12 de março de 2012

quem me viu, quem me vê.

Agosto de 2011.

Quem achou como eu que a gente ia brincar de casinha, se enganou. No segundo dia de casa nova, o Jared notou uma mancha escura na parede da garagem. O responsável pela construtora foi lá e nos sentenciou com um vazamento na cozinha.

Apesar de a casa nunca ter sido habitada, ela já estava pronta a quase um ano. Quando os armários foram colocados, um dos pregos heroicamente conseguiu perfurar um cano quase do outro lado da pia. Era um prego herói mes-mo. O prego ficou ali por todo esse tempo, quietinho. Nós abrimos a torneira em um dia, no outro dia estava feito o estrago.

O começo do estrago.
Foi assim que a gente acabou com a parede da bancada da pia quebrada, as partes inferiores dos armários embutidos arrancadas, seis ventiladores industriais ligados 24 horas por dia e um fluxo intenso de técnicos, medidores, pedreiros e pintores. Em outras palavras, destruíram o nosso momento lua-de-mel com a casa.

Como o Jared tinha que trabalhar, quem administrava toda a reforma era eu (hoho). Eles então deduziram que eu era a esposa e me faziam assinar aqui, assinar ali também. O que me dava um arrepio na espinha. Eu desfazia o mal entendido quando tinha a oportunidade e respondia todas as perguntas dizendo que ia falar com o dono da casa. Afinal, parte de mim sabia e fazia questão de lembrar, a casa era dele! Meu mantra, lembram?

No final daquela semana, eu já sentia certa simpatia pelos mexicanos trabalhando na reforma. Continuava sem entender bulhufas do espanhol deles, mas nos comunicávamos com mais facilidade em inglês. Enquanto o Jared surtava com a textura da parede e os acabamentos, eu tentava amenizar o caos.

Depois de ele muito brigar com o responsável pela obra, eu brigar com ele e ele brigar comigo acabamos chegando num acordo com a cozinha quase do jeito que era antes. A diferença era duas tijoletas de outra tiragem, que só a gente enxerga. Mas a gente enxerga.

Em meio ao pesadelo da cozinha, ainda precisávamos comprar geladeira, máquina de lavar e de secar roupa e um sofá. Fomos às compras e eu atestei o poder de decisão da mulher em um relacionamento. Ele estava pagando, mas de certa forma todos os vendedores tentavam me convencer da qualidade dos produtos, mesmo eu tentando ficar com cara de paisagem.

Não sei se eles imaginaram que era eu quem ia pilotar os novos eletrodomésticos - uma ova - ou se eles sabem que os homens não compram nada para casa sem a aprovação das suas respectivas mulheres. No fundo, deve ser as duas coisas.

Nesse clima, foram os nossos primeiros dias de vida de gente grande. Sem falar que uma loja outlet de decoração virou o nosso lugar preferido no mundo. As coisas estavam mesmo ficando progressivamente fora do meu controle.


3 comentários:

  1. hahahaha tri
    adoro teu blog!

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  2. hahahaha tri
    adoro anônimos!
    =P

    No fim, pelo o que vi nas fotos aquelas, deu tudo certo!! ;D

    Bjo bjo
    saudadona

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    Respostas
    1. hahahaha tri
      tbm adoro anônimos [2]!!

      deu tudo certo sim, menos as tais duas tijoletas!
      Superaremos!!

      Aquela semana intensiva só piorou a saudade :/
      bjo bjo

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