4 de fevereiro de 2012

aeroporto 5

Novembro de 2010.

Os dias que se seguiram à decisão de ele vir ao Brasil foram todos contados. Um por um. A contagem regressiva nos mastigava que nem uma vaca rumina o pasto. Não passava nunca. Ele ficava de um lado para o outro atrás de visto, compra de passagem e compra de presentes. Eu me esquivava de propostas de trabalho pouco promissoras e tentava organizar a minha vida entre o antes e o depois da visita dele.

Até que o Thanksgiving*thanks God, chegou: 25 de novembro de 2010. O voo dele saia de Las Vegas a tarde, fazia uma conexão em Miami, depois São Paulo e por fim Porto Alegre, na tarde seguinte. Um dia antes ele tinha me dito, "vou checar só uma mala e levar a menor comigo no avião". Eu, que paguei muitos dos meus pecados em aeroportos, disse para ele: "não, não, faz check in das duas! Quanto menos tu carregar contigo, melhor".  Maldita hora que eu abri a minha boca grande. Ele ainda me disse: "e se as minhas malas não chegarem?". Argumento ao qual eu sabiamente respondi: "imaginaaa, vão chegar sim." Preciso dizer que não chegaram?

Pois bem. Na manhã do dia 26 daquele mês, estou no ônibus de Encantado para Porto Alegre indo para o aeroporto, quando ele me liga de São Paulo. "Perderam as minhas malas, ninguém fala inglês comigo..." Pronto, começamos bem, eu pensei, desfazendo o meu sorriso momentâneo com a ligação dele. Respirei fundo e disse para ele pegar o voo para Porto Alegre que a gente ia dar um jeito quando ele chegasse aqui.

No portão de desembarque do Salgado Filho, meu nome era ansiedade, até que vi ele no carrossel de bagagens por uma fresta. Abanei e ganhei um sorriso de volta. Ele ainda procurou pelas malas, numa tentativa em vão. Mesmo assim ele veio ao meu encontro e cumpriu o prometido. Me apertou bem forte, me levantou do chão e me deu um "big smooch" - um beijão. E azar das malas. Estávamos juntos.


Ainda no aeroporto, fomos no guichê da GOL, que por sinal deixou muitíssimo a desejar no atendimento. Só não foi pior que American Airlines que, em Las Vegas, etiquetou as malas errado e mandou as mesmas para a República Dominicana e, em São Paulo, confiscou as mesmas etiquetas erradas, mandando ele para Porto Alegre sem nenhum comprovante de check in, nenhum formulário de reclamação, nenhum número para rastreamento de bagagem. Nada. Uma confusão danada, que merece um livro e não um post. No entanto, pouparei vocês dessa dor de cabeça.

Saímos de lá no vácuo, tínhamos que cruzar os braços e os dedos e torcer para que achassem as malas que não eram responsabilidade da American Airlines, porque o destino final era com um voo da Gol e, também, não eram responsabilidade da Gol, pois não tínhamos os comprovantes de check in com a American Airlines.  Céus!

Fomos para o hotel, largar a minha mala e de lá fomos para o Shopping. Afinal, o meu namorado não tinha nem uma muda de roupas! Encontramos a minha irmã e o namorado dela por lá, mais tarde ainda fomos no Boteco Dona Neusa com a Jé e o Kauê. Queríamos que o gringo tivesse uma imersão de Brasil logo no primeiro dia. Tomou Caipirinha e comeu coxinha de galinha no meio de uma roda de samba. Ele sobreviveu ao tratamento de choque e toda aquela longa espera, mais problemas no aeroporto e falta de cuecas veio bem a calhar.

*Dia de Ação de Graças

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