16 de agosto de 2012

ataque de nervos - literalmente.

Março de 2012.

Finalmente, consegui me despedir da minha psicóloga. Para isso, tive que contar uma mentirinha, mas não encontrei outro jeito. Eu disse que ia embora do país em abril. Se ela estiver lendo este post, ficam as minhas sinceras desculpas. Como as pessoas gostam de dizer por aí, o problema não era ela, era eu. Eu não queria mais remoer a minha já moída decisão. Eu ia embora e não queria mais falar no assunto. Queria curtir o tempo que me restava em casa. E só.

Bom, se ela está me odiando por ter mentido (total covardia, eu sei), ela vai adorar saber que eu fui parar no hospital uma semana depois, com um ataque de ansiedade, que até hoje eu não entendi direito. Não sei se foi culpa pela mentira deslavada, se foi o rompimento com a terapia antes da hora certa - tendo em vista que eu mesma me dei alta, ou se foi uma reação do meu corpo por eu ter deixado de pensar/falar no assunto.

Sei que depois de um ótimo final de semana em família na capital dos gaúchos, cheguei em casa com falta de ar. Eu tinha que fazer um esforço imenso para sentir os meus pulmões cheios e satisfeitos. Uma agonia. Sai com as minhas amigas para um chimarrão e procurei não dar importância para o meu mal estar respiratório. Já vai passar.

Voltei para casa, jantei e nada de voltar ao normal. A minha mãe me perguntou mil vezes se eu estava ansiosa, se tinha alguma coisa me incomodando, isso e aquilo, e nada. Não tinha nada me incomodando, eu não estava pensando no drama de ir embora, não tinha brigado com ninguém, nadinha. Em tantos outros dias, eu tinha tudo isso e mais um pouco. Naquele domingo, eu não tinha nada. Só a tal falta de ar.

Fui dormir para passar logo, mas não passou. Deitei na cama e a minha respiração foi ficando cada vez mais curta. Quanto mais eu pensava que eu não conseguia respirar, menos eu respirava e menos ainda eu tinha sono. Em um momento, eu juro que eu cheguei a pensar que se dormisse a minha respiração ia parar. Pirada, eu sei. Inclusive, acordei a minha irmã, para deixar avisado que eu não estava muito bem e que se alguma coisa acontecesse comigo as minhas roupas eram todas automaticamente dela. Não, mentira.

Na manhã seguinte, acordei pior. Passei o dia inteirinho me concentrando em inspirar e expirar. Tão cansativo, que me fez perceber a benção que é não termos constante consciência do funcionamento do nosso organismo. O nosso corpo faz tudo sozinho e a gente, enquanto tem saúde, não perde um minuto para ver se o coração tá batendo bonitinho, se o pulmão tá se exercitando, ou se o rim e o fígado estão sendo bem seletivos. Imaginem se na correria do cotidiano ainda tivéssemos que pensar em "tudo isso".

Chegou o fim da tarde e eu ainda estava lá, que nem um cachorro sem fôlego. Assim, que minha mãe entrou em casa ela resolveu que ia me levar no hospital. Não adiantava discutir, fomos. Chegamos no plantão, e, obviamente, esperamos mil anos. O povo morrendo e eu lá com uma crise de ansiedade, todo mundo passou na minha frente, nada mais justo. Além do mais, eu tinha que aprender a ser menos ansiosa (ha-ha). 

Esperei mais de duas horas para o médico me dizer que os meus pulmões estavam lindos, que eu tinha mesmo o que todos nós já sabíamos. Diante da minha cara de frustração, além de ele me receitar um remedinho para acalmar os ânimos, ele ainda me deu um conselho: - pensa positivo que tudo vai melhorar. Eu mereço, não mereço? De qualquer forma, ele foi fofo para um médico plantonista.

Tomei as balinhas calmantes e tenho passado bem desde então. Guardei umas de reserva para futuras emergências. Vai saber quando o corpo da gente resolve querer chamar atenção ou nos desacelerar um pouquinho. Se você chegou ao fim desse post, respire bem fundo. É um privilégio e tanto.


8 comentários:

  1. Sei bem como é, Andrew hiperventila de ansiedade, desde que voltou do exército. Às vezes fica feio, de ele se irritar litros e tomar remédio pra dormir pra ver se passa. *hugs*

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  2. Hahahaa, fiquei fazendo isso o tempo inteiro enquanto lia....rs
    Bjinhos

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    1. Guria!!! Eu tbm, até escrevi no texto que estava respirando pesado, mas apaguei pq achei muito fiasco!! Mas só de escrever fiquei sem ar de novo! hahaha o psicológico é o PODER! beijoka

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  3. Oi Fabiana! Tenho acompanhado teu blog. Mas que história essa tua hein?! Eu literalmente entro no enredo e me sinto um pouco personagem/expectadora. Me emociono, fico irritada, fico deprimida, fico feliz... É um carrossel de emoções! Adooooooooro !!!!! Tudo de bom prá vc! Bjs Lana

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    1. Hahaha que bom saber Lana!! Muito obrigada pela simpatia e empatia tbm :) Bem vinda ao meu carrossel! Tudo de bom pra vc tbm e vem sempre andar de montanha russa comigo! Beijao

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  4. Cadêeeeeeeeeee!!!! Tô curiosaaaa! rs Bjos

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    1. Aiii!! Desculpa o atraso!! Me atrapalhei essa semana! :/
      Tá no ar. Beijokas

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