4 de outubro de 2012

aeroporto 8 - a última despedida

11 e 12 de maio de 2012.

Naquela sexta-feira, 11 de maio, acordei com a sensação de "hoje vai ser um dia difícil". Respirei fundo, aliviada por já ter me despedido da minha avó na semana passada. Ela resolveu voltar para a casa um pouco antes, justamente para minimizar o sofrimento. Nessa tentativa, ela me deu um abraço breve, entrou no carro e foi para rodiviária. Achei melhor não ir junto. O coração dela é um cristal e a gente evita qualquer emoção forte.

Forte. Tomei café da manhã com a minha mãe e ela estava fingindo muito melhor que eu a angústia daquele dia. Fiquei de pijama o máximo do tempo que eu pude, me despedi de algumas amigas, me joguei no chuveiro e fechei as malas. Pesei a bagagem. O peso de ir embora era enorme.

O meu vôo era na madrugada do dia 12. Por isso, estávamos indo para o aeroporto no entardecer do dia 11. Afofei meu cachorro e às cinco da tarde, nós os cinco, pegamos a estrada para a capital dos gaúchos. Meus tios que moram em Porto Alegre resolveram fazer um churrasco de despedida para mim. Afinal, eu precisava me abastecer de carne antes de me jogar no mundo fora do meu Rio Grande do Sul. Jantamos, conversamos, rimos.

Eu queria chegar cedo no aeroporto. Porque era vôo internacional, porque era sexta-feira, porque eu queria que esse dia acabasse logo, mas principlamente porque se tratava de mim e do Jared e com a gente as coisas nunca eram simples. No entanto, na hora de nos despedirmos dos meus tios foi difícil sair logo. Mais uma foto, mais um abraço, mais um conselho. Era difícil ir embora.


Então, nós cinco, seguimos para o aeroporto. Eu, minha mãe, meu pai, meu irmão e minha irmã. Chegamos lá com duas horas de antecedência, mas a fila do check in já estava grande. Comecei a passar mal. Aquela vontade de vomitar que me dá quando não consigo lidar com as minhas emoções. Se bem que podia ser apenas o tanto de carne que eu tinha comido. A minha mãe comprou um chá milionário para mim. Tomei.

Finalmente, chegamos no guichê e depois de olhar as minhas informações, a atendente diz que eu não posso embarcar no avião sem passagem de volta. Como assim? Onde diz isso? Para que eu precisava passagem de volta se eu não ia voltar? Como o Governo quer evitar imigrantes ilegais, era óbvio que eu como turista não ia poder entrar no avião para os Estados Unidos sem passagem de volta. Era óbvio, mas eu não tinha pensado nisso.

Na hora, eu pensei, tá paciência, vamos ter que remarcar o vôo. Tem como remarcar? Tem que ligar para  0800 da companhia aérea e ver quais as normas dele nesse caso, falou a atendente. Querendo dizer, tá aqui o problema, resolve. No sistema vai aparecer "no show", completou. Como "NO SHOW" se eu to aqui? Coloca qualquer coisa aí no sistema, explica a situação, dá um jeito, comecei eu a dar um show para ela. Não adiantou, ela só fez aquela cara de paisagem e disse, "a senhora só vai poder entrar nesso vôo se tiver uma passagem de volta". O check in fechava 12:05, eram 11:30 da noite. E agora? Fude*.

Enquanto a primeira reação dos meus pais foi "calma, a gente vai dar um jeito", o meu primeiro impulso foi desistir e ligar para o 0800 para pelo menos garantir a passagem de ida que eu já tinha. Liguei, mas eu não conseguia falar. Vendo a minha dislexia, a minha mãe pegou o telefone e eu resolvi tentar falar com o Jared na lan house do aeroporto.

Mandei um email dizendo emergency, entra no bate-papo do facebook. Isso já eram 11:40. Terminei de falar o problema, e ele sem exitar disse que ia comprar a passagem de volta. 11:50, meus pais com as malas segurando a mulher do guichê, a minha irmã segurando o choro e o meu irmão correndo pra cima e pra baixo com recados entre nós. Foi uma mobilização e tanto.

11:55, o Jared conseguiu comprar a passagem, mas a bosta do e-mail de confirmação não chegava. Chegou. Meia noite, cheguei lá embaixo com a passagem em mãos. Aí precisava do código de confirmação. Voltei correndo e o funcionário da lan house disse que tinha que fechar, porque ele ia perder o ônibus e que já tinha até desligado todos os computadores e blablablá. Moço! Tu só vai fechar essa joça por cima do meu cadáver, peloamordedeus, eu te pago um táxi! 

Anotei o código de confirmação e o Dudu levou correndo pro guichê. Ia fechar o check in minha gente. 12:05 e nós éramos a cara do desespero. Desci atrás do meu irmão, quando cheguei lá embaixo eles estavam me olhando com cara feia porque não entendiam a minha letra (maldita faculdade de jornalismo que destruiu minha ortografia). Foi!

Olhamos para cima e o carinha da lan house estava balançando os braços. E nós todos aliviados e muito bestas gritamos êêêê e balançamos os braços de volta. Ai o mocinho abusado falou que ele não tava feliz que tinha dado certo, ele queria o dinheiro do táxi! Porque eu tinha dito que ia pagar o táxi. Aff. Pagamos.

Nesse meio tempo, ainda estamos plantados no balcão esperando os boarding passes. 12:10 a atendente diz, só um pouquinho que não tá imprimindo os tickets. Ai ai ai. Vamos comigo no escritório. Fui. Moça, eu preciso entrar naquele avião, moça. Por favor, vou perder o noivo.

12:25 finalmente, ela me entregou as passagens. E assim, ali, na lata, já era hora de dar tchau para eles. Diante de um Salgado Filho vazio, nos despedimos. Por mais que um pedacinho deles não quisesse que eu fosse, na hora que deu a confusão toda eles fizeram de tudo para que colocasse a minha bunda naquele avião. Não mediram esforços mesmo. E se isso não é amor, e não sei o que é. Foi muito bonito.

Entrei no raio-x, com uma mala de mão e uma bolsa. No fundo da mala de mão tinha uma mateira (porque todo gaúcho que se preza, tem que levar o chimarrão para onde for), dentro da mateira tinha um porta-erva e dentro do porta-erva (adivinhem!) tinha uns vidros de esmalte afanados da minha irmã. KILL ME NOW!

A Fabiana aqui teve que tirar tudo e colocar os vidrinhos de esmalte em saquinhos. A minha família foi até a porta do raio-x e viu tudo de camarote, balançando a cabeça, pois já viram essas coisas de Fabiana muitas outras vezes. Na correria, catei as minhas coisas, umas couberam na mala, outras foram a tira-colo e sumi no portão de embarque, sem olhar para trás. Não olhei para trás! Vocês acreditam? Eles todos ali, esperando um tchauzinho e eu não olhei para trás. Quando me dei conta, já não dava mais tempo. Fiquei me sentindo um lixo.

Finalmente, entreguei o meu boarding pass para a mesma atendente que estava me ajudando antes. Bom casamento, ela disse. No final das contas, acho que ela se comoveu um pouco com o meu drama. Entrei no avião e afundei na poltrona. Deixei as lágrimas escorrerem. Agora, eu só precisava chegar na metade do caminho quando a dor da despedida vira a alegria do reencontro.


10 comentários:

  1. esse dia não deve ter sido fácil...a sorte é que tem certeza do apoio e carinho que recebeu acima de qualquer Saudade! E o reencontro que se aproximava!
    Boa Sorte Sempre! Ir atrás da FELICIDADE não é fácil, mas no fim vale a pena!
    Beijos Grandes

    Marta Gentilini

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    1. Oi Martinha! Nossa nao foi mesmo. E escrever foi mais dificil ainda!! Muito obrigada pelo carinho! Beijao!

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  2. Ai Fabi que carrossel de emoções numa noite só hein???? Menina, tô até com falta de ar, por incrível que pareça é como se eu também tivesse participado do corre-corre. E o carinha da lan house então? Que bofe mais insensível! Humpf!!!
    Pelo menos agora está tudo bem. Está tudo bem né????
    Lana

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    1. Ai Lana foi um stress. Eu nao queria escrever um texto gigante assim, mas parecia que aquela noite nao tinha fim de tanto imprevisto e obstaculo! O carinha da lan house tava bem feliz no msn qd eu subi la pela ultima vez! So queria tirar proveito da situacao mesmo. Mas enfim. Ele era o de menos.
      hahaha ta tudo bem sim e quinta tem post de reecontro, que eh bem melhor!!! Aproveita o embalo e curte a fan page do blog no facebook, aqui do ladinho! =) beijokas

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  3. Pode chorar???? Menina, fiquei desesperada com o seu corre-corre e até segurei as lágrimas até ler sua última frase.....

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    1. hahaha pode chorar. Esse foi pra matar mesmo!!! Essa semana ja melhora o astral aqui no blog =) beijao

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  4. Ah o amor... também enfrentei toda essa correria, alegria, desespero, saudade, incertezas...isso há pouco mais de um ano atrás, entao as memórias ainda estao muito frescas e a saudade da familia só aumenta, exatamente na msm proporcao que o amor pelo marido.
    Desejo tudo de melhor na sua nova fase, pensa sempre positivo em tudo e se precisar de algo é só dizer ok?

    Olha tem um meme pra vc lá no meu blog viu?

    Beijos!!

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    1. Muito obrigada Ka Miranda :) tudo de bom pra vc e tbm pode contar comigo se precisar... so quem ta nesse barco sabe como eh, neh?

      beijokas

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  5. Ai Fabiana, soh li este post agora (vim do post que voce colocou a cartinha do seu irmao). Menina que desespero! Eu li este post com o coracao na boca imagina voce la na hora com tudo isso acontecendo?
    Chorei no final, nao teve jeito. OLha a faculdade de jornalismo pode ter destruido sua ortografia, mas com certeza fez um bem enorme pra nos que lemos seu blog, voce escreve muito bem! Consegue prender nossa atencao. :)
    Nani (da comu da au pairs do fb). Nao tenho entrado no fb desde Janeiro. Soh volto em Maio, mas quando da dou uma voltinha pelos blogs hehe :)
    Beijos

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    1. Oi Nani!!! Adorei a visita e o comentario! Menina esse dia foi dificil mesmo! Eu nem tive coragem de reler, so colei o link la no post da cartinha do Dudu. Eu nao tenho participado muito das comunidades e ando precisando dar um tempo de facebook tbm (dificil pra mim), que bom que vc ta conseguindo se desintoxicar!

      Sempre que der vem passear aqui e manda um alo. Muito obrigada mesmo pelo carinho! Beijokas

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