19 de julho de 2012

anel de noivado

Fevereiro de 2012.

A vida tem um jeito engraçado de nos mostrar certas coisas. Mesmo para os mais céticos existem sinais no meio do caminho, ali esperando uma interpretação inconsciente, da maneira que melhor convir.

No meio da crise de ser/estar noiva, eu tive que colocar o meu anel de noivado numa caixa no correio. O que racionalmente seria muito conveniente para mim, já que eu ainda não estava totalmente acostumada com o símbolo do compromisso que eu a recém tinha assumido.

No entanto, foi um pesadelo. Aquela velha história querer mais que tudo, por não poder ter. 

No dia que o Jared foi embora, sentamos para almoçar no aeroporto e ficamos os dois olhando para o anel. Encarando o diamante no âmago. Tempo suficiente para dois observadores chatos acharem manchinhas pretas lá no meio da pedra. Manchinhas pretas?

Ele voltou para os Estados Unidos e foi na joalheria saber que manchinhas eram essas. Eram manchas de carbono, naturais da pedra. O que não deixa de ser um defeito. Desculpem-me as pessoas finas que leem esse blog. Eu nunca tive um diamante na vida. E eu não queria que o meu diamante tivesse manchas naturais ou não.

Apesar de o anel ter seguro vitalício,só tínhamos três meses de garantia para trocá-lo pelo mesmo modelo. Depois dos três meses só poderíamos trocar por um anel mais caro (upgrade), ou caso a pedra caísse, quebrasse, sei lá. Se queríamos um anel igual ao meu menos as manchas de carbono, tínhamos até o dia 18 de março para levarmos na loja. 

A minha ideia era voltar para os Estados Unidos em março, depois que a casa dos meus pais estivesse pronta, mas eu não via jeito daquela obra andar. Então, depois de encher as pessoas dos correios de perguntas, achamos mais prudente mandar o bichinho numa caixa. Com seguro, fita, lacre e tudo mais.

Foi-se o meu anel de noiva. E eu continuava noiva, até mais noiva, pela "perda" do anel. Clássica compensação. Dez dias depois, o anel chegou no destino. Respiramos aliviados. Ele trocou o anel a tempo e deu tudo certo.

Dois meses depois, o Jared recebeu uma caixa no escritório. Como ele trabalha com garantias e trocas de produtos na empresa, ele abriu o pacote achando que era mais um produto danificado. Para a surpresa dele, dentro da caixa tinha uma chave, um pratinho de comida para cachorro, um cartão e, pasmem, um anel de noivado. 

Ele leu o nome do remetente e a data. O cara tinha mandado a caixa para a namorada em fevereiro. Provavelmente para chegar no dia dos namorados - 14/02. Era claramente um pedido de noivado, mais o desejo expresso de morarem juntos e adotarem um cachorro.

Muito fofo, exceto pelo fato de que a essas alturas já era abril e o pacote estava na mesa de um Jared em choque, extramente solidário com a situação. Afinal, podia ter acontecido com a gente. Nesse meio tempo, a mulher do correio liga para o Jared, dizendo que ele tinha recebido um pacote por engano. Indignado, ele disse para mulher, vocês sabem o que tem dentro dessa caixa? O remetente deve estar furioso. "Ele está bem chateado", respondeu a mulher no outro lado da linha.

O Jared enrolou tudo bonitinho de novo, até melhor do que estava, diz ele [metido a perfeccionista que nem eu], fechou a caixa e passou o dia incrédulo com tamanha coincidência. Era a vida, relembrando que tem muita gente como a gente, muita caixa perdida, muito avião, distância e milhares de encontros e reencontros.

2 comentários:

  1. Cara! Passei 2 tardes inteiras (e perdi minhas aulas chatas de portuguêts) lendo seu blog de 'cabo a rabo'!! Parabéns pela história linda de vocês dois! E que tudo continue dando certo pra vocês sempre!!!
    Beijos
    (marianatardelli@hotmail.com)

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    1. Oi mariana! Achei teu comentário perdido aqui, abandonado. Mil desculpas pela demora na resposta! Espero que continues acompanhando o blog =) beijo grande e muito obrigada pelo carinho.

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