7 de março de 2012

aeroporto 6

Julho de 2011.

Com passaporte, visto e fundo de garantia na mão, no dia 11 de julho peguei um ônibus para a capital dos gaúchos, rumo ao aeroporto. Meus pais até queriam me levar, mas eu não queria muito alarde, então fiz questão de uma saída discreta, do tipo vou ali em Vegas e já volto. "São só três meses, mãe. Passa rapidinho."

O ônibus Azul me deixou na porta do Salgado Filho. De lá voei para o Rio de Janeiro e na manhã seguinte aterrissei em Charlotte, na Carolina do Norte. Na minha frente na fila da imigração tinha uma excursão de adolescentes indo para a Disney. Uns quinze, com média de quinze anos.

Quando cheguei no guichê, a moça da imigração com cara de poucos amigos me perguntou se eu também ia pra Disney. "Não, eu vou para Las Vegas".  O parque de diversão dos adultos. Ela grunhiu e perguntou quanto tempo eu pretendia ficar. "Três meses", falei entre os dentes, olhando para o lado. "TRÊS MESES?!", ela repetiu e emendou a pergunta: "-O que tu vai fazer em Las Vegas por três meses?". Aí eu pensei: ou eu minto e vou pra salinha da tortura de imigrantes, ou eu falo a verdade e ela me manda direto de volta para o meu país de origem. Resolvi falar a verdade, tenho pânico da salinha.

It's a love story!, foi a primeira coisa que me passou na minha cabeça. "É uma história de amor. O meu namorado foi me visitar ano passado e agora é a minha vez!" Arrematei com sorriso tímido, raras vezes visto em mim. "A-hã". Ela grunhiu de novo sem nem me olhar. Eu já estava preparada para girar nos meus calcanhares e pegar o rumo da deportação, quando ela começou a carimbar o meu passaporte. 

Mal agradeci e chispei dali, antes que ela mudasse de ideia. Acreditem ou não, eu ainda tinha mais um voo de 4 horas e meia até Las Vegas. Eu ia chegar lá à uma da tarde do dia 12 de julho. Na verdade, às 12:51. Cada minuto era minuto.

Cheguei moída, desci na primeira escada rolante que eu vi e esqueci completamente do que a gente tinha combinado. Não encontrei ele em lugar nenhum. Aí lembrei do carrossel de bagagem 10. Aquele que a gente se achou na primeira vez e virou o nosso ponto de encontro. Mal cheguei lá e ele surgiu na minha frente, com um copo de Starbucks Vanilla Latte. Ali, naquela hora, tudo parecia mais do que certo. Quase perfeito.

Nos primeiro gole, derrubei café na blusa branca. Vida real, chamando. Não consegui disfarçar nem por cinco minutos que eu ainda era a mesma pessoa desastrada de sempre. Ele riu. Depois de  220 dias sem nos vermos pessoalmente, a gente se olhava com certo ar de curiosidade, era mais que um re-encontro. Era um re-conhecimento.

Mais ou menos como ver um filme pela segunda vez, a gente sabe como é, sabe como termina, mas sempre se surpreende com partes que a gente não lembrava. "Tua voz tá diferente", ele disse. Ele também tava diferente. Mal sabíamos nós, que ao final desses três meses, jamais seríamos os mesmos.


Um comentário:

  1. E que linda essa história de amor! 220 dias não é pra qualquer um.

    beijoos!!

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