29 de novembro de 2012

peguei o buquê

30 de junho de 2012.

Eu sei que eu já estava lá em julho, mas vou ter que voltar um pouquinho no tempo para falar do casamento da Camila e do Igor. Conhecemos eles em uma viagem curtinha para Philadelphia no ano passado, através de amigos em comum. Mas, brasileiro no exterior tem ímã. Na maior parte dos casos, a gente mal se conhece e se identifica na hora. Quando menos esperamos já somos amigos de longa data.

Dito isso, esse ano eles resolveram casar em Vegas e nos convidaram para dividir esse momento tão especial com eles. A festa começou na sexta-feira, quando fomos todos de limousine para um Strip Club. Total Vegas Experience!

Geeeente, eu nunca tinha ido num lugar desses e preciso confessar que achei um máximo. O andar de baixo era para o público masculino e o de cima, para o feminino. Entramos no elevador sem saber direito o que nos esperava no outro lado da porta. Logo demos de cara com homens de bunda de fora, melhor dizendo, de fio dental. Só Jesus na causa. Ca-da homem. Um poço de gente feia, só que não. Espero que o Jared não traduza essa parte.

Enfim, chegamos todas meio tímidas. Estrategicamente, o valor da entrada inclui dois drinks e o garçom seminu já traz os dois juntinhos, para a mulherada se soltar mesmo. Não deu outra! Foi difícil nos tirarem lá de dentro, mas saímos e nos reencontramos com os nossos reles mortais namorados, noivos e maridos, que por sua vez esperavam mais das moças do Strip. Ou pelo menos, foi isso que eles nos disseram, tendo em vista que um deles perdeu até a carteira.

Chegou o sábado, dia 30, e nos reunimos na capela para assistir à união dos noivos. Tudo bem ao estilo de Vegas, mas com a simplicidade do amor dos dois e a presença de muitos amigos e família. Apesar de ter sido meio rápido,  porque casamento nessas bandas é um negócio muito lucrativo e com bastante procura, foi muito intenso e quase dava para tocar a felicidade deles.



A festa foi num restaurante no Planet Hollywood. Comemos, dançamos e chegou a hora de jogar o buquê. Eu fiquei um pouquinho mais para trás, afinal de contas, eu já estava a caminho da forca mesmo. Até o momento em que a Camila jogou o buquê muito forte e caiu atrás de uma mesa alta nos pés de dois caras.

Eu olhei o buquê, o buquê olhou para mim e o ser competitivo que existe em mim saiu correndo de vestido e salto alto, passou por baixo da tal mesa e catou o buquê do chão. Levantei toda errada, com o cabelo despenteado a tempo de ouvir alguém dizer: "não valeu, tem que jogar de novo".

A noiva me olhou com o buquê na mão, com a minha cara de não sei o quê e respondeu: valeu sim, o buquê é da Fabi! Ufa. Que fofura de noiva. Depois de todo o sacrifício, eu queria aquele buquê e ponto. Era meu.

Cada dia, a nossa história ficava um pouquinho mais palpável, através dos momentos que fomos vivendo juntos, dos amigos novos que conhecemos juntos e de todo o resto que agora fazíamos juntos e não separados por literais dez mil quilômetros.

A nossa vida nova tinha começado. Junto com a vida nova da Camila e do Igor. Quero deixar registrado que desejamos para eles que essa nova vida seja cheia de felicidade e sonhos realizados. Muito obrigada por dividir a alegria de vocês com a gente! Cheers.

22 de novembro de 2012

insanidade do ócio

Julho de 2012

Depois de ficar um mês e meio sozinha em casa durante o dia, todos os dias, a insanidade começou a bater. Apesar de eu me dividir entre as tarefas da casa, o nosso filhote Chima, livros, o blog e as redes sociais em geral, comecei a ficar meio enlouquecida. Pior do que eu já sou na minha "normalidade". Ao que vocês devem estar se perguntando, porque diabos que eu não arrumo um trabalho ou algo produtivo para fazer.

Para quem ainda não sabe, a resposta e fácil: imigração. Para eu poder trabalhar, estudar e ter uma vida normal aqui, eu preciso me casar. Eu sabia muito bem disso, por isso demorei tanto tempo para entrar naquele avião. Bom, vocês já devem saber que eu não quero me casar. Ou não queria. Pelo menos, não agora. Não, por um bom tempo. Não sei explicar o porque desse meu receio. Afinal casamento não é esse bicho de sete cabeças. Ainda mais hoje em dia, em que infinitos casamentos acabam em divórcio. Casou, não dá certo, separa. Será?

Na minha cabeça,  essa matemática não é tao fácil. Se passar por um fim de namoro  foi relativamente difícil imaginem um divórcio. Deve ser um desgaste e tanto. Sem falar no estado civil, que muda para sempre. Solteira, nunca mais. Logo eu, que aprecio tanto a minha solteirice. Daqui para frente, será casada, divorciada ou viúva. Se eu já me acho muito nova para ser casada, imaginem então ser desquitada ou, que Deus não me ouça, viúva

O papel e os rótulos são o de menos, eu sei, só estou sendo dramática. O importante mesmo é: estou preparada para dar esse passo? Estamos preparados? Infelizmente ou felizmente,  temos uma maneira de descobrir. E vocês, estão preparados? Se eu casar, vou ter que trocar o nome do blog?

De qualquer forma, ainda não está bem nessa hora e resolvi ocupar o meu verão no hemisfério norte com projetos de decoração para casa, yôga, aulas online, tudo e qualquer coisa que ocupasse a minha cabecinha pensante, que definitivamente não se torna produtiva no ócioPelo contrário.

Para falar a verdade, às vezes, até sai alguma de produtiva. Olhem o sofá que o Jared fizemos de pallets. Com o dinheiro das cervejas que tomamos no processo de lixar, pintar e envernizar as pallets dava para ter comprado um sofazinho para o pátio na loja, mas ai não teria seria tão divertido.



Por enquanto, a vida a dois anda no melhor astral. Tudo sob controle, capitão. Toca o barco.

21 de novembro de 2012

dia dos namorados

De volta à junho.

O dia dos namorados no Brasil estava chegando e uma amiga minha que trabalha no jornal Força do Vale de Encantado me pediu um textinho sobre a nossa história. Escrevi, mandei, ela ajustou e tá aqui o resultado. Estamos famosos nos interior do Rio Grande do Sul. =)


19 de novembro de 2012

1 ano sem querer casar

Hoje não é quinta-feira e eu sei bem que ando meio sumida, mas eu não poderia deixar de escrever. Hoje, no dia que essa loucura de blog invadiu a minha vida. No dia 19 de novembro do ano passado, eu resolvi contar a minha história aqui. A ideia era tirar do meu sistema e dar vida própria ao que estava acontecendo comigo. Virou vício, terapia, diário, projeto de livro e até um compromisso.

Na época, foi a maneira que eu encontrei de lidar com a situação. Era pra mim, mas depois de um ano essa história não é mais só minha. Ela se tornou muito maior que eu e às vezes até me engole. O blog foi crescendo devagarinho e agora tem um grupo de leitores que acompanham todos os capítulos desse livro virtual e acabaram se tornando minhas testemunhas. Eu nem sei o que dizer para essas pessoas tão especiais.

Muitas vezes, eu questiono toda a exposição que isso representa na minha vida e também na vida do Jared, que apesar de não ter gostado muito da ideia no começo, hoje em dia me incentiva bastante. Penso nas críticas e possíveis más interpretações, mas logo esqueço. Afinal, abri essa porta enorme para minha vida pessoal e mesmo que um dia eu a feche, sempre vai ficar uma brecha e eu tenho plena consciência disso.

Em contra partida, toda a semana eu recebo um comentário de alguém novo, que achou o blog por acaso e ficou preso por horas. Toda a semana eu recebo os comentários das mesmas pessoas que sempre voltam, se identificam com a historia e trazem uma palavra de carinho e apoio. A cereja no bolo,claro, é o exercício de escrever, que me completa.

Tantas coisas aconteceram nesse ano, algumas que talvez eu tenha previsto e muitas que eu nunca imaginei. O blog é um retrato simples e claro dessas coisas todas. Coisas que eu, sinceramente, ainda não tenho coragem de reler. Por isso, sinto que devo me desculpar por eventuais repetições ou desencontros no percurso. Sei que um dia vou ler o blog de cabo a rabo e, sendo perfeccionista do jeito que sou, vou querer reescrever tudo. Porém, esse não é o proposito. Ser perfeito nunca foi o objetivo aqui. Esse é um espaço de fraquezas, que ironicamente, me mantem firme e forte.

Por isso, hoje quero agradecer a todo mundo que acompanha, dá pitaco ou não. Todo mundo que lê, que ri e chora comigo. Todo mundo que passa pelas mesmas coisas e torce para o nosso final feliz. Vocês tornaram esse espaço maior do que eu previ. Eu não podia estar mais feliz em ter esse refúgio e de saber que vai estar aqui para sempre, esperando um leitor desavisado se perder ou pronto para eu abrir a minha caixinha de memórias. 

Através da escrita, o blog me mostra a dimensão da minha realidade e me dá a noção de que tudo que aconteceu comigo não foi em vão. Nada é em vão, a gente que sem querer esquece como chegamos onde estamos. Um brinde ao amor, aos contadores de histórias e às histórias a serem contadas. 

Eu penso que a única pessoa para quem o escritor tem obrigações é para com ele mesmo. Se o que eu escrevo não preenche algo em mim, se eu não sinto honestamente que é o melhor que posso fazer, então fico infeliz.
Truman Capote

1 de novembro de 2012

saudade

Junho de 2012

Metade de junho bateu na minha porta com uma mala cheia de saudade. Fazia apenas um mês que eu tinha chegado, mas aquele final de semana fui um combo fatal de nostalgia: 15 de junho, sexta-feira, aniversário da minha mãe; 16 de junho, sábado, formatura em medicina de uma grande amiga; 17 de junho, domingo, aniversário da minha avó querida.

Estar longe de casa naquele momento não fazia nenhum sentido para mim e foi difícil evitar a pergunta "o quê eu estou fazendo aqui?". A resposta eu já sabia. Estava ali, do meu lado, na minha frente, disposto a me fazer feliz da maneira que ele podia. Assim, apenas o pensamento, a pontinha de dúvida, a pergunta recorrente, me encheu de culpa.

A mesma culpa que me acompanhou por tanto tempo. A culpa de ir embora e deixar a família e os amigos ou a culpa de ficar e deixar ele. Eu era uma culpada convicta. Ou pelo menos, eu me sentia assim. Naquele final de semana, fiquei com o coração apertado por não estar lá e fiquei com o coração apertado por querer estar lá. Quanto aperto!

O Jared tentou me manter ocupada e fez de tudo para ter o telefone fixo com ligações ilimitadas para o Brasil instalado a tempo. E teve. Consegui ligar para a minha mãe e para a minha vó nos respectivos aniversários e assisti a Jô receber o diploma pela internet. Um viva para a tecnologia. Não me senti tão longe. Até porque estar longe é diferente de estar distante. De uma forma ou de outra, eu sempre me sinto muito perto das pessoas que são importantes para mim.

No entanto, aquele final de semana foi uma prova de todos os bolos de aniversário que eu vou perder. Todas as festas de casamento, batizados, formaturas que eu não vou comparecer, alguns Natais, viradas do ano, nascimentos e até velórios. O mais provável é que eu não esteja presente, uma verdade difícil de lidar e acho que nunca vai ficar mais fácil.

Acredito que com o tempo, algumas coisas vão melhorar, talvez a saudade de casa se amenize. Porém, o fato de estar ausente em determinados momentos vai doer para sempre. Mas, eu gosto de pensar que as coisas acontecem na vida da gente do jeitinho que elas tem que acontecerem e dois dias após o meu final de semana saudoso, a companhia aérea Copa criou um voo semi-direto de Las Vegas para Porto Alegre.

Mesmo assim, vou continuar não podendo estar tão presente o quanto eu gostaria, mas confesso que a notícia foi um conforto e tanto. Foi um abraço da vida, dizendo, viu, eu sei o que eu estou fazendo contigo. Segura a tua onda, Fabiana.

SAUDADE
Brazilian Portuguese: [saw'dadi] or [saw'dadʒi] is an unique Portuguese word that has no immediate translation in English. Saudade describes a deep emotional state of nostalgic longing for an absent something or someone that one loves. It often carries a repressed knowledge that the object of longing will never return.