13 de fevereiro de 2012

casa ou não casa?

O mês de dezembro de 2010 passou como todos os meses de dezembro de todos os anos. Rápido. Ele tinha ido embora, eu não sabia o que 2011 nos reservava, mas os dias passavam indiferentes a inconstância da minha vida. O calendário não estava nem aí para mim.

Na semana do Natal, recebi um envelope com as nossas fotos aqui, mais um cartão fofo, com 500 dólares dentro - "para ajudar nas despesas do visto e tomar uma 'skol' com as girls". Sorrateiro. O legítimo bate e assopra. Falou em visto e logo logo falou em cerveja com as amigas.

Ele sabia que para eu voltar aos EUA eu precisava de um novo visto, o que significava ter tempo e dinheiro para ir a São Paulo e sobreviver à entrevista no Consulado Americano. Um empecilho que eu colocava mesmo que silenciosamente. Nunca tínhamos falado logisticamente sobre eu voltar para lá. Era uma coisa que eu considerava, mas evitava falar sobre. Enquanto eu calava, ele agia. Rápido que nem dezembro. Isso é uma coisa determinante no nosso relacionamento: ele está sempre um passo à minha frente. O que pode ser assustador e ao mesmo tempo muito sedutor.

Burocraticamente falando, ou eu tirava um visto de turista, que me dava direito a ser turista e nada mais ou eu tirava um visto de estudante, que me permitiria apenas estudar. Eu sabia que um visto de estudante era caro e complicado. Precisaria traduzir documentos, ser aceita em uma universidade e comprovar renda para me manter sem trabalhar. Até daria para juntar os trocados dos meus pais para comprovar a tal renda,  mas óbvio que eu não poderia e nem gostaria de ficar sem um trabalho legalizado. Estaca zero.

Para eu poder estudar e trabalhar lá, só casando mesmo! Assim que surgiu esse dilema, esse blog e a palavra casamento na minha boca. Não é que eu não quisesse ou não queira me casar, eu só não queria ter que me casar para poder namorar o meu namorado e ter uma vida normal. Eu não queria essa imposição para mim e muito menos impor isso a ele. Ninguém merece ter que arrastar o bofe pro cartório sob pena de nunca mais me ver na vida. Não era assim que tinha que ser. Todo mundo tem o direito de enrolar todo mundo quando o assunto é subir no altar.

Eu sentia que a gente tinha sido prejudicado no quesito enrolar. E meu senso de justiça, achava que a vida estava sendo injusta. Mas quem de nós vai um dia entender a vida? Casamento é coisa séria demais. Ou pelo menos era para ser. Aí vocês vão me dizer que morar junto é praticamente a mesma coisa. E praticamente é mesmo, mas teoricamente não. Casamento é casamento, vai ser sempre casamento e eu não queria de jeito nenhum.

Nesse clima chegou o Ano Novo. Um novo ano apesar de ser o anoitecer de uma noite e um amanhecer de um dia carrega consigo uma carga explosiva de expectativas, mesmo não ditas, elas estão ali no novo ano que se aproxima.

Eu não sabia para que lado correr e na chegada de 2011 foi fechar os olhos e entregar nas mãos de Deus, Buda, Allah, Oxum, Oxalá, e quem mais quisesse assumir a pendenga. Se fosse para eu ser infeliz aqui que me mandassem pra lá, se fosse para ser infeliz lá que me deixassem aqui. Eu decidi ficar imóvel enquanto alguém tomava esse decisão por mim. 


Um comentário:

  1. QUERO MAIIIIS ... To roendo as unhas pra saber como continua!!!!
    TI AMO !!! Bjokkkks!!!

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