6 de fevereiro de 2012

despedida 5

Dezembro de 2010.

Para ser exata, sábado, 4 de dezembro de 2010. Acordamos exaustos no dia em que a gente não queria acordar. Tinha sido um piscar de olhos, um relâmpago. A semana tinha passado rápido demais. Corremos pra lá e pra cá, sempre juntos mas quase nunca a sós. A gente queria mais tempo. Tempo que a gente não tinha.

Pegamos um ônibus de Pelotas para Porto Alegre e fomos para o aeroporto. Lá ainda tinha o stress GOL Linhas Aéreas. Felizmente as malas estavam lá, intactas. Sim, só recuperamos a bagagem horas antes de ele ir embora. Parece mentira mas não é. Oi, Brasil?

Procuramos um cantinho do Salgado Filho e fizemos a transferência de todas as minhas coisas que ele tinha trazido. Inclusive um botão de uma blusa minha e um sapato que eu tinha deixado no lixo do apartamento dele. Ele trouxe o bichinho, reformei e uso até hoje.



Além dos meus álbuns de fotografia, roupas e sapatos que estavam na tal caixa que eu deixei nos EUA, ele me trouxe alguns presentes curiosos:

- Duas latas de atum, porque um dia eu falei que o atum de lá é melhor que o atum daqui;
- Uma caixa de Cinnamon Toast Crunch, meu cereal preferido;
- Uma caixa de antialérgicos, que não dão sono, para a minha rinite;
- Uma caixa enorme de lenços para assoar o nariz, também para a minha rinite;
- Cinco camisetas velhas dele para eu dormir;
- Seis pares de meias, porque eu uso tênis sem meia e fico com chulé;
- Todas as temporadas de Friends. :D

Tem como resistir a alguém que conhece a gente tão bem? Eu sentia que ele me conquistava aos poucos, que nem um prato de comida quente que, apesar da fome, a gente come pelas beiradas. E dava certo, porque os poucos momentos que a gente tinha, apesar de singelos, eram tão intensos que me preenchiam na ausência dele. Eu queria mais. Eu tinha fome daquele carinho todo. Além de gostar de mim, ele se dedicava.

E também por isso a despedida foi difícil. Não é fácil ver a pessoa que a gente gosta passar por aquele portão e sair do nosso campo de visão sem que a gente nada possa fazer a não ser assistir. Não tínhamos data para reencontro. Dependendo do andar da carruagem, poderia de nem haver um reencontro.

Em outras palavras, aquela podia ser (de novo) a última vez que nos víamos. Pior do que isso, aquela podia ser a última vez que eu via ele, chacoalhando as chaves do carro, que o funcionário da alfândega fez ele tirar da mala no raio-x. Essa incerteza era a corda no meu pescoço. Eu estava de novo com as cartas na mão, sem saber como jogar aquele jogo.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Que situação!!Complicado essa parte de despedidas...mas que sirva para fortalecer ainda mais a relação de vcs!!

    Esse guri é nota MIL!!Morri rindo imaginando ele,que já é engraçado, te dando as latas de atum, a caixa enorme de lenço para assoar o nariz e as meias para evitar chulé!!Hahah!

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