11 de outubro de 2012

los angeles - chegada

12 de maio de 2012.

Depois de uma parada estratégica no Panamá e de 16 horas de viagem, cheguei em território americano.  Para evitarmos uma conexão de oito horas em Los Angeles, o Jared resolveu comprar a passagem direto para L.A. e ir me buscar lá mesmo. Las Vegas fica apenas quatro horas leste de Los Angeles, então achamos que seria uma boa oportunidade para passarmos o final de semana na Califórnia.

O que me preocupava mais, na verdade, era entrar nos EUA em uma cidade qualquer e depois pegar outro voo para Las Vegas. Eu queria que ele estivesse na primeira cidade americana que eu chegasse caso eu fosse presa ou levada para uma sala escura da imigração. Loucura, mas já vi casos parecidos.

Dito isso, vocês podem imaginar que eu estava com o c* na mão. Eu tinha visto de turista válido, mas como eu já tinha ido para lá no ano passado, eu achei que eles poderiam complicar e pensar que eu tenho potencial para ficar ilegal no país. Afinal que pessoa em sã consciência passa 3 meses em Vegas todos os anos? Eu. 

O aeroporto Internacional de Los Angeles é o quinto mais movimentado do mundo. Ou seja, é um formigueiro fora de proporções. Depois de trocar mil vezes de fila por causa da desorganização dos agentes, acabei ficando na fila errada mesmo, pois eu estava cansada de andar pra cima e para baixo com a minha bagagem de mão - sem rodinhas! Nunca mais na vida passo um trabalho desses! Juro por Deus que abandono meus pertences.

No final da minha fila, tinha dois guichês. Um agente muito simpático chamando o próximo da fila com sorrisos e acenos espalhafatosos. O outro era uma cruza de mexicano com asiático que não deu certo, com aquela cara fechada de pessoas da lei. Adivinhem quem eu peguei? Exato. Eu até fiquei feliz quando o mexicano de olhos puxados chamou o rapaz que estava na minha frente. Mas como toda alegria de pobre dura pouco, ele mandou o cara de volta para fila porque ele não tinha preenchido o formulário da alfândega e chamou a mim. Viva eu!

Resolvi que eu não ia mentir sobre visitar o meu noivo. Na verdade, eu disse que ele era meu namorado para o cara não me perguntar o porquê de eu não ter um visto de noiva. Sim, para quem não vive nesse mundo de relacionamento com estrangeiros, existe uma coisa chamada visto de noiva. Eu sou péssima mentindo, mas como eu ainda não tinha me acostumado totalmente com a palavra noivo, essa mentirinha saiu natural como a verdade.

Ele de cara perguntou o que meu namorado estava fazendo na América. Era uma boa pergunta, não posso negar. Dei um relatório completo da vida do Jared. Sorri enquanto ele olhava para minha cara e para minha foto no passaporte, à la cara-crachá, e só recebi desprezo. A gota d'água foi quando ele me perguntou o que eu tinha trazido para o meu namorado além de mim mesma. Respirei fundo, afinal não era hora nem lugar de ter um ataque feminista. Trouxe chocolates, eu disse, no máximo da minha educação.

Ele começou a carimbar meu passaporte e disse algo como aproveite a sua estada, eu sei que você não vai voltar. Eu catei o passaporte, falei "thank you, thank you", me fiz de desentendida e fui correndo para o carrossel de bagagens.

Peguei as malas e entrei na fila de saída. Eu não via a hora! Todo mundo estava passando pelo agente sem problemas. Até chegar a minha vez. Ele olhou para mim, olhou para as minhas malas, olhou para o meu passaporte e me mandou para outra fila, onde outros agentes iam inspecionar minha bagagem. Ótimo.

A essas alturas eu já estava a mais de duas horas no aeroporto, incomunicável. O Jared do outro lado, falando com a minha irmã pela internet. Os dois sem entenderem por que todo mundo saía do portão de desembarque, menos eu. A mulher que revistou as minhas malas foi surpreendentemente muito querida. Ela me fez um monte de perguntas e acabei contando para ela um resumo da nossa história.

Ela mal olhou as minhas malas, me acompanhou até metade do saguão e disse entre os dentes: boa sorte no casamento. O pesadelo chamado Imigração do Aeroporto de Los Angeles estava chegando ao fim. Atravessei o portão de desembarque, olhei todos os rostos de todas as pessoas que estavam plantadas ali na frente a procura dos seus e não vi o Jared. Cadê ele?

Ele estava bem mais atrás e fez uma cara de alívio quando me viu. Eu tinha ficado quase três horas lá dentro, ele não sabia mais o que pensar! Eu acho que também fiz uma cara de alívio. Respiramos. Assim que eu vi ele, as coisas começaram a fazer mais sentido. 

No final das contas, a ideia de passar o final de semana em Los Angeles não foi das melhores. Eu estava um caco, um trapo, físico e emocionalmente. Nem consegui aproveitar nada do nosso sábado na capital do  entretenimento. Eu precisava de uma noite de sono, nada romântico, eu sei.

No domingo pela manhã, fomos numa feira linda. A Califórnia transforma qualquer feirinha na beira da calçada em um evento, com pessoas estranhamente bonitas e bem vestidas. Passeamos em Hollywood, almoçamos um sushi delicia e resolvemos ir para Vegas logo no comecinho da tarde. Eu estava ansiosa. Ele também. "Não vejo a hora de te levar para a nossa casa". Eu também queria chegar na minha casa nova, na minha vida nova.


A cereja no bolo:

Querida filhinha,

Te amo e me realizo quando te sinto feliz e buscando os teus sonhos, que na verdade são meus também. Que Deus abençoe vocês dois nesta nova vida, pois depois da dúvida, da tomada de decisão, das renúncias, da longa espera e da incerteza do futuro, vocês são vitoriosos e hoje estão começando uma segunda etapa dessa história que tem tudo para ser linda e feliz. Fiquei orgulhosa de ti e do meu genro pela garra e vontade de fazer acontecer o que então planejaram. Tu embarcou e voaste para o futuro, para tua felicidade. Coisas ruins e obstáculos irão acontecer, mas lembra que as coisas ruins passam e as boas se eternizam. Estamos sentindo muito a tua falta, mas podes acreditar estamos felizes por ti, com o coração apertado, mas sereno, pois estás onde querias estar. A tua família vai ser sempre tua família e agora a família do Jared. Agora se cuidem e vivam todos os momentos com a certeza de que serão muito felizes. 

Mamãe



9 comentários:

  1. Não tem jeito não, o apoio de uma mãe faz toda a diferença. Que seria do mundo sem essas criaturas hein??? Bj Lana

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    1. Nem me fala Lana. Mãe eh mãe!! Estou mortinha de saudades da minha :( beijokas

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  2. Eu tinha me esquecido dessa parte.....a Imigração....a parte mais assustadora de todas as viagens, no seu caso então era desesperador...rs.
    Imagino sua cara na alfândega dizendo q ia visitar o namorado com as malas abarrotadas! Mas 3 horas foi cruel, imagino pro Jared te esperando!
    Bjos

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    1. Nunca mais chego por L.A! Eh muita loucura! Se bem que daqui para frente as coisas devem ficar mais facies!! daqui uns dias chega o casamento :P beijo beijo

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    2. daqui uns meses! sorry vai ter que continuar lendo :P haha

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  3. Menina quanta tensao,rsrs. Eu tbm tive a "sorte" de pegar uma agente de imigracao bem chata quando vim aqui pra Alemanha, mas bem feito, quem me mandou vir por Portugal achando q sem o obstáculo do idioma seria mais fácil?
    Achei seu blog hj através de um blog amigo e desde já te desejo toda sorte e bencaos nessa nova etapa!

    Beijao!
    dasaxoniaabaviera.blogspot.de

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    1. hahaha vc viu, Ka?! Aqui eh sempre com emocao! E pelo jeito ai tbm! hehe Muito obrigada pela visita, pelo comentario e pelo carinho! Volta sempre! Beijao!

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  4. Chorei com a mensagem da sua mãe!
    Imaginei a voz da minha falando isso. Que linda!

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