31 de julho de 2012

comentários

Como toda a blogueira que se preza, eu adoro comentários, mas não se sintam pressionados. Fico muito feliz com as visitas de qualquer forma. Só vim avisar que procuro responder a todo mundo que comenta, por isso toda vez que você comentar, não se esqueça de inscrever-se por e-mail - clique no link no finalzinho da página de comentários. Aí a minha resposta vai direto para sua caixa de entrada! A não ser que você me considere um spam.

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Então, vai lá e compartilha o
nãoqueromecasar sem medo de ser feliz! Afinal de contas, todo mundo tem um pouquinho de medo do altar! Fico muito agradecida.



Muito obrigada pelas constantes visitas! Beijão para todo mundo que acompanha e desculpem o meu rompante de autopromoção! Quinta-feira tem post valendo! Até lá! :)


27 de julho de 2012

coração de galinha

Essa história escapou da minha linha do tempo, mas vale a pena contar.

Um dia qualquer, eu e a minha família estávamos reunidos na volta do chimarrão, quando surgiu o assunto de churrasco. Aí, eu contei para eles que o Jared tinha me levado numa churrascaria em Vegas e que ficou chocado ao saber que a gente come (e adora) coraçãozinho de galinha.

Diante dessa informação, o meu irmão caçula (12 anos) diz com cara de quem entendeu tudo:

-Aaaaaaaaah, ele achou que era o CO-RA-ÇÃO da galinha mesmo!

Muitos risos.


26 de julho de 2012

Buenos Aires

Fevereiro de 2012.

No meu primeiro ano como Au Pair nos Estados Unidos (lá em 2008), eu conheci a Maggie, a única argentina que mora no meu coração. Sem ofensas, aos hermanos. Desde o instante que eu soube que a Maggie era de Buenos Aires, eu disse que iria visitá-la. Afinal, é um pulo de Porto Alegre.

A Maggie foi embora dos EUA em 2009, eu fiquei até 2010, já era 2012, eu estava prestes a voltar para a terra do Tio Sam e nada de visitar a Maggie na Argentina.

No dia que deixei o Jared no aeroporto, abri a minha mala já em casa e dei de cara com um envolope com uma carta e 500 dólares dentro! (!!!) Liguei para o Jared e perguntei: que é isso? Porque tu me deixou todo esse dinheiro?

Ele respondeu que eu disse (em algum momento) que eu era pobre; e como agora sou a futura esposa dele, ele não quer eu me sinta pobre. Hahaha, pode rir gente. Ele é muito fofura. Eu tentei explicar que o povo tem mania de dizer que é pobre. Eu pelo menos. Que é uma expressão para dizer que não somos ricos, milionários. Mas que, necessariamente, não quer dizer que somos pobres, pobres. É aquele velho drama da classe média frustrada. Mal ou bem, eu tinha minhas reservinhas.

De qualquer forma, ele não quis o dinheiro de volta. Aí em fevereiro, eu tive um desejo! Não era gravidez. Era Argentina. Eu queria ir para Argentina. Era um respiro não ter que abrir mão de ir visitar a Maggie um dia. O dia tinha chegado.

Perguntei pra ele, se ele se importaria se eu usasse o dinheiro para ir para Buenos Aires. Afinal de contas, eu preferia ser uma pobre viajada do que ter dinheiro no banco. Ele disse que eu podia fazer o que quisesse, que o dinheiro era meu. Dito isso, comprei meu voo pro final do mês de fevereiro. E ainda arrastei uma amiga muito querida junto comigo, a dona Léli, que tá sempre aqui no blog de uma maneira ou outra.

Chegamos na casa da Maggie numa quarta-feira de noite e ficamos até segunda-feira. Foi uma delícia reencontrar a Margarita depois de tanto tempo. A confirmação de que amigos são as melhores sementes para se plantar nessa vida. Passa o tempo e eles sempre reaparecem em nossas vidas seja com flores, frutos ou sombra.

Foram cinco dias peregrinando pelas ruas da Capital Federal. Desde o alternativo bairro Belgrano até o badalado Puerto Madero, entre ruas largas e estreitas, 9 de Julio e Calle Florida, do Caminito à Recoleta, sem esquecer da charmosa Plaza San Telmo. Cinco dias de inglês, português e espanhol e da língua resultante da mistura aleatória das três. Cinco dias, de bate-papo e bate perna em ruas, bares e parques. Cinco dias de amizade, cultura e ar fresco. Cinco dias de Evita.















Apesar do voo de volta atrasado, de uma noite mal dormida no saguão do Salgado Filho e de uma mala quebrada, Buenos Aires foi um sonho realizado. Um sonho bobo. Se é que existem sonhos bobos. E também uma bela recarregada de energias. Eu ainda era dona do meu nariz. O fato de estar noiva, não me impedia de ir pra China sozinha, se eu bem quisesse. Que mulher difícil!

Parece meio óbvio, mas, mesmo que inconsciente, foi  bom provar para mim mesma que eu continuo em pleno poder da minha individualidade. 
Afinal de contas, assumir um compromisso tão sério com alguém não me excluia nada e, sim, me acrescentava ele. Quem sabe uma dia não vamos à China juntos? Bem melhor.

19 de julho de 2012

anel de noivado

Fevereiro de 2012.

A vida tem um jeito engraçado de nos mostrar certas coisas. Mesmo para os mais céticos existem sinais no meio do caminho, ali esperando uma interpretação inconsciente, da maneira que melhor convir.

No meio da crise de ser/estar noiva, eu tive que colocar o meu anel de noivado numa caixa no correio. O que racionalmente seria muito conveniente para mim, já que eu ainda não estava totalmente acostumada com o símbolo do compromisso que eu a recém tinha assumido.

No entanto, foi um pesadelo. Aquela velha história querer mais que tudo, por não poder ter. 

No dia que o Jared foi embora, sentamos para almoçar no aeroporto e ficamos os dois olhando para o anel. Encarando o diamante no âmago. Tempo suficiente para dois observadores chatos acharem manchinhas pretas lá no meio da pedra. Manchinhas pretas?

Ele voltou para os Estados Unidos e foi na joalheria saber que manchinhas eram essas. Eram manchas de carbono, naturais da pedra. O que não deixa de ser um defeito. Desculpem-me as pessoas finas que leem esse blog. Eu nunca tive um diamante na vida. E eu não queria que o meu diamante tivesse manchas naturais ou não.

Apesar de o anel ter seguro vitalício,só tínhamos três meses de garantia para trocá-lo pelo mesmo modelo. Depois dos três meses só poderíamos trocar por um anel mais caro (upgrade), ou caso a pedra caísse, quebrasse, sei lá. Se queríamos um anel igual ao meu menos as manchas de carbono, tínhamos até o dia 18 de março para levarmos na loja. 

A minha ideia era voltar para os Estados Unidos em março, depois que a casa dos meus pais estivesse pronta, mas eu não via jeito daquela obra andar. Então, depois de encher as pessoas dos correios de perguntas, achamos mais prudente mandar o bichinho numa caixa. Com seguro, fita, lacre e tudo mais.

Foi-se o meu anel de noiva. E eu continuava noiva, até mais noiva, pela "perda" do anel. Clássica compensação. Dez dias depois, o anel chegou no destino. Respiramos aliviados. Ele trocou o anel a tempo e deu tudo certo.

Dois meses depois, o Jared recebeu uma caixa no escritório. Como ele trabalha com garantias e trocas de produtos na empresa, ele abriu o pacote achando que era mais um produto danificado. Para a surpresa dele, dentro da caixa tinha uma chave, um pratinho de comida para cachorro, um cartão e, pasmem, um anel de noivado. 

Ele leu o nome do remetente e a data. O cara tinha mandado a caixa para a namorada em fevereiro. Provavelmente para chegar no dia dos namorados - 14/02. Era claramente um pedido de noivado, mais o desejo expresso de morarem juntos e adotarem um cachorro.

Muito fofo, exceto pelo fato de que a essas alturas já era abril e o pacote estava na mesa de um Jared em choque, extramente solidário com a situação. Afinal, podia ter acontecido com a gente. Nesse meio tempo, a mulher do correio liga para o Jared, dizendo que ele tinha recebido um pacote por engano. Indignado, ele disse para mulher, vocês sabem o que tem dentro dessa caixa? O remetente deve estar furioso. "Ele está bem chateado", respondeu a mulher no outro lado da linha.

O Jared enrolou tudo bonitinho de novo, até melhor do que estava, diz ele [metido a perfeccionista que nem eu], fechou a caixa e passou o dia incrédulo com tamanha coincidência. Era a vida, relembrando que tem muita gente como a gente, muita caixa perdida, muito avião, distância e milhares de encontros e reencontros.

12 de julho de 2012

noivafobia

Fevereiro de 2012.

Em inglês, existem três palavras para o termo noiva: fiancéengaged e bride. Engaged e fiancé significam estar noiva e bride significa ser a noiva lá de branco no altar. Em português, a gente fala noiva para dizer tudo isso.

Então, a palavra noiva virou meu estado civil, mas a imagem que vem na minha cabeça 
é o ser de branco em pânico. Não faço uma associação simples com o nível de comprometimento do nosso relacionamento e sim com buquê, véu e grinalda. Pé no altar, pré-destinada ao casamento, com a corda do matrimônio no pescoço.

Deve ser uma fobia minha. E agora é um status. Sou noiva, estou noiva. Vou casar! Como se não fosse o suficiente, desde que virei noiva no facebook comecei a receber todas as possíveis e imagináveis sugestões de páginas relacionadas ao assunto. Um verdadeiro choque de realidade! 

Isso sem falar no meu avô radialista, super orgulhoso, dizendo nas ondas do rádio que a neta dele estava noiva de um americano rico, dono de cassinos em Las Vegas [hahaha]. Foi demais até para eu ficar chateada!

Demorei um pouco para administrar essa nova fase. E até hoje acho meio pedante dizer o meu noivo. Não  é namorado, não é marido, é noivo. É quase específico demais. Meio "rotulento", "rotuloso", "rotulante." Como se eu estivesse dando uma satisfação para a sociedade. Não somos namorados, somos noivos. Grande bosta. A única coisa que muda é que não vamos sair para jantar hoje porque estamos juntando dinheiro para o casamento.

Enfim, foi indo e acabei incorporando. Quando me dei conta, eu já tinha favoritado alguns sites de noiva, criado uma board no pinterest para ideias de casamento e estava pensando em cores e motivos para o grande dia. Como resistir? No fundo, todo mundo quer subir no altar.

T
á, vou me redimir. De repente estar noiva é saber que tem um dia D por vir e viver cada dia para a chegada desse dia D. E, mais importante, é saber que a gente pode contar com alguém pra tudo, para sempre, se assim for. Sim, gente, eu vou me casar. E comecei a ficar feliz com isso. Devo mudar o endereço desse blog? Nah.

Foi nessa mesma época que eu resolvi que era hora de me despedir da minha psicóloga. Missão quase impossível, porque eu ainda tinha ocasionais surtos. Eu passava 30 minutos agindo como uma pessoa normal e comprometida e nos últimos 15 minutos de cada sessão eu sucumbia a minha noivofobia. Aí, ela olhava pra mim e dizia, eu vou querer te ver de novo daqui a 15 dias. E eu não tinha a cara de pau de dizer que não precisava mais ir. 

S
ó mais uma vez, eu volto.

5 de julho de 2012

vestibular

Janeiro de 2012.

Sabe quando a gente dá um impulso na vida e depois segue andando sem fazer esforço. Assim foi janeiro. O Jared me deu um empurrão e eu saí rolando o mês abaixo.

único tropeço foi quando saiu o resultado do vestibular da Universidade Federal de Pelotas. Lá em maio de 2011, no meio da minha indecisão eu me inscrevi para o ENEM. Então, em julho eu fui para os EUA, voltei em outubro, fui lá e fiz a tal prova. Em dezembro, ficamos noivos e em janeiro veio o resultado: aprovado.

Passei para o curso de Ciências Sociais, um desejo antigo. Meu coração batia feliz e triste. Por mais que um milhão de coisas tivessem acontecido entre o dia da inscrição e o dia do resultado, parte de mim queria muito voltar a estudar. Ainda mais em uma universidade federal. Era uma vitória, pequena, mas era.

Eu tinha chegado na bifurcação da minha estrada. Infelizmente, não dava para seguir nos dois caminhos. Eu tinha que seguir um. E eu já tinha escolhido. Mas, vou contar um segredo para vocês, foi difícil demais excluir aquele e-mail. Era a constatação material de que a gente não pode ter tudo que quer na vida. A gente sabe disso, mas sempre dói quando nos deparamos com o cenário. Queremos tudo e mais um pouco.


Deletei. Não sobrou nem um print screen para contar história.

E como a vida adora ficar esfregando as coisas na nossa cara, hoje quando comecei a escrever esse post me deparei com esse pensamento do Jean Paul Sartre:
"Viver é isto: ficar se equilibrando o tempo todo, entre as escolhas e as consequências".

Pelo menos, estamos vivos.