu não conseguia falar. Vendo a minha dislexia, a minha mãe pegou o telefone e eu resolvi tentar falar com o Jared na lan house do aeroporto.

Mandei um email dizendo emergency, entra no bate-papo do facebook. Isso já eram 11:40. Terminei de falar o problema, e ele sem exitar disse que ia comprar a passagem de volta. 11:50, meus pais com as malas segurando a mulher do guichê, a minha irmã segurando o choro e o meu irmão correndo pra cima e pra baixo com recados entre nós. Foi uma mobilização e tanto.

11:55, o Jared conseguiu comprar a passagem, mas a bosta do e-mail de confirmação não chegava. Chegou. Meia noite, cheguei lá embaixo com a passagem em mãos. Aí precisava do código de confirmação. Voltei correndo e o funcionário da lan house disse que tinha que fechar, porque ele ia perder o ônibus e que já tinha até desligado todos os computadores e blablablá. Moço! Tu só vai fechar essa joça por cima do meu cadáver, peloamordedeus, eu te pago um táxi! 

Anotei o código de confirmação e o Dudu levou correndo pro guichê. Ia fechar o check in minha gente. 12:05 e nós éramos a cara do desespero. Desci atrás do meu irmão, quando cheguei lá embaixo eles estavam me olhando com cara feia porque não entendiam a minha letra (maldita faculdade de jornalismo que destruiu minha ortografia). Foi!

Olhamos para cima e o carinha da lan house estava balançando os braços. E nós todos aliviados e muito bestas gritamos êêêê e balançamos os braços de volta. Ai o mocinho abusado falou que ele não tava feliz que tinha dado certo, ele queria o dinheiro do táxi! Porque eu tinha dito que ia pagar o táxi. Aff. Pagamos.

Nesse meio tempo, ainda estamos plantados no balcão esperando os boarding passes. 12:10 a atendente diz, só um pouquinho que não tá imprimindo os tickets. Ai ai ai. Vamos comigo no escritório. Fui. Moça, eu preciso entrar naquele avião, moça. Por favor, vou perder o noivo.

12:25 finalmente, ela me entregou as passagens. E assim, ali, na lata, já era hora de dar tchau para eles. Diante de um Salgado Filho vazio, nos despedimos. Por mais que um pedacinho deles não quisesse que eu fosse, na hora que deu a confusão toda eles fizeram de tudo para que colocasse a minha bunda naquele avião. Não mediram esforços mesmo. E se isso não é amor, e não sei o que é. Foi muito bonito.

Entrei no raio-x, com uma mala de mão e uma bolsa. No fundo da mala de mão tinha uma mateira (porque todo gaúcho que se preza, tem que levar o chimarrão para onde for), dentro da mateira tinha um porta-erva e dentro do porta-erva (adivinhem!) tinha uns vidros de esmalte afanados da minha irmã. KILL ME NOW!

A Fabiana aqui teve que tirar tudo e colocar os vidrinhos de esmalte em saquinhos. A minha família foi até a porta do raio-x e viu tudo de camarote, balançando a cabeça, pois já viram essas coisas de Fabiana muitas outras vezes. Na correria, catei as minhas coisas, umas couberam na mala, outras foram a tira-colo e sumi no portão de embarque, sem olhar para trás. Não olhei para trás! Vocês acreditam? Eles todos ali, esperando um tchauzinho e eu não olhei para trás. Quando me dei conta, já não dava mais tempo. Fiquei me sentindo um lixo.

Finalmente, entreguei o meu boarding pass para a mesma atendente que estava me ajudando antes. Bom casamento, ela disse. No final das contas, acho que ela se comoveu um pouco com o meu drama. Entrei no avião e afundei na poltrona. Deixei as lágrimas escorrerem. Agora, eu só precisava chegar na metade do caminho quando a dor da despedida vira a alegria do reencontro.


27 de setembro de 2012

festa de despedida

10 de maio de 2012.

Apesar da festa surpresa, eu fui adiante com a festa de despedida que eu tinha planejado pra mim mesma. Festa nunca é demais. Então, na quinta-feira, antes de eu ir embora, reuni a mulherada para a saideira.

Nos encontramos no Bocatto, restaurante que está ficando muito famoso por causa desse blog (quase um patrocinador), jantamos e fomos para uma baladinha especial, estrategicamente programada para a minha última noite na cidade. Foi praticamente uma despedida de solteira antecipada.

Ao contrário do que normalmente acontece, conforme o teor alcóolico foi aumentando, a ficha foi caindo. Eu estava indo embora. De novo. Dessa vez, era "para sempre". Sabe aquele banho de água fria? Pois é.

Eu estava tão preocupada em me despedir da minha família, que não parei para pensar o quanto seria difícil me despedir das minhas amigas. Além de me despedir da pessoa física de cada uma delas, tinha também as tardes de fofocas, as noites de festa e as manhãs de ressaca que iam ficar para trás.

Como seria a vida sem amigas? Ou com amigas, que não fossem as boas e velhas de sempre. Melhor não pensar nisso agora. Afinal, já inventaram avião, telefone e internet. Resolvi aproveitar o nosso momento e construir mais memórias. Rir e chorar enquanto ainda estávamos juntas no mesmo espaço. Na mesma vibe.

Quando me dei conta, o vocalista estava falando o meu nome, cantando em nossa homenagem. É assim que uma noite boa, vira uma noite ótima, inesquecível. Eu não podia deixar de registrar aqui no blog. Até porque elas são importantes demais. E eu ainda não tive que aprender a viver sem elas, porque de um jeito ou de outro, elas estão sempre presentes. Elas sabem muito bem quem são.




20 de setembro de 2012

skype - melhores momentos

9 de maio de 2012.

Depois de dois anos e 5 meses, chegou o nosso último dia falando no Skype. Como muitos outros casais, se não fosse pela internet a gente inevitavelmente não estaria mais junto. Com internet já foi díficil, imagina sem. 

Foram horas e horas de conversa jogada fora, de sorrisos e choros, brigas e reconcialições. Por não termos nada além de uma tela de computador, microfones e autofalantes, criamos uma relação baseada em conversa. Sem assunto, não tinha namoro.

Fomos privados do silêncio bom de estar apenas na companhia um do outro, simplesmente porque não dava para a gente ficar na frente do computador em silêncio. A tecnologia ainda não chegou nesse nível. 

Apesar de diminuir nossa distância, não nos permitia o perto que queríamos. Mas, por outro lado, nos dava uma segurança boba, de poder desligar o computador quando era "melhor assim". Amanhã a gente conversa. Status: offline. Era possível controlar o nosso tempo juntos e nos dedicarmos para aquele tempo, mas no mundo real, todo mundo sabe que não é sempre assim.

Quantas vezes, temos que arrumar o tempo que não temos, nos dedicarmos quando não queremos, estar disponível quando não estamos. Tudo pelo outro. Nesse maravilhoso sacrifício que é viver junto, todos os dias embaixo do mesmo teto. Dormindo e acordando na mesma cama.

Que jogue a primeira pedra quem nunca quis ficar invisível na frente do namorado/noivo/marido. Ou melhor, quem nunca quis desligar ou colocar a mulher para hibernar. Não dá, gente. E pela primeira vez, nós dois estávamos prestes a descobrir de verdade como ia ser a nossa vida cara a cara, dia a dia. Sem tela, nem teclado, sem a desculpa de que a bateria acabou ou o Windows travou.

A gente tinha uma ideia, mas agora era para valer. Os testes tinham acabado. Ao mesmo tempo, que isso era um alívio era também um tormento. E se não der certo, dá para reiniciar?

O tempo que passamos longe acabou nos solidificando e apesar de ter nos faltado o toque e o cheiro por tanto tempo, fomos presenteados com visão, audição e fala. E também com muitas boas memórias =).




Agora, que venham as fotografias juntos, no mesmo lado da câmera. Do mesmo lado de lá.


13 de setembro de 2012

surpresa

28 de abril de 2012.

Eu ainda não tinha entrado no mode despedida do povo de Encantado City. Faltavam 12 dias. Doze preciosos dias. Nessa minha negação, cai bonitinha na cilada armada pela minha irmã em conchavo com algumas amigas maquiavélicas.

Nessa época, eu tava metida a fazer books de fotografia para ganhar um dinheirinho fácil. Aí, minha irmã perguntou que dia seria bom pra eu bater umas fotos de uma amiga dela. Sábado de manhã eu respondi, na maior ingenuidade.

Ela marcou para nos encontrarmos no centro e disse que ia junto. Até sugeriu que eu me arrumasse, de repente a gente podia bater umas fotos juntas. Eu recusei. Não vou me arrumar! Para quê? Mas não desconfiei de nada.

Chegamos lá e ela me disse, espera aí que vou no banheiro ali no Bocatto (restaurante) e já volto. Eu fiquei lá plantada na esquina, esperando a amiga que nunca viria, que nem sabia de nada que estava acontecendo. A minha irmã voltou com a cara fingida, imaginando porque a amiga dela estava demorando tanto.

- Silvana, liga para Tita (a amiga).
- Meu celular tá sem bateria.
- Liga do meu.
- Não sei o número de cor.
- Liga pra casa dela então. 
- Não sei o número da casa dela.
- Silvana, tu conhece a Tita há mil anos, como é que tu não sabe o número da casa dela?
- Trocou.
- Tá, então vamos pegar o carro e ir lá, deve ter acontecido alguma coisa e ela deve estar tentando te ligar. 
- Não, espera aí que ela já tá chegando. Ela deve ter lavado o cabelo e demora.
-oO

E eu, tonta demais, continuei esperando. Vendo a minha impaciência, ela finalmente disse: - vou no Bocatto então, procurar o número da casa dela no guia deles, fica aí esperando em caso ela chegue. Fiquei.

Nesse meio tempo, três das minhas amigas passaram reto por mim. Uma delas chegou até a me virar a cara. Quando eu vi que elas não iam parar, chamei. - Bruna, o que vocês tão fazendo? Ela respondeu algo do tipo, depois te explico e desapareceram antes que eu pudesse fazer outra pergunta. Ainda vi, mais duas amigas entrarem no Bocatto, mas não desconfiei de nada, porque pelo menos elas não tinham me visto.

Fiquei impressionada com o fluxo de conhecidos naquela manhã de sábado, mas mesmo assim sou tão bocaberta que não passou nada na minha cabeça. A única coisa que eu pensava era, onde anda a Tita?!

A minha irmã não voltava do restaurante. Resolvi ir atrás dela. Entrei e vi ela fazendo teatro com o guia telefônico. Não dei bola, até que comecei a reconhecer muitas pessoas no fundo do restaurante. Minhas amigas, todas. Gritaram, surpresaaaaa!

Aaaaaaaaah! Agora tudo fazia sentido. Fiquei emocionada e em choque. E mais em choque ainda com a minha "bocabertice"crônica. Tive que aguentar a minha irmã rindo de mim e tirei o chapéu para a sutileza dela. Adorei a surpresa! Eu sempre tive muita sorte com as minhas amizades, desde o dia que a Silvana nasceu.

A despedida relativamente cedo teve um motivo importante. A Nana, minha companheira de futsal comédia, estava indo viajar e não ia mais me ver antes de eu ir emobra. Foi uma fofura, elas se organizaram e me surpreenderam com presentinhos e tudo mais!

Muito obrigada pela surpresa e pelo dia muito especial. Muito obrigada por existirem e por serem especiais. Vocês todas tem um lugarzinho no meu coração. No final, eu ainda estava com a minha câmera para registrar o momento em grande estilo! =)








Saudade sempre grande!

6 de setembro de 2012

mudança

Abril de 2012.

Final de abril chegou com a missão de encaixotar a vida. A casa dos meus pais estava finalmente nos "finalmentes". A gente, que já tinha se mudado tanto nessa vida, mal via a hora de nos mudarmos de novo, dessa vez uma mudança mais permanente, mais sólida. Estávamos nos mudando para a nossa casa.

A beira de qualquer mudança, de qualquer tamanho ou natureza, somos obrigados à rever nossas vidas. Qualquer grande mudança esconde uma linha que nos separa do modo como estávamos vivendo até agora do modo como pretendemos viver daqui para frente.

Quando mudamos de casa, marcamos um encontro com as nossas memórias e acabamos separando as que queremos guardar e aquelas que já não cabem mais em lugar nenhum. Fazemos uma boa faxina, abrindo espaço para as coisas novas que virão. Mudar é tão bom quanto necessário. E o melhor de tudo é que para mudar normalmente não precisamos sair de casa.

Para mim, a mudança era ainda maior. Ao mesmo tempo que os meus livros iam parar em caixas, eu colocava as minhas roupas em malas. Malas que não seriam abertas por outras duas semanas. Isso fica, isso vai comigo, isso não cabe, isso não vai nem fica. A triagem era maior. Afinal, eu não estava simplesmente mudando de bairro.

A minha mudança era de vida, de continente, de língua. Eu ia mudar de fuso horário e de estação,  de país e de estado civil. Fazer a mala fechar era o de menos. A mala fechou relativamente fácil, comparado com o dolorido fechamento de um ciclo.

Depois de anos do trabalho dos meus pais, nos mudamos oficialmente para a casa nova no dia primeiro de maio. O feriado não podia ser mais sugestivo. O que matematicamente me dava dez dias de casa nova, de vida nova com eles. Dez dias depois, uma outra casa, uma outra vida me esperava. Dez dias e tantas coisas, tantas caixas, tantas malas.


30 de agosto de 2012

pelotas - despedidas

Abril de 2012.

Como eu queria passar os meus últimos dias no Brasil em Encantado com a minha família, resolvi ir para Pelotas no comecinho de abril me despedir das pessoas importantes de lá. Fiz melhor, peguei um ônibus e fui direto para praia do Cassino, em Rio Grande. Para quem não é gaúcho, o Cassino é considerado a maior praia do mundo e fica há uma horinha de Pelotas. Cenário de muitos dos meus verões.

Passei um final de semana lindo com amigos queridos. Uma recarregada e tanto nas energias, com direito às coisas mais simples da vida, como andar de bicleta na beira do mar, colocar o pé na areia, encher a cara de vinho e o coração de amor.




Na segunda-feira seguinte fui para Pelotas. Leve, pronta para começar a minha romaria. Eu queria ver todo mundo. Tios, primos, dinda, amigos de infância, de faculdade. Eu queria ver todo mundo de novo, mas minha semana estava ficando cada vez mais curta.

Engraçado que eu sempre quis crescer para não ter que dar satisfação da minha vida para ninguém. Virei adulta (ou quase) e agora faço questão de dar explicações. Olha, estou indo para os Estados Unidos ficar com esse cara aqui, morar nessa casa aqui, mostrei para os meus avós com fotos e mapas. Era o mínimo que eu podia fazer.

Ainda naquela semana, juntei amigos numa mesa de bar. Umas das coisas que mais gosto no mundo. Amigos no bar. Como ainda faltava um mês inteiro, a ficha só caiu mesmo um dia antes de eu ir embora, quando dei um tchau rápido para os meus avós paternos, dizendo eu ligo para vocês e sai quase correndo antes que o meu avô começasse a chorar. Ele chora até hoje quando fala comigo no telefone. O velho me acaba!

E assim a ideia de ir embora um dia, no futuro remoto, foi tomando forma. Virou verdade naquele último abraço que eu dei nos meus amigos na porta do restaurante chinês, quando uma amiga me deu um kit de boa viagem com origamis, fotos e chocolates e outra me presenteou com um livro para ler no caminho.

É muito difícil ir embora. Muito mais difícil do que encher uma mala e partir. Exige um desprendimento que eu não tinha, que eu não tenho, que não me é nato. Um desprendiemento que eu não gosto e não quero, mas tive que aprender. Na marra.

Fui embora e levei minha avó materna comigo para Encantado. Com ela o buraco era BEM mais embaixo. Saí de Pelotas com o coração apertado, como em tantas outras vezes. Ao mesmo tempo, eu estava um pouco aliviada de ter passado por esse teste. Ainda tinha mais um mês de despedidas pela frente. Era melhor eu vestir minha fantasia de mulher maravilha. Eu só queria coragem, o resto eu já tinha.