27 de setembro de 2012

festa de despedida

10 de maio de 2012.

Apesar da festa surpresa, eu fui adiante com a festa de despedida que eu tinha planejado pra mim mesma. Festa nunca é demais. Então, na quinta-feira, antes de eu ir embora, reuni a mulherada para a saideira.

Nos encontramos no Bocatto, restaurante que está ficando muito famoso por causa desse blog (quase um patrocinador), jantamos e fomos para uma baladinha especial, estrategicamente programada para a minha última noite na cidade. Foi praticamente uma despedida de solteira antecipada.

Ao contrário do que normalmente acontece, conforme o teor alcóolico foi aumentando, a ficha foi caindo. Eu estava indo embora. De novo. Dessa vez, era "para sempre". Sabe aquele banho de água fria? Pois é.

Eu estava tão preocupada em me despedir da minha família, que não parei para pensar o quanto seria difícil me despedir das minhas amigas. Além de me despedir da pessoa física de cada uma delas, tinha também as tardes de fofocas, as noites de festa e as manhãs de ressaca que iam ficar para trás.

Como seria a vida sem amigas? Ou com amigas, que não fossem as boas e velhas de sempre. Melhor não pensar nisso agora. Afinal, já inventaram avião, telefone e internet. Resolvi aproveitar o nosso momento e construir mais memórias. Rir e chorar enquanto ainda estávamos juntas no mesmo espaço. Na mesma vibe.

Quando me dei conta, o vocalista estava falando o meu nome, cantando em nossa homenagem. É assim que uma noite boa, vira uma noite ótima, inesquecível. Eu não podia deixar de registrar aqui no blog. Até porque elas são importantes demais. E eu ainda não tive que aprender a viver sem elas, porque de um jeito ou de outro, elas estão sempre presentes. Elas sabem muito bem quem são.




20 de setembro de 2012

skype - melhores momentos

9 de maio de 2012.

Depois de dois anos e 5 meses, chegou o nosso último dia falando no Skype. Como muitos outros casais, se não fosse pela internet a gente inevitavelmente não estaria mais junto. Com internet já foi díficil, imagina sem. 

Foram horas e horas de conversa jogada fora, de sorrisos e choros, brigas e reconcialições. Por não termos nada além de uma tela de computador, microfones e autofalantes, criamos uma relação baseada em conversa. Sem assunto, não tinha namoro.

Fomos privados do silêncio bom de estar apenas na companhia um do outro, simplesmente porque não dava para a gente ficar na frente do computador em silêncio. A tecnologia ainda não chegou nesse nível. 

Apesar de diminuir nossa distância, não nos permitia o perto que queríamos. Mas, por outro lado, nos dava uma segurança boba, de poder desligar o computador quando era "melhor assim". Amanhã a gente conversa. Status: offline. Era possível controlar o nosso tempo juntos e nos dedicarmos para aquele tempo, mas no mundo real, todo mundo sabe que não é sempre assim.

Quantas vezes, temos que arrumar o tempo que não temos, nos dedicarmos quando não queremos, estar disponível quando não estamos. Tudo pelo outro. Nesse maravilhoso sacrifício que é viver junto, todos os dias embaixo do mesmo teto. Dormindo e acordando na mesma cama.

Que jogue a primeira pedra quem nunca quis ficar invisível na frente do namorado/noivo/marido. Ou melhor, quem nunca quis desligar ou colocar a mulher para hibernar. Não dá, gente. E pela primeira vez, nós dois estávamos prestes a descobrir de verdade como ia ser a nossa vida cara a cara, dia a dia. Sem tela, nem teclado, sem a desculpa de que a bateria acabou ou o Windows travou.

A gente tinha uma ideia, mas agora era para valer. Os testes tinham acabado. Ao mesmo tempo, que isso era um alívio era também um tormento. E se não der certo, dá para reiniciar?

O tempo que passamos longe acabou nos solidificando e apesar de ter nos faltado o toque e o cheiro por tanto tempo, fomos presenteados com visão, audição e fala. E também com muitas boas memórias =).




Agora, que venham as fotografias juntos, no mesmo lado da câmera. Do mesmo lado de lá.


13 de setembro de 2012

surpresa

28 de abril de 2012.

Eu ainda não tinha entrado no mode despedida do povo de Encantado City. Faltavam 12 dias. Doze preciosos dias. Nessa minha negação, cai bonitinha na cilada armada pela minha irmã em conchavo com algumas amigas maquiavélicas.

Nessa época, eu tava metida a fazer books de fotografia para ganhar um dinheirinho fácil. Aí, minha irmã perguntou que dia seria bom pra eu bater umas fotos de uma amiga dela. Sábado de manhã eu respondi, na maior ingenuidade.

Ela marcou para nos encontrarmos no centro e disse que ia junto. Até sugeriu que eu me arrumasse, de repente a gente podia bater umas fotos juntas. Eu recusei. Não vou me arrumar! Para quê? Mas não desconfiei de nada.

Chegamos lá e ela me disse, espera aí que vou no banheiro ali no Bocatto (restaurante) e já volto. Eu fiquei lá plantada na esquina, esperando a amiga que nunca viria, que nem sabia de nada que estava acontecendo. A minha irmã voltou com a cara fingida, imaginando porque a amiga dela estava demorando tanto.

- Silvana, liga para Tita (a amiga).
- Meu celular tá sem bateria.
- Liga do meu.
- Não sei o número de cor.
- Liga pra casa dela então. 
- Não sei o número da casa dela.
- Silvana, tu conhece a Tita há mil anos, como é que tu não sabe o número da casa dela?
- Trocou.
- Tá, então vamos pegar o carro e ir lá, deve ter acontecido alguma coisa e ela deve estar tentando te ligar. 
- Não, espera aí que ela já tá chegando. Ela deve ter lavado o cabelo e demora.
-oO

E eu, tonta demais, continuei esperando. Vendo a minha impaciência, ela finalmente disse: - vou no Bocatto então, procurar o número da casa dela no guia deles, fica aí esperando em caso ela chegue. Fiquei.

Nesse meio tempo, três das minhas amigas passaram reto por mim. Uma delas chegou até a me virar a cara. Quando eu vi que elas não iam parar, chamei. - Bruna, o que vocês tão fazendo? Ela respondeu algo do tipo, depois te explico e desapareceram antes que eu pudesse fazer outra pergunta. Ainda vi, mais duas amigas entrarem no Bocatto, mas não desconfiei de nada, porque pelo menos elas não tinham me visto.

Fiquei impressionada com o fluxo de conhecidos naquela manhã de sábado, mas mesmo assim sou tão bocaberta que não passou nada na minha cabeça. A única coisa que eu pensava era, onde anda a Tita?!

A minha irmã não voltava do restaurante. Resolvi ir atrás dela. Entrei e vi ela fazendo teatro com o guia telefônico. Não dei bola, até que comecei a reconhecer muitas pessoas no fundo do restaurante. Minhas amigas, todas. Gritaram, surpresaaaaa!

Aaaaaaaaah! Agora tudo fazia sentido. Fiquei emocionada e em choque. E mais em choque ainda com a minha "bocabertice"crônica. Tive que aguentar a minha irmã rindo de mim e tirei o chapéu para a sutileza dela. Adorei a surpresa! Eu sempre tive muita sorte com as minhas amizades, desde o dia que a Silvana nasceu.

A despedida relativamente cedo teve um motivo importante. A Nana, minha companheira de futsal comédia, estava indo viajar e não ia mais me ver antes de eu ir emobra. Foi uma fofura, elas se organizaram e me surpreenderam com presentinhos e tudo mais!

Muito obrigada pela surpresa e pelo dia muito especial. Muito obrigada por existirem e por serem especiais. Vocês todas tem um lugarzinho no meu coração. No final, eu ainda estava com a minha câmera para registrar o momento em grande estilo! =)








Saudade sempre grande!

6 de setembro de 2012

mudança

Abril de 2012.

Final de abril chegou com a missão de encaixotar a vida. A casa dos meus pais estava finalmente nos "finalmentes". A gente, que já tinha se mudado tanto nessa vida, mal via a hora de nos mudarmos de novo, dessa vez uma mudança mais permanente, mais sólida. Estávamos nos mudando para a nossa casa.

A beira de qualquer mudança, de qualquer tamanho ou natureza, somos obrigados à rever nossas vidas. Qualquer grande mudança esconde uma linha que nos separa do modo como estávamos vivendo até agora do modo como pretendemos viver daqui para frente.

Quando mudamos de casa, marcamos um encontro com as nossas memórias e acabamos separando as que queremos guardar e aquelas que já não cabem mais em lugar nenhum. Fazemos uma boa faxina, abrindo espaço para as coisas novas que virão. Mudar é tão bom quanto necessário. E o melhor de tudo é que para mudar normalmente não precisamos sair de casa.

Para mim, a mudança era ainda maior. Ao mesmo tempo que os meus livros iam parar em caixas, eu colocava as minhas roupas em malas. Malas que não seriam abertas por outras duas semanas. Isso fica, isso vai comigo, isso não cabe, isso não vai nem fica. A triagem era maior. Afinal, eu não estava simplesmente mudando de bairro.

A minha mudança era de vida, de continente, de língua. Eu ia mudar de fuso horário e de estação,  de país e de estado civil. Fazer a mala fechar era o de menos. A mala fechou relativamente fácil, comparado com o dolorido fechamento de um ciclo.

Depois de anos do trabalho dos meus pais, nos mudamos oficialmente para a casa nova no dia primeiro de maio. O feriado não podia ser mais sugestivo. O que matematicamente me dava dez dias de casa nova, de vida nova com eles. Dez dias depois, uma outra casa, uma outra vida me esperava. Dez dias e tantas coisas, tantas caixas, tantas malas.