23 de março de 2012

Lincoln, Nebraska

Setembro de 2011.

Os americanos não têm lá muitos feriados como nós, brasileiros. Dá para contar nos dedos: New Year, Martin Luther King, Memorial Day, Indenpendence Day, Labor Day, Thanksgiving e Christmas. Sem feriadão, choro nem vela. O Labor Day [Dia do Trabalho] é sempre a primeira segunda-feira de setembro, uma ótima oportunidade para um final de semana esticado e para eu conhecer a cidade natal do Jared. 

Pegamos um voo sexta de tarde com destino a Omaha e uma conexão em Denver, que atrasou duas horas, é claro. A mãe e irmã dele foram nos buscar no aeroporto em Omaha e ainda tínhamos mais uma hora de carro até Lincoln. Chegamos lá quase à uma da manhã e acabamos ficando em casa.

O quarto do Jared é no sotão. Pensem em algo beeeem de filme americano. Era assim. Às vezes eu me perguntava se não estava dormindo e sonhando em estar em alguma comédia romântica água com açúcar com final feliz previsível. Aí acordo e lembro que a mocinha sou eu e que eu não sou lá muito previsível.

Sábado acordamos cedo e tomamos um super café da manhã que a mãe dele fez. Sim, de filme. Ovos mexidos, bacon, torradinhas, suco de laranja e café de balde! À tarde era a estréia do time de college football do estado no campeonato nacional. Uma coisa séria naquela cidade e naquela família! Até o cachorro estava fardado.

Fomos encontrar os amigos dele na concentração pré-jogo! A cidade era um mar vermelho de gente. Até eu tinha a minha camisetinha, que eu ganhei lá no nosso segundo encontro, lembram? Quem diria que um dia eu realmente iria estar lá. Acabamos assistindo o jogo em casa. Então o jogo no estádio ainda é dívida.

Depois saímos para passear pela capital da Nebraska. "Aqui que eu fiz ensino fundamental, aqui é a minha high school, aqui tem a melhor pizza do mundo, ali é a casa do fulano que estudava comigo", ele narrava os pontos turísticos da vida dele, misturando com os pontos turísticos cidade.

À noite, fomos encontrar os amigos dele. Eu já tinha ouvido falar da maioria e alguns eu conhecia por fotos. Eles me trataram muito bem, felizes por finalmente me conhecerem. Todos com exceção de uma menina, que fez um esforço extra para me ignorar.

Divertido. Ela virou meu alvo de implicância preferido. E o mais legal de tudo, foi ter os pais dele implicando junto comigo no dia seguinte.

Domingo, com uma senhora ressaca, já que me fizeram beber de tudo no meu ritual de iniciação no clube das namoradas, desci linda pro café da manhã. Ninguém precisa saber que eu vomitei numa cesta de lixo, apesar de o Jared ainda me chantagiar com essa história, desci linda e isso é o que importa.

O pai dele fez uma costela de porco a lá churrasco americano, que tava um luxo. Perfeito para curar o porre da gordinha aqui. Os avós vieram de outra cidade almoçar com a gente. Aliás, dirigiram três horas para chegar lá. O que não seria muito se eles não tivessem quase 95 anos. Depois ainda tomaram  uma caipirinha para relaxar! Adorei os dois, mas a avó dele é sensacional. Uma figuraça.

Domingo de noite tinha mais festinha no basement (porão) dos amigos. Também, beeeeeem americano. Na segunda-feira, almoçamos com os amigos e para encerrar com chave de ouro, o pai dele me levou para dar uma volta de porshe (1957). Um carro que ele demorou dez anos para montar e que ele tem antes da mulher. Ou seja, o xodó do sogro. O namorado de 6 anos da irmã do Jared ficou até com ciúminho de mim,  já que ele nunca andou no carro. Me achei poderosa na família.


Na hora de ir embora teve choro. A mãe e a irmã dele são umas manteigas derretidas que nem eu. Os pais dele nos levaram no aeroporto. Em um impulso honesto, eu disse que iria voltar. O pai dele me olhou no fundo do olho e disse: eu vou te esperar! Me deu um arrepio na espinha. Fomos embora. 

Um comentário:

  1. Marcela Ammirabile23 de março de 2012 12:02

    Fábi Fabí! (Lembra disso?rsrs) Ando lendo seu blog e to encantada com sua novelinha de vida real. Torço de verdade pra que vcs consigam ficar juntos, aqui ou acolá, onde der...Só por favor faça com que os personagens tenham um final feliz! De comédia romântica americana!!!
    Parabéns pela escrita engraçada e sincera, vc é um talento mesmo!
    Bjoka

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