8 de maio de 2012

comunicação limitada

Novembro e dezembro de 2011.

Nessa de vem não vem, vai não vai, os preços das passagens para o Brasil estavam aumentando e muito. Resolvemos então que ele viria passar o Natal e o Ano Novo aqui. Ele acabou comprando uma passagem mais cara para chegar a tempo da ceia. O gringo não é bobo não, minha gente.

A chegada estava prevista para o dia 24 de dezembro, às 15 horas. Dia esse, que não chegava nunca. Para aumentar a distância entre nós, ele foi à trabalho para Austin, no Texas, e eu fui visitar meu povo em Pelotas, onde tenho acesso restrito à internet. Sendo assim, ficamos mais de 20 dias sem nos falarmos no Skype. Uma verdadeira tortura.

Trocávamos e-mails, uma das coisas mais vagas que existe. Até mesmo em chats era difícil a gente se encontrar online, mais por culpa minha do que dele. Para aguentar toda essa falta de comunicação, um tem que ter o outro muito presente em si. Tem que gostar mesmo. E confiar no amor. Confiar em alguém é fichinha. Difícil é confiar no sentimento que essa pessoa tem pela gente, principalmente quando a gente não consegue regar essa plantinha, chamada coração, do jeito que a gente deve. 

Por não ter um namoro convencional e nos vermos praticamente nunca, nós nos acostumamos a avisar ao outro a programação do dia. Regando! Hoje vou cortar o cabelo depois do trabalho, me espera no Skype só depois das seis; hoje tenho médico e depois vou para academia direto, te escrevo só a noite... Mudanças de planos, às vezes, eram um problema. Principalmente para mim, que ainda não tenho internet no celular. Vidinha.

Não se trata de controle. Era o não poder entrar em contato que dava nos nervos. Não dava para pegar o telefone e ligar dizendo: onde é que tu te enfiou?! Então, o que passava pela cabeça era: ele (a) não me dá sinal de vida, será que aconteceu alguma coisa ruim? Será que caiu e quebrou o pé? Será que ficou sem internet? Será que morreu? Ou não me aguenta mais?

Para mim, ficar sem internet e não poder avisar que eu estava viva e ainda aguentava ele me dava uma agonia. Era a satisfação que eu gostava de dar. A liberdade que eu não queria ter. E ainda faltavam 15 dias para o Natal.


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