14 de janeiro de 2012

amor e guerra

A pacata vila de Valence, no sul da França, contrastava com o constante conflito interno que me acompanhava desde o meu café expresso pela manhã até a hora de não dormir. Eu vivia entre extremos.

Furiosa comigo mesma eu pensava, já não basta as minhas células imunológicas destruindo a minha tireóide  gradativamente (sofro de hipotireoidismo crônico), tenho que aguentar esse impasse de não saber o que fazer. Além da guerra hormonal, celular, biológica, orgânica ou qualquer que seja a definição, tinha essa guerra emocional, que, diga-se de passagem, estava me matando.

Minha cabeça articulava planos, previa fatos, situações, estratégias, saídas. O meu cérebro era uma máquina infundada de hipóteses, possibilidades, soluções. Uma projeção falha e ilusória de como seria a minha vida no Brasil ou nos Estados Unidos. Tudo inexistente. Eu gostava de achar que estava no controle, mas eu já tinha passado para o banco do carona há tempos.

Mesmo assim, eu tentava me convencer racionalmente que era mais fácil e sensato terminar esse namoro complicado e seguir minha vida onde eu pertencia. Arrumar um emprego e um namorado no Brasil e não precisar escolher entre nada. Eu teria tudo. Menos ele. No entanto, quem foi que disse que ficar sem ele, era mais fácil e sensato? 

De repente até era mesmo, mas e quem foi que disse que a gente queria o fácil? Ele sempre dizia "if it's easy, it's not worth having". Eu, sinceramente, não sabia o que era mais difícil. No exercício pensar x sentir, não tínhamos nenhum vencedor. 

Entre todos os cálculos do meu futuro incalculável, o fato é que eu sentia saudade dele. Todas as minhas forças para fazer o que parecia mais fácil e sensato afundavam dentro de mim como uma canoa furada. E eu sucumbia.




2 comentários:

  1. Stéfanie Casagrande14 de janeiro de 2012 09:14

    Fabi!
    Uma delicia de ler teu blog!
    Parabéns!

    Beijo

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  2. Obrigada Stéfanie!! Volta sempre :) beijão

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