30 de maio de 2012

aeroporto 7 - natal

Dezembro de 2011.

O Natal de 2011 demorou tanto como esse texto. Não chegava nunca. Peço desculpas pela demora na atualização do blog, fui engolida pela minha história. Ficou difícil viver e escrever os fatos, no olho do furacão. Parece estranho, mas preciso de um certo distanciamento.

Enfim, amanheceu o dia 24 de dezembro.  Logo depois do almoço, eu e o meu pai pegamos a estrada para a capital. O voo do Jared chegava às 3 horas no Salgado Filho, mas obviamente atrasou. Quando finalmente aterrissou e todas as pessoas saíram do portão de desembarque, menos ele, eu pensei, não veio!

Depois de muito esticar o pescoço, o guardinha se solidarizou com a minha ansiedade e foi lá dentro espiar se ainda tinha passageiros. Ele tá de camisa verde, eu disse. Não, não tem ninguém de camisa verde, respondeu ele. Só tem mais uma senhora e um rapaz, acrescentou o guardinha. Tem que ser ele esse "rapaz". 

Inconformado com a minha expressão também inconformada, o guardinha (amor) voltou lá dentro e perguntou o nome do "rapaz". O Jared respondeu e mostrou o passaporte, mesmo sem entender o porquê. O guardinha voltou sorrindo e me disse, ele tá lá, J-A-R-E-D, né? Era. Tava passando as malas na imigração. Pelo menos, ele veio com as malas dessa vez, pensei aliviada.

Doce ilusão. Ele saiu pelo portão, com um casaco cinza, sorridente, mas sem uma das malas. A gente não acreditava que tinham perdido a mala dele again! Pra quem não lembra, o ano passado as duas malas foram perdidas. Preenchemos formulários e voltamos para Encantado. Afinal, era Natal e a mala com os presentes tinha vindo! :]

Em casa, a minha mãe nos esperava com comida no fogo. Arrumamos a mesa da ceia e eu estava tão feliz, que mesmo se não fosse Natal, ia parecer Natal para mim. Só faltava a minha irmã, que estava em Porto Alegre.

Meia noite. Beijos, abraços, fogos de artifício, presentes, presenças. Depois de festejar com a família, fomos para uma festa num dos clubes da cidade. O Jared era quase uma celebridade. Todas as minhas amigas, conhecidas e leitoras do blog foram super simpáticas. Improvisaram no inglês, abraçaram, beijaram e o escambau. E ele, atordoado, sem entender muito, me olhava cheio de olhos. Até que entrou no ritmo e , mais tarde, acabou se despedindo de todo mundo com um sonoro "tchau amigos", que nos fez morrer de rir até o Ano Novo!

Papai Noel foi um demais comigo em 2011.


8 de maio de 2012

para quem ainda está em dúvida!





comunicação limitada

Novembro e dezembro de 2011.

Nessa de vem não vem, vai não vai, os preços das passagens para o Brasil estavam aumentando e muito. Resolvemos então que ele viria passar o Natal e o Ano Novo aqui. Ele acabou comprando uma passagem mais cara para chegar a tempo da ceia. O gringo não é bobo não, minha gente.

A chegada estava prevista para o dia 24 de dezembro, às 15 horas. Dia esse, que não chegava nunca. Para aumentar a distância entre nós, ele foi à trabalho para Austin, no Texas, e eu fui visitar meu povo em Pelotas, onde tenho acesso restrito à internet. Sendo assim, ficamos mais de 20 dias sem nos falarmos no Skype. Uma verdadeira tortura.

Trocávamos e-mails, uma das coisas mais vagas que existe. Até mesmo em chats era difícil a gente se encontrar online, mais por culpa minha do que dele. Para aguentar toda essa falta de comunicação, um tem que ter o outro muito presente em si. Tem que gostar mesmo. E confiar no amor. Confiar em alguém é fichinha. Difícil é confiar no sentimento que essa pessoa tem pela gente, principalmente quando a gente não consegue regar essa plantinha, chamada coração, do jeito que a gente deve. 

Por não ter um namoro convencional e nos vermos praticamente nunca, nós nos acostumamos a avisar ao outro a programação do dia. Regando! Hoje vou cortar o cabelo depois do trabalho, me espera no Skype só depois das seis; hoje tenho médico e depois vou para academia direto, te escrevo só a noite... Mudanças de planos, às vezes, eram um problema. Principalmente para mim, que ainda não tenho internet no celular. Vidinha.

Não se trata de controle. Era o não poder entrar em contato que dava nos nervos. Não dava para pegar o telefone e ligar dizendo: onde é que tu te enfiou?! Então, o que passava pela cabeça era: ele (a) não me dá sinal de vida, será que aconteceu alguma coisa ruim? Será que caiu e quebrou o pé? Será que ficou sem internet? Será que morreu? Ou não me aguenta mais?

Para mim, ficar sem internet e não poder avisar que eu estava viva e ainda aguentava ele me dava uma agonia. Era a satisfação que eu gostava de dar. A liberdade que eu não queria ter. E ainda faltavam 15 dias para o Natal.


6 de maio de 2012

freezer

Quando eu e o Jared começamos a namorar, lá em abril de 2010, o meu amigo Pedro apelidou ele de Mister Johnson, "porque sei lá, tudo que é americano pra mim é Johnson", explicou ele sem explicar nada. Coisas de Pedro.

Eu abria o meu coração, com boa dose dramática, e o Pedro me tratava sempre sem mimimi. Quando eu disse que ia visitar o "MJ" em Vegas, ele retrucou brincando, "cuidado para ele não te cortar em pedacinhos e te colocar no freezer". Afinal, ele podia muito bem ser um serial killer. Rimos juntos da ideia.

O pensamento ficou no meu inconsciente e uma noite eu me peguei olhando para as facas lindamente expostas no faqueiro. O congelador era pequeno. Ou eu virava picadinho mesmo, ou eu não ia caber. No fim das contas, a única coisa que voltou em pedaços foi o meu coração.

Meses se passaram e um dia eu acabei contando pro Jared que eu e o Pedro tínhamos criado um personagem para ele. O passional Mister Johnson, também conhecido como MJ, que iria me retalhar e depois me congelar. Ele riu da nossa imaginação e a história virou piada interna, como quase tudo por aqui.

Enquanto eu estava lá essa última vez, tivemos que comprar uma geladeira para a casa nova e quando o vendedor começou a falar sobre o espaçoso congelador tivemos um ataque de riso na loja. Passou. Voltei para o Brasil inteira e a história esfriou.

Um dia, a minha mãe, que nunca tinha ouvido nada sobre essa brincadeira, chegou em casa com uma cara de espanto. "Hoje eu assisti a uma palestra com o promotor de justiça e ele estava falando das leis internacionais. Ele falou que é muito comum nos Estados Unidos, mulheres serem esquartejadas pelos maridos e guardadas no freezer". (!) Eu calmamente falei que o promotor estava exagerando que não era uma coisa comum em lugar nenhum. Imagina!

Secretamente, fiz uma pesquisa na internet em busca de casos como esse e não tive muito sucesso. Impressionada com a coincidência, imaginei que o Pedro tivesse visto/lido alguma coisa a respeito. Provavelmente, o mesmo artigo que tal promotor. Não satisfeita, ressuscitei o assunto com ele.

- Pedro, da onde tu tirou essa ideia de o MJ me cortar em pedacinhos e me colocar no freezer? Tu leu isso em algum lugar?

- Sei lá, não teve um cara que fez isso com a mãe dele lá em Pelotas (nossa cidade natal)?

^^

Ufa, teve mesmo.