1 de março de 2012

quadro na parede

No primeiro semestre de 2011, eu tinha a sensação que a minha vida era um quadro torto na parede. Todo mundo via que estava torto, mas ninguém arrumava porque a dona da casa era eu. Sendo assim, era esperado que eu desentortasse o quadro de uma vez, de forma simples e óbvia. Mas afinal de contas, a vida era minha, o quadro era meu e o momento era torto.

Passou janeiro, fevereiro e março. Em abril, no dia 17, completamos um ano de namoro a distância. Um ano. Era definitivamente uma marca. Nos falávamos religiosamente, todos os dias. Um esforço epontâneo para mantermos o que tínhamos o mais vivo possível. Mais vivo, impossível. Era até vital.


Em maio, pedi uma semana de folga no jornal, fiz as malas e fui enfrentar o consulado americano em São Paulo. Ali caia mais uma barreira. Como eu precisava do visto para viajar, a gente não falava em eu ir, a gente falava no visto. Quando o visto foi concedido, o foco da conversa mudou e não tinha mais nenhum empecilho, a não ser a minha vida inteira aqui.

Expliquei que eu ainda estava sem coragem de tomar uma decisão definitiva (se é decisão é definitiva, mas achei melhor enfatizar). Ficou combinado que eu iria visitar ele, ver como a gente ia reagir a dois meses inteirinhos juntos, fazer um test drive. O meu medo era gerar mais apego e ficar ainda mais difícil de terminar o namoro, caso essa fosse a coisa certa a fazer. Não, eu não queria terminar o namoro, mas continuar o namoro significava eventualmente casar e ir embora do Brasil, o que, como vocês já estão carecas de saber, eu também não queria. E ele também nem tinha pedido!

Navegávamos num mar de incertezas e coisas não-ditas, por mais clichê que essa frase possa soar. Estávamos à deriva, sem previsão de atracarmos em terras firmes. O único fato era que o meu melhor contrato de emprego terminava dia 30 de junho. Em outras palavras, o contrato que me prendia. Foi esse o tempo que eu me dei. Foi esse o prazo que ele aceitou. Eu diria, um prazo longo demais, pois no final de junho seriam quase 7 meses sem nos vermos pessoalmente. Sete longos meses.

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