2 de agosto de 2012

passagem de ida

Março de 2012.

Melhor dizendo, passagem de ida. Março chegou e expirou o meu tempo. Eu disse que ia voltar para os Estados Undos em março, quando a casa dos meus pais estivesse pronta. Mas a casa não estava pronta. Achamos que mais um mês seria tempo suficiente e resolvemos comprar as passagens para abril. Final de abril.

Aí a minha mãe disse, "ah fica até o Dia das Mães". Aí, quando mãe fala, acontece, ou quase. Surgiu uma viagem de negócios no trabalho do Jared, no primeiro final de semana de maio. Se comprássemos a passagem pra final de abril, no final de semana seguinte ele iria viajar e eu ia ficar sozinha. Ah não!

Então, vamos comprar a passagem para maio. Achamos preço e conexões bons para o dia 12. Um dia antes do Dia da Mães. Aí ela disse, em tom de brincadeira, ah então já fica pro meu aniversário. 15 de junho. Mas não teve jeito. Não dava para adiar mais essa história. 12 de maio seria.

Quando ele finalmente comprou a passagem, foi ao mesmo tempo um alívio e uma angústia. Um alívio porque ele já estava ficando ansioso e frustrado, o que não ajudava em nada no nosso relacionamento ainda à distância. E uma angústia porque agora era oficial e a partir do momento que se tem dia e hora marcada, automaticamente se começa mais uma contagem regressiva. Na verdade, duas. Uma boa para reencontrá-lo e uma ruim para deixar a família e os amigos. 

Lá vamos nós, para mais uma volta na montanha russa dos sentimentos contraditórios. A minha sorte é que eu sempre gostei de aventuras. Nos dias que se sucederam à compra da passagem, sonhei quatro dias seguidos com malas, bolsas e sacolas. Em todos os meus sonhos, eu estava em lugares aleatórios juntando as minhas coisas e colocando em malas. E, claro, as coisas não cabiam. Total trauma!

Ter uma passagem só de ida a minha espera era a coisa mais estranha que eu já tive que lidar no meio dessa novela toda. As expressões ida sem volta, destino final, para sempre, me inquietavam dia e noite, noite e dia. Em outras palavras, filmes de romance me atormentavam mais que filmes de terror. 

Esse engasgado só passou quando fui visitar uma amiga de infância e a mãe dela matou a minha charada. "Não te prende no para sempre", disse a mãe da Vê, bem casada a quase 30 anos. "Isso não existe. Vive o hoje." Ela me disse aquele tipo de coisa que a gente sabe, mas precisa ouvir. Ela estava mais do que certa, independente da nossa vontade, para sempre, não existe mesmo. É um ilusão que às vezes nos incomoda e  outras nos conforta. 

Na realidade, para sempre, não é uma opção, não é uma realidade. Para sempre, é uma expressão inventada por algum humano ambicioso que queria mais. Seja mais tempo ou controle do tempo que não nos pertence.

Um viva ao nosso para sempre hoje. Porque amanhã ou depois, já cantava Nenhum de Nós, tanto faz se depois for nunca mais. Nunca mais.


5 comentários:

  1. Ai, praga de mãe pega, Fabi hehehe

    Bjokas!

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  2. Adorei esse. Mas to mais ansiosa para ler o post de quando precisaste de uma tal passagem de volta. hahaha o dia do embarque se aproxima neste blog :P beijão

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    1. hahahaha esse vai ser um longooo post!! Tá chegando :D beijo beijo, saudade do tamanho do mundo!

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  3. Adorei seu blog Fabi!
    Super tenho medo de dar passos largos towards o que dizem ser o 'para sempre' seja ele o que for...
    Minha mae sempre diz essa mesma frase : Viva o hoje!
    Certeza que eh sabedoria de mae :)

    Sao 1:26 am tenho que dormir mas quero ler mais seu blog , com certeza vou estar por aqui com freqüência.

    Beijos
    Carol Inacio

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    1. Oi Carol!! Muito Obrigada :) mãe sabe tudo né? já passaram por tanta coisa.. aff a gente é que tem que deixar a vida rolar sem pensar tanto!!

      Volta sempre! Toda quinta tem post novo! Vou esperar tuas visitas!! beijão!

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