25 de outubro de 2012

almost famous

27 de maio de 2012.

Era uma domingo preguiça como outro qualquer. Estávamos em casa, colocando quadros na parede quando vimos pela janela um movimento estranho, muitas pessoas, câmeras profissionais e, logo em seguida, um carro adesivado com os dizeres "Chef Race US vs UK". O que será isso?

Ficamos de butuca na janela um tempão, procuramos no google a tal Chef Race e nada. Até que notamos as pessoas batendo de porta em porta. Eu, que estava usando uma calça de abrigo e uma camiseta do Jared, entrei em pânico. "Babe, eles vão vir aqui e eu pareço uma indigente". 

Fazendo um parênteses, minha mãe me comprou um monte de camisolas e pijaminhas bonitinhos, já que ia/vou me casar! Sabe, aquelas coisas de mãe. Uma noite, coloquei uma camisola e um chambre pretos, lindos, o Jared olhou para mim e disse: vai aonde vestida de ninja? Juro por Deus. Desde então, eu só uso as camisetas dele para dormir e ficar em casa. Em outras palavras, ser sexy durou uma semana.

Voltando ao assunto, o Jared insistiu que eles não viriam aqui em casa. De qualquer forma, coloquei as minhas próprias roupas e dei uma ajeitada no andar de baixo. Dito e feito, não demorou muito umas dez pessoas bateram na porta, inclusive os vizinhos que não conhecíamos, tudo sendo devidamente filmado.

Os vizinhos se apresentaram e explicaram que tinham cedido a casa deles para um churrasco, um barbecue, eu devo dizer, porque churrasco mesmo é só no Brasil, mais precisamente, só no Sul do Brasil. As pessoas estranhas eram o time dchefes de cozinha da Inglaterra. Eles estavam gravando um episódio do programa "Chef Race US vs UK", uma corrida pelos Estados Unidos, onde os times, britânico e americano, teriam que sobreviver e atravessar o país apenas com o lucro das comidas que fizessem.

Em outras palavras, eles iriam fazer esse churrasco no nosso bairro, enquanto o time americano iria mover outra ação. Quem arrecadasse mais doações, ganharia o desafio. Quem perdesse, teria que mandar um dos chefes para casa. Muito divertido. 

Não só comparecemos ao churrasco, como levamos um sofá e uma mesa que tínhamos na garagem para ajudar na acomodação das pessoas. Foi uma experiência muito legal, tivemos a oportunidade de conhecer alguns vizinhos e ainda trouxemos as sobras das comidas diferentes para casa. Não cozinhamos por uma semana. 

Teria sido melhor se um dos chefes não tivesse passado mal. Estávamos todos sentados comendo, quando um deles caiu no chão se retorcendo todo. Por um instante, achamos que era parte do show. Até que vimos que era sério, provavelmente causa do estresse da competição, somado com desidratação e o calor do deserto.

Quando nos demos conta, tinha uma ambulância e um caminhão de bombeiros no meio da nossa rua. Sim, os americanos mandam até o caminhão de bombeiros em caso de emergências médicas. Na verdade, normalmente, vem primeiro o que estiver mais próximo da área, mas que eles são meio exagerados, isso são.

O programa foi ao ar agora em outubro e a gente aparece um pouquinho logo já no primeiro episódio, chamado Vegas or Bust! Infelizmente, não achei o link para assistir online de graça, mas, para quem estiver interessado, o site da BBC America tem vários sneak peeks e explica melhor o programa!

Em pensar, que tudo começou com um domingo preguiçoso de colocar quadros na parede. Em Vegas, todo mundo sabe como começa o dia, mas poucos sabem como vai  acabar.


18 de outubro de 2012

las vegas - chima

Maio de 2012.

Chegamos em Vegas naquela tarde de domingo (13). A casa estava praticamente do jeito que eu deixei em outubro do ano passado. "Eu estava te esperando para decorar o resto", ele disse. Morar em Las Vegas, não era tao bom quanto o simples fato de dividir aquela casa com ele, novinha, com cara de começo.

A casa, sem dúvida alguma, era grande demais para nós dois. Então já tínhamos resolvido que assim que eu chegasse, iríamos adotar um novo morador. Já naquela primeira semana, intensificamos as buscas por um cachorrinho para encher a casa grande. Reviramos a internet, fomos nos canis com animais para adoção, olhamos nos classificados e nada. Não encontramos nenhum que fizesse o nosso coração bater mais forte. 

Até o que o Jared chegou em casa com um jornalzinho antigo, Nifty Nickel, que eu nunca tinha visto. Abri na página dos classificados sem expectativa nenhuma e li "seis labradores à venda". Ele não queria labradores, por serem muito comuns. Todo mundo tem um labrador nesse país. Mesmo assim, eu continuei lendo: 4 filhotes pretos, dois cinzas. Labrador cinza? De repente, estávamos os dois entusiasmados. Já deve ter sido vendido, concordamos.

Do mesmo jeito, ligamos e, para nossa surpresa, só tinha sobrado um cinza e custava 800 dólares. 800 dólares? Era muito dinheiro, era uma passagem de ida para o Brasil. Abrimos a caixinha das economias. Tinha mil, mas era para uma emergência e achamos melhor não gastar. Dormimos com o labrador cinza na cabeça.

Amanheceu o domingo (20), exatamente uma semana depois que eu cheguei em Vegas, a dona dos filhotes ligou perguntando se ainda estávamos interessados, porque tinha surgido outras pessoas que o queriam. Diante daquela ligação, a gente se olhou e pensou junto: emergência!

Abrimos a caixinha e pegamos a estrada para Pahrump, uma cidadezinha que fica a uma hora de Las Vegas. Estávamos em alas, fazendo uma lista de nomes. Ainda apavorados com o preço, o Jared disse que ia tentar negociar por $600. Que nada. Quando chegamos lá, olhamos para ele e o preço nem importava mais.

Ele era a coisa mais fofa que pode existir no mundo dos filhotes de cachorro. Voltamos para casa felizes! Como ele chorava de noite, eu dormi no chão do banheiro as duas primeiras noites. Afinal de contas, eu sabia como era esquisito essa fase de adaptação. Eu e ele estávamos no mesmo barco. Quase que o Jared me mandou de volta pro Brasil, porque eu tinha trocado ele pelo cachorro na nossa segunda semana juntos.






Ele ficou dois dias sem nome, quase nos matando de agonia. Depois de muitas ideias, o Jared sugeriu Chima e eu adorei! Chima, de chimarrão, em homenagem ao meu saudoso Rio Grande do Sul. Todo mundo aqui acha que ele é menina ou não entende da onde saiu esse nome, mas quem mandou ter uma mãe adotiva gaúcha?

Aos poucos, o Chima foi enchendo não só a casa grande, mas enchendo sofá de pelo, o carpete de xixi e cocô, os móveis e sapatos de mordidas, entre outras peripécias. Mesmo assim, é muito bom ter uma casa cheia com esse amor de cachorro.

11 de outubro de 2012

bem a calhar


los angeles - chegada

12 de maio de 2012.

Depois de uma parada estratégica no Panamá e de 16 horas de viagem, cheguei em território americano.  Para evitarmos uma conexão de oito horas em Los Angeles, o Jared resolveu comprar a passagem direto para L.A. e ir me buscar lá mesmo. Las Vegas fica apenas quatro horas leste de Los Angeles, então achamos que seria uma boa oportunidade para passarmos o final de semana na Califórnia.

O que me preocupava mais, na verdade, era entrar nos EUA em uma cidade qualquer e depois pegar outro voo para Las Vegas. Eu queria que ele estivesse na primeira cidade americana que eu chegasse caso eu fosse presa ou levada para uma sala escura da imigração. Loucura, mas já vi casos parecidos.

Dito isso, vocês podem imaginar que eu estava com o c* na mão. Eu tinha visto de turista válido, mas como eu já tinha ido para lá no ano passado, eu achei que eles poderiam complicar e pensar que eu tenho potencial para ficar ilegal no país. Afinal que pessoa em sã consciência passa 3 meses em Vegas todos os anos? Eu. 

O aeroporto Internacional de Los Angeles é o quinto mais movimentado do mundo. Ou seja, é um formigueiro fora de proporções. Depois de trocar mil vezes de fila por causa da desorganização dos agentes, acabei ficando na fila errada mesmo, pois eu estava cansada de andar pra cima e para baixo com a minha bagagem de mão - sem rodinhas! Nunca mais na vida passo um trabalho desses! Juro por Deus que abandono meus pertences.

No final da minha fila, tinha dois guichês. Um agente muito simpático chamando o próximo da fila com sorrisos e acenos espalhafatosos. O outro era uma cruza de mexicano com asiático que não deu certo, com aquela cara fechada de pessoas da lei. Adivinhem quem eu peguei? Exato. Eu até fiquei feliz quando o mexicano de olhos puxados chamou o rapaz que estava na minha frente. Mas como toda alegria de pobre dura pouco, ele mandou o cara de volta para fila porque ele não tinha preenchido o formulário da alfândega e chamou a mim. Viva eu!

Resolvi que eu não ia mentir sobre visitar o meu noivo. Na verdade, eu disse que ele era meu namorado para o cara não me perguntar o porquê de eu não ter um visto de noiva. Sim, para quem não vive nesse mundo de relacionamento com estrangeiros, existe uma coisa chamada visto de noiva. Eu sou péssima mentindo, mas como eu ainda não tinha me acostumado totalmente com a palavra noivo, essa mentirinha saiu natural como a verdade.

Ele de cara perguntou o que meu namorado estava fazendo na América. Era uma boa pergunta, não posso negar. Dei um relatório completo da vida do Jared. Sorri enquanto ele olhava para minha cara e para minha foto no passaporte, à la cara-crachá, e só recebi desprezo. A gota d'água foi quando ele me perguntou o que eu tinha trazido para o meu namorado além de mim mesma. Respirei fundo, afinal não era hora nem lugar de ter um ataque feminista. Trouxe chocolates, eu disse, no máximo da minha educação.

Ele começou a carimbar meu passaporte e disse algo como aproveite a sua estada, eu sei que você não vai voltar. Eu catei o passaporte, falei "thank you, thank you", me fiz de desentendida e fui correndo para o carrossel de bagagens.

Peguei as malas e entrei na fila de saída. Eu não via a hora! Todo mundo estava passando pelo agente sem problemas. Até chegar a minha vez. Ele olhou para mim, olhou para as minhas malas, olhou para o meu passaporte e me mandou para outra fila, onde outros agentes iam inspecionar minha bagagem. Ótimo.

A essas alturas eu já estava a mais de duas horas no aeroporto, incomunicável. O Jared do outro lado, falando com a minha irmã pela internet. Os dois sem entenderem por que todo mundo saía do portão de desembarque, menos eu. A mulher que revistou as minhas malas foi surpreendentemente muito querida. Ela me fez um monte de perguntas e acabei contando para ela um resumo da nossa história.

Ela mal olhou as minhas malas, me acompanhou até metade do saguão e disse entre os dentes: boa sorte no casamento. O pesadelo chamado Imigração do Aeroporto de Los Angeles estava chegando ao fim. Atravessei o portão de desembarque, olhei todos os rostos de todas as pessoas que estavam plantadas ali na frente a procura dos seus e não vi o Jared. Cadê ele?

Ele estava bem mais atrás e fez uma cara de alívio quando me viu. Eu tinha ficado quase três horas lá dentro, ele não sabia mais o que pensar! Eu acho que também fiz uma cara de alívio. Respiramos. Assim que eu vi ele, as coisas começaram a fazer mais sentido. 

No final das contas, a ideia de passar o final de semana em Los Angeles não foi das melhores. Eu estava um caco, um trapo, físico e emocionalmente. Nem consegui aproveitar nada do nosso sábado na capital do  entretenimento. Eu precisava de uma noite de sono, nada romântico, eu sei.

No domingo pela manhã, fomos numa feira linda. A Califórnia transforma qualquer feirinha na beira da calçada em um evento, com pessoas estranhamente bonitas e bem vestidas. Passeamos em Hollywood, almoçamos um sushi delicia e resolvemos ir para Vegas logo no comecinho da tarde. Eu estava ansiosa. Ele também. "Não vejo a hora de te levar para a nossa casa". Eu também queria chegar na minha casa nova, na minha vida nova.

4 de outubro de 2012

aeroporto 8 - a última despedida

11 e 12 de maio de 2012.

Naquela sexta-feira, 11 de maio, acordei com a sensação de "hoje vai ser um dia difícil". Respirei fundo, aliviada por já ter me despedido da minha avó na semana passada. Ela resolveu voltar para a casa um pouco antes, justamente para minimizar o sofrimento. Nessa tentativa, ela me deu um abraço breve, entrou no carro e foi para rodiviária. Achei melhor não ir junto. O coração dela é um cristal e a gente evita qualquer emoção forte.

Forte. Tomei café da manhã com a minha mãe e ela estava fingindo muito melhor que eu a angústia daquele dia. Fiquei de pijama o máximo do tempo que eu pude, me despedi de algumas amigas, me joguei no chuveiro e fechei as malas. Pesei a bagagem. O peso de ir embora era enorme.

O meu vôo era na madrugada do dia 12. Por isso, estávamos indo para o aeroporto no entardecer do dia 11. Afofei meu cachorro e às cinco da tarde, nós os cinco, pegamos a estrada para a capital dos gaúchos. Meus tios que moram em Porto Alegre resolveram fazer um churrasco de despedida para mim. Afinal, eu precisava me abastecer de carne antes de me jogar no mundo fora do meu Rio Grande do Sul. Jantamos, conversamos, rimos.

Eu queria chegar cedo no aeroporto. Porque era vôo internacional, porque era sexta-feira, porque eu queria que esse dia acabasse logo, mas principlamente porque se tratava de mim e do Jared e com a gente as coisas nunca eram simples. No entanto, na hora de nos despedirmos dos meus tios foi difícil sair logo. Mais uma foto, mais um abraço, mais um conselho. Era difícil ir embora.


Então, nós cinco, seguimos para o aeroporto. Eu, minha mãe, meu pai, meu irmão e minha irmã. Chegamos lá com duas horas de antecedência, mas a fila do check in já estava grande. Comecei a passar mal. Aquela vontade de vomitar que me dá quando não consigo lidar com as minhas emoções. Se bem que podia ser apenas o tanto de carne que eu tinha comido. A minha mãe comprou um chá milionário para mim. Tomei.

Finalmente, chegamos no guichê e depois de olhar as minhas informações, a atendente diz que eu não posso embarcar no avião sem passagem de volta. Como assim? Onde diz isso? Para que eu precisava passagem de volta se eu não ia voltar? Como o Governo quer evitar imigrantes ilegais, era óbvio que eu como turista não ia poder entrar no avião para os Estados Unidos sem passagem de volta. Era óbvio, mas eu não tinha pensado nisso.

Na hora, eu pensei, tá paciência, vamos ter que remarcar o vôo. Tem como remarcar? Tem que ligar para  0800 da companhia aérea e ver quais as normas dele nesse caso, falou a atendente. Querendo dizer, tá aqui o problema, resolve. No sistema vai aparecer "no show", completou. Como "NO SHOW" se eu to aqui? Coloca qualquer coisa aí no sistema, explica a situação, dá um jeito, comecei eu a dar um show para ela. Não adiantou, ela só fez aquela cara de paisagem e disse, "a senhora só vai poder entrar nesso vôo se tiver uma passagem de volta". O check in fechava 12:05, eram 11:30 da noite. E agora? Fude*.

Enquanto a primeira reação dos meus pais foi "calma, a gente vai dar um jeito", o meu primeiro impulso foi desistir e ligar para o 0800 para pelo menos garantir a passagem de ida que eu já tinha. Liguei, mas eu não conseguia falar. Vendo a minha dislexia, a minha mãe pegou o telefone e eu resolvi tentar falar com o Jared na lan house do aeroporto.

Mandei um email dizendo emergency, entra no bate-papo do facebook. Isso já eram 11:40. Terminei de falar o problema, e ele sem exitar disse que ia comprar a passagem de volta. 11:50, meus pais com as malas segurando a mulher do guichê, a minha irmã segurando o choro e o meu irmão correndo pra cima e pra baixo com recados entre nós. Foi uma mobilização e tanto.

11:55, o Jared conseguiu comprar a passagem, mas a bosta do e-mail de confirmação não chegava. Chegou. Meia noite, cheguei lá embaixo com a passagem em mãos. Aí precisava do código de confirmação. Voltei correndo e o funcionário da lan house disse que tinha que fechar, porque ele ia perder o ônibus e que já tinha até desligado todos os computadores e blablablá. Moço! Tu só vai fechar essa joça por cima do meu cadáver, peloamordedeus, eu te pago um táxi! 

Anotei o código de confirmação e o Dudu levou correndo pro guichê. Ia fechar o check in minha gente. 12:05 e nós éramos a cara do desespero. Desci atrás do meu irmão, quando cheguei lá embaixo eles estavam me olhando com cara feia porque não entendiam a minha letra (maldita faculdade de jornalismo que destruiu minha ortografia). Foi!

Olhamos para cima e o carinha da lan house estava balançando os braços. E nós todos aliviados e muito bestas gritamos êêêê e balançamos os braços de volta. Ai o mocinho abusado falou que ele não tava feliz que tinha dado certo, ele queria o dinheiro do táxi! Porque eu tinha dito que ia pagar o táxi. Aff. Pagamos.

Nesse meio tempo, ainda estamos plantados no balcão esperando os boarding passes. 12:10 a atendente diz, só um pouquinho que não tá imprimindo os tickets. Ai ai ai. Vamos comigo no escritório. Fui. Moça, eu preciso entrar naquele avião, moça. Por favor, vou perder o noivo.

12:25 finalmente, ela me entregou as passagens. E assim, ali, na lata, já era hora de dar tchau para eles. Diante de um Salgado Filho vazio, nos despedimos. Por mais que um pedacinho deles não quisesse que eu fosse, na hora que deu a confusão toda eles fizeram de tudo para que colocasse a minha bunda naquele avião. Não mediram esforços mesmo. E se isso não é amor, e não sei o que é. Foi muito bonito.

Entrei no raio-x, com uma mala de mão e uma bolsa. No fundo da mala de mão tinha uma mateira (porque todo gaúcho que se preza, tem que levar o chimarrão para onde for), dentro da mateira tinha um porta-erva e dentro do porta-erva (adivinhem!) tinha uns vidros de esmalte afanados da minha irmã. KILL ME NOW!

A Fabiana aqui teve que tirar tudo e colocar os vidrinhos de esmalte em saquinhos. A minha família foi até a porta do raio-x e viu tudo de camarote, balançando a cabeça, pois já viram essas coisas de Fabiana muitas outras vezes. Na correria, catei as minhas coisas, umas couberam na mala, outras foram a tira-colo e sumi no portão de embarque, sem olhar para trás. Não olhei para trás! Vocês acreditam? Eles todos ali, esperando um tchauzinho e eu não olhei para trás. Quando me dei conta, já não dava mais tempo. Fiquei me sentindo um lixo.

Finalmente, entreguei o meu boarding pass para a mesma atendente que estava me ajudando antes. Bom casamento, ela disse. No final das contas, acho que ela se comoveu um pouco com o meu drama. Entrei no avião e afundei na poltrona. Deixei as lágrimas escorrerem. Agora, eu só precisava chegar na metade do caminho quando a dor da despedida vira a alegria do reencontro.