10 de janeiro de 2012

França

Oi 2012. Voltemos à história. 

6 de julho de 2010.

Depois de dois voos e vexames em Frankfurt, cheguei na Ile de France um trapo humano. Nunca pensei em aterrisar na cidade mais glamurosa do mundo com toda aquele cansaço físico e emocional evidenciado em olheiras que deixariam qualquer urso panda com inveja.

O calor europeu fez eu me arrepender de estar usando o meu jeans mais grosso - que não coube na mala. Era melhor ter deixado ele para trás. De qualquer forma, eu fiz questão de trazer tudo que eu podia. O apego material era o meu prêmio de consolação, frente ao desapego emocional forçado. Do tipo: vou deixar dois anos de história para trás, mas essa calça jeans vai comigo de qualquer maneira. Nem que eu tenha que levar ela no corpo e usá-la pela última vez na vida. Porque, realmente, foi a última vez que usei a tal calça na vida. 

Já em Lyon, os meus dois anos de mala saíram do carrossel de bagagem. Eu não tinha mão para pegar tudo, não tinha um puto euro para alugar um carrinho daqueles de aeroporto, não falava uma palavra em francês e não tinha um adaptador de tomada europeu para ligar o meu computador (obviamente sem bateria) para me comunicar com a minha amiga Cindy ou pelo menos pegar o endereço dela em caso de emergência. Em outras palavras, mesmo em bom francês, eu tava na merde.

Uma alma piedosa me doou um euro - sim, eu devia estar mesmo com cara de mendiga. Peguei um  carrinho e segui para saída do portão de desembarque. Lá vai eu mais aliviada por estar chegando no meu destino final e rezando para a Cindy estar lá me esperando. O alívio acabou quando olhei olho-no-olho com o guarda da imigração. Ele me olhou, olhou para o meu super lotado carrinho e pediu meu passaporte. Sem visto

"Mas seu guarda, brasileiros não precisam de visto para ficar na França por até 90 dias", dizia eu no meu inglês mais pausado. Ele me olhou calado com a expressão de quem estava pensando: 90 dias? Pra que tanta bagagem? "Seu guarda, é que eu vim direto dos EUA, visitar uma amiga, o nome dela é Cindy, ela mora em Valence, eu já tenho passagem de volta comprada para o Brasil", eu me explicava no meu inglês já nada pausado. peloamordedeusnãomedeporta. Abre a mala, ele ordenou. Puta que me pariu. Abri a mala, saltou tudo quanto era coisa de dentro. Depois de ver, sapatos, livros e sutiãs, nehuma droga ou tráfico de mercadoria, ele me deixou passar. Muito bem, o meu problema agora era só fechar a mala. Sentei em cima e fechei. Micos em pencas.

Do outro lado do portão, a minha irmã francesa me esperava ansiosa. Eu fui a última a sair. Ela me deu um abraço apertado e em menos de 5 minutos a gente já estava rindo juntas como nos velhos tempos. Eu era uma pessoa de novo. Quando chegamos na casa dela a tardinha, todos me esperavam com champagne, a minha palavra preferida em francês. Ali começava uma nova história de amizade e carinho. Os pais da Cindy, tios, primos, irmão, amigos e vizinhos, me trataram como alguém da família. Tudo que eu precisava, mais uma família para sentir saudade. Eles eram demais.

Antes de dormir, escrevi para minha família de verdade, para a minha hostfamily e para o Jared, a minha potencial futura família. Eu tinha chegado bem. Feito isso, sucumbi ao sono atrasado e confuso com tanto fuso. Eu estava 6 horas na frente da Pensilvânia, 5 horas na frente do Brasil e 9 horas na frente de Vegas. E assim seria pelos próximos dois meses, um desafio. E foi.

O registro desses primeiros dias por lá, vocês encontram aqui.

Um comentário:

  1. O mais fantástico de tudo é que a gente consegue viajar em cada linha contigo. Ansiosa pelos outros posts! Love you, shining!

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