16 de janeiro de 2012

agosto

Crises a parte, já era agosto. O mês que eu ia voltar para casa. Eu estava no meu limite. Não era nenhum sacrifício tomar aquele monte de vinho bom, comer todos os tipos imagináveis de queijo e visitar o sul do país mais charmoso que existe, com direito a banho de mar no mediterrâneo e pezinhos na areia de Cannes. No entanto, eu estava ansiosa para voltar para casa.

A essas alturas, o meu francês começou a desenrolar, mais enrolando do que propriamente falando, mas o acordar para aquela língua era uma coisa linda para mim. Não era mais bicho de sete cabeças, era música . O processo de aprender era renovador, fresco, como as noites no quintal dos fundos da casa dos pais da Cindy. Família e amigos sempre reunidos. Muito vinho na mesa. 

Eu me sentia um máximo quando entendia um peu que fosse daquele língua rouca, cheia de r'se quase sem s's. Queria ficar mais, só para aprender um pouco mais de tudo com aquela gente tão feliz e autêntica. O falar deles tinha um tom de urgência, importância, até quando estavam falando e rindo, o assunto parecia sério. Eles pediam samba, eu pedia champagne. A gente se entendia muito bem.

Até o Jared foi atingido com o meu rompante francês. É uma coisa assim apaixonante, que nem ele que já se arriscava no português.



Francês, português a parte, nós contávamos os dias para a minha volta ao Brasil. A gente achava que seria eu chegar aqui para a vida se arrumar, para o bem ou para o mal. Mas ainda ia demorar bem mais tempo do que isso.


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