11 de janeiro de 2012

skype² - o chororô

Naquele julho de 2010, não estávamos mais um em cada lado do país. Agora tinha um oceano no meio da gente. A saudade era teoricamente a mesma, pois já que não estávamos juntos no mesmo quadrado, não importava se habitávamos cidades ou continentes diferentes. Mas importava, a distância físíca potencializava o sentimento, aumentava assim a saudade, essa coisa irracional e inexplicável. Esse vazio que nos enche.

Tivemos que adaptar a nossa rotina no skype. Se antes, administrar as nossas conversas com três horas de fuso era tarefa acessível, agora com 9 horas de diferença era uma ginástica. Quando ele saia do trabalho, às cinco da tarde, já eram duas horas da manhã para mim. Eu esperava. E por esperar acabei trocando a noite pelo dia. Não tinha Cristo que me fizesse dormir. Nem quando a gente resolvia não se falar. Eu não dormia.

Eu não dormia e ele chorava. Aparecia minha imagem na tela do computador e ele enchia os olhos de lágrimas e franzia a testa, que nem um cachorrinho na chuva. E eu ficava ali me sentindo a pior pessoa do mundo por ter entrado e saído da vida dele daquele jeito tão brusco, sem licença, sem convite.

Ele me pediu três dias. Era o tempo que ele precisava para processar a única certeza que tínhamos desde o dia um, mas que agora além de certeza era também uma realidade: eu tinha ido embora. Três dias se passaram ele ligou dizendo que estava bem. Tinha passado. E que a gente ia ficar bem. Desligamos.

Assim que me vi sozinha, a preocupação com o bem estar dele deu lugar a minha própria fragilidade. Agora que ele estava "bem", eu não precisava mais sentir culpa ou responsabilidade, eu podia sentir o que eu já deveria ter sentido desde o começo: tristeza, medo, ansiedade e saudade. Uma saudade absurda de tudo. E me senti no direito de pedir meus três dias para chorar. Chorei e passou.

Passou o drama inicial. O nosso mundo não tinha acabado e voltamos as nossas conversas normais, madrugada adentro. Ele falando da vida e do trabalho em Vegas. Eu com os meus esbanjos culturais e gastrômicos do outro lado do Atlântico. E os dias foram passando rápido, apesar de horas lentas, altos e baixos. Ele já falava em ir para o Brasil e eu retrucava ligeiro, deixa eu chegar lá primeiro.

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