26 de dezembro de 2013

maratona

23 de novembro de 2013.

A festa continuou no dia seguinte com um churrasco bem gaúcho na casa dos meus pais. Familiares, padrinhos e amigos de longe passaram o domingo com a gente, o que deu para compensar um pouco a loucura da noite de sábado e ter uma conversa maior que duas palavas com cada um.

Foi um dia lindo, de novo. Sol, festa, comida, bebida e gente querida. Eu gostaria de ter me transformado em uma esponja para absorver tudo e mais um pouco de tudo mundo, mas juro que vou parar de reclamar.






Cada grupo que ia embora no decorrer do dia, se despedia, batia foto na frente da casa, acenava um tchauzinho enquanto alguém secava uma lágrima teimosa. E assim foi o domingo, um dia nostálgico por si só, que virou especial e cheio de memórias, com boa parte das minhas pessoas preferidas no mundo.


Segunda, terça e quarta, nos transformamos em guias turísticos e alugamos uma van para levar os americanos e franceses ainda em Charmed City para conhecer os encantos do Vale do Taquari. Eles adoraram e a gente também. Comemos do bom e do melhor, com destaque para o carreteiro de carne de churrasco com feijão, feito pelos meus pais. Não sobrou nem o cheiro!

 

Na quarta-feira de manhã, o nosso último grupo de convidados foi embora e nós podemos curtir exclusivamente a minha família e amigas de Encantado por dois breves dias. Rápido demais, chegou a hora de arrumar as malas de novo.

Sexta-feira nos despedimos da minha vozinha amada, que voltou para Pelotas. Seguimos para a Porto Alegre, para ficar junto com a minha irmã, que estava em semana de provas e de quebra passar mais tempo com meus tios que moram na capital.

Sábado fomos nos camelôs, porque o Jared precisa ir aos camelôs quando vai para o Brasil. Não me perguntem porquê. Finalmente, as 6 da tarde nos dirigimos para o aeroporto. Pela primeira vez, eu tinha o Jared comigo para passar pelas portas do portão de embarque. Mil vezes melhor do que atravessar solo

No entanto, mesmo assim ainda foi difícil. Como já falei aqui, acho que nunca fica fácil. Meus pais tiveram que sair um pouco antes da gente ir embora. A pior parte daquele tchau prematuro foi ver a minha mãe chorando e pedindo desculpas por não poder ficar mais aquele pouquinho. 

Meu coração se quebra em mil pedaços com o fato de que, por causa da minha escolha, eu privo ela diariamente de passar tempo comigo e no entanto ela é quem me pede desculpa por não poder ficar mais um pouquinho no aeroporto. Ai, ai.

Acho que é o tipo de coisa que a gente só entende quando se torna mãe. Falando nisso, a pressão para netos e sobrinhos já começou, mas aviso aos navegantes que os herdeiros vão demorar. Por milhões de infinitos motivos.

Viemos embora. Dessa vez, tive o ombrinho do marido para deitar e espantar a tristeza de ir embora. Assim que descemos do avião em Miami, ele olhou para mim e disse que já estava com saudade do Brasil. Eu também.

Ao mesmo tempo, eu estava com saudade de casa e, principalmente, do nosso Chima. Ainda por causa da Expedia ter trocado o nosso itinerário na última hora, tivemos que fazer uma escala de cinco horas em Miami. Cinco horas, depois de quase 10 horas de voo é para f@$%& o C* do palhaço, né?! Preciso ficar rica logo para acabar com essas palhaçadas de conexões intermináveis.

Depois da longa espera no aeroporto, tínhamos outras infinitas cinco horas de voo até Vegas. Não nos deram nem amendoim para passar o tempo. Eu já não tinha mais sono, posição ou paciência. Graças a Deus, chegamos e os amigos que nos levaram no aeroporto estavam lá nos esperando.

O Jared entrou em casa comigo no colo como manda o figurino, mas não temos fotos porque estávamos acabados! O vizinho já tinha deixado o Chima em casa a nossa espera. Tomamos banho, comemos uma comida chinesa, o ápice de prático, barato e reconfortante e caímos mortos na cama.

Assim foi a nossa lua de mel, dormimos das seis da tarde até às seis da manhã do outro dia! A gente tinha um cansaço físico, mental e emocional enorme. Acho que a lua de mel mesmo será só no ano que vem, numa prainha qualquer no caribe, quando a gente tiver dinheiro e disposição de novo.

Aliás, durante toda aquela semana ficamos no fuso horário do Brasil, indo dormir às oito da noite e acordando às seis da manhã, que nem um casal casado à trinta e cinco anos. Parecíamos uns loucos (na minha cabeça) tomando café e assistindo às notícias às seis e meia da madrugada. Por vontade própria.

No final de semana seguinte, regulamo-nos. Mal nos situamos em casa de novo e já começamos a nos organizar para o final e semana seguinte. No dia 6 de dezembro, já voávamos para Lincoln, para a nossa festa de casamento lá!

Vamos de novo! Arrumar as malas, encomendar bem-casados, acertar detalhes com o Dj, contratar projetor e definir os pormenores da decoração. Eu não queria me casar, mas acabei virando expert. Juro que agora chega, mas semana que vem (ou na outra) eu venho contar como foi a nossa festinha gelada lá na Nebraska.

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Boas Festas!


Espero que o Papai Noel tenha sido bonzinho com todos vocês e desejamos um super 2014 cheio de sonhos realizados e mais sonhos sonhados. Beijo grande nosso.




12 de dezembro de 2013

grande dia

16 de novembro de 2013.

Para ser sincera, o dia 16 de novembro ainda é um borrão. O borrão vermelho do vestido da minha mãe e azul da cor dos olhos sorridentes do meu pai e dos olhos emocionados do meu noivo. Um borrão colorido. Amarelo, cinza e branco.

Quando eu comecei a contar a nossa história, eu tinha um ano entre o presente e o passado que eu compartilhei com vocês. Inevitavelmente, o blog alcançou o tempo real das coisas e hoje me pego escrevendo sobre a semana passada, o que é meio esquisito para mim. E essa é a minha desculpa esfarrapada pela demora do post. Eu estava e ainda estou absorvendo cada minutinho daquele dia lindo.

Aquela conversa de que eu só iria me estressar até a quinta-feira, dia 14 de novembro foi uma ilusão tão distante da realidade, mas tão distante da realidade que eu nem consigo explicar. Eu bem que tentei deixar tudo certinho antes daquela quinta, mas as coisas fora do meu controle desabaram na sexta-feira, junto com a chuva.

Uma chuvarada e doze americanos me deixando zonza de tanto amor e pergunta. Um enxurrada de "Fabi", "Fabi", "Fabi". Entre acomodar todo mundo no hotel, destrancar o Cael (6 anos) do banheiro, dar atenção para a família de Pelotas que já estava chegando, ir no salão ver a decoração e levar o povo todo para comer pizza, eu precisava de umas dez de mim.

Talvez vinte Fabianas para poder dar toda atenção merecida a cada um e curtir as pessoas do jeito que eu queria. Para mim, ficou faltando mais tempo com todo mundo. O tempo sempre falta nessas horas.

Nesse êxtase, quase vício por mais tempo, eu não dormi naquela sexta-feira. Nem um minuto. Mais preocupada do que ansiosa. Preocupada com o tanto de coisas que eu tinha que fazer no sábado, que eu não queria ter que fazer, que já era para estar pronto. Passei a noite pensando em como eu deveria dormir para estar disposta no dia seguinte. Quanto mais eu pensava, menos eu dormia. As seis da manhã, eu finalmente desisti de tentar.

O Jared foi acompanhar o pessoal em um passeio pela cidade. Eu tinha que conversar com o cara da iluminação, terminar de arrumar as mesas, ver onde todo mundo ia sentar, levar os buquês das damas para a cerimonialista, colocar a placa na entrada, ir ao ensaio na igreja e estar no salão de beleza às duas da tarde. Fazer tudo isso, sem carro e sem celular. O meu dia de noiva mais parecia o dia do desafio.

Enquanto a minha mãe se dividia entre levar as minhas amigas de fora no salão de beleza e dar atenção para os convidados que já estavam na cidade, meu pai correu comigo para cima e para baixo. Sem ele, eu não teria dado conta. Fizemos tudo que tínhamos que fazer, não almoçamos e eu me atrasei só meia horinha no salão. Sucesso!

Cheguei lá, encontrei as minhas damas e esqueci de todo o resto. Bebemos champagne e eu virei a noiva, finalmente. Elas, as moças do salão e as minhas damas, me paparicaram, me massagearam, me fizeram as unhas, me maquiaram, me arrumaram o cabelo, me fizeram rir e chorar. 

A minha irmã e cunhada ficaram lá até o último minuto. Desamassaram o meu véu viajado com secador de cabelos (oO), me ajudaram a entrar no vestido e a colocar o sapato. Até que o pai chegou dirigindo um fusca conversível vermelho! Estava acontecendo.

Meu pai estava um gato. Eram 8 horas em ponto. E nós estávamos prontos e ansiosos. Resolvemos ir indo, devagarinho no fusquinha. Chegamos na igreja pelo lado e o Jared ainda estava do lado de fora! Enterrei a cabeça no meio do vestido para ele não me ver dentro do carro.

Enquanto a Silvana se parou na frente do carro, na tentativa de me esconder. O Jared não olhou para trás, apesar da comoção dos padrinhos e das damas que davam gritinhos, me abanavam e mandavam beijos. 

Chegou a hora de entrar na igreja. As pessoas comentaram como eu estava calma e sorridente. Chorar, nem passou pela minha cabeça. No entanto, eu não estava calma não. Eu acho que estava em transe, dopada em serotonina, dopamina e endorfina. Eu estava feliz, numa nuvem qualquer, tentando aproveitar o momento ao máximo.

A cerimônia foi relativamente tranquila. Encontramos um padre mexicano, que falava um pouquinho de inglês e um pouquinho de português. Apesar do sotaque forte nas duas línguas, ele foi ótimo! Eu e o Jared adoramos o padre, que até das palavras esqueceu e me fez rir no altar. Tinha que ser descontraído para ter a nossa cara.

Eu fiz questão de fazer meus votos em português e em inglês para o Jared poder ouvir com todas as letras e me fazer manter minha palavra até que a morte nos separe. E dizem as más línguas que eu dei uma reboladinha no altar, quando o padre nos pronunciou marido e mulher.

 

Saímos da igreja casados de novo, dessa vez sob os olhos de Deus, pais e amigos. Saímos da igreja prontos para a festa e o meu pai nos levou de fusquinha até o local da recepção.


Entramos no salão, abraçamos todo mundo, tiramos fotos com os convidados e quando chegamos na última mesa, o meu cabelo já tinha desmanchado de tão afofada que eu fui. Inclusive, enquanto todo mundo me abraçava e me dizia que eu estava linda (confetes), uma prima super espirituosa da minha mãe, me abraçou e disse: -ai, tás toda babada! Eu morri rindo. A partir daí, vocês imaginam o tsunami de amor que recebemos dos nossos convidados.

E teve mais amor, teve discurso da minha mãe e dos nossos padrinhos de Pelotas, que nos fizeram chorar sorrindo. Teve brinde e muita música. E o semi desastre da primeira dança.

A gente escolheu a música My Girl dos The Temptations, criada em 1960 e bolinha. De lá pra cá, a música teve milhares de interpretações e diferentes versões. No sábado de manhã, o Dj tocou a música para eu ver se era a versão certa. Eu mais tonta que uma barata tonta disse que era aquela mesmo. Mas não era.

Nem Jesus para nos salvar com a música tocando levemente mais rápido do que a versão original, mais vestido longo, mais nervosismo. Logo percebemos que estava tudo errado e começamos inventar uma coreografia. E foi do jeito que deu. O Jared ficou mais de cara que eu. Eu achei até engraçado.

Passou a primeira dança e a valsa e o povo invadiu a pista. Não deu tempo nem de olhar para os lados. Logo em seguida, eu resolvi jogar o buquê, a fim de ficar livre das minhas atribuições de noiva. Tirei o sapato, catei o microfone  larguei um "solta o som Dj"! Eu estava pronta para dançar tudo e mais um pouco.

E dancei, mas faltou tempo para curtir as pessoas individualmente. Fica aqui o meu pedido de desculpas. Era muita gente querida, muita coisa acontecendo junto, sem falar que eu estava ainda no meu transe, alucinando na serotonina e administrando a saia do vestido que o pessoal pisava em cima constantemente.

Se tem uma coisa que eu faria diferente, seria ter absorvido mais. Só mais um pouquinho. Se vocês não casaram ainda, se agarrem nos segundos e acreditem quando as pessoas dizem que passa rápido demais. Porque passa mesmo. Eu não comi, não bebi um copo inteiro de nada, não sentei e não fiz xixi. A festa foi até as 4 da manhã e para mim parece que durou 20 minutos. Mágicos 20 minutos, que ficarão na nossa memória sempre e que valeram a pena.

Foram quase 4 anos dessa história, muitas idas e vindas, chegadas e partidas, mais dúvidas que certezas. Nesse dia 16 de novembro, comemoramos essa história toda, que nos trouxe até aqui. Comemoramos o amor. O nosso amor. Incerto, complicado, que veio com um preço alto a ser pago. Um preço que pagamos juntos e vamos continuar pagando, dessa vez com mais certezas do que dúvidas, menos chegadas ou partidas e sem idas e vindas.

Um viva ao amor! Um viva a esse novo capítulo das nossas vidas! O nosso felizes para sempre começa aqui. Assistam o vídeo no link ao lado e o nosso muito obrigada a todos vocês que subiram no altar com a gente, pessoal ou virtualmente. Um beijo, agora oficialmente, Fabiana Ubben.

5 de dezembro de 2013

foi dada a largada

9 de novembro de 2013.

Naquele sábado de manhã começou a nossa maratona. Eu acordei bem antes do despertador tocar, chegou o dia de ir para o Brasil. Ir para o Brasil é a coisa mais linda do mundo para mim, com ou sem casamento. Banho, café da manhã, largar o Chima nos vizinhos fofos, colocar as malas no carro dos amigos que nos levaram para o aeroporto. As malas quase não cabem, o carrinho de bagagens no terminal 3 custa 5 dólares, mas está tudo lindo, muito mais bonito que o normal. 

Nada ia me tirar do meu melhor humor. Nem o fato de que a Expedia mudou o nosso itinerário na última hora e depois de passarmos duas noite no tele atendimento, conseguimos manter o voo original, mas pegamos os piores acentos do avião. Pela primeira vez, iríamos para o Brasil juntos, mas em lugares separados do avião.

Quando compramos as passagens lá em março, cuidadosamente escolhemos os nossos lugares. Depois de fazermos uma escala em Washington DC, embarcamos no voo para São Paulo. Eu e ele com acentos no meio de outras pessoas. Sabe, aquele lugar infeliz no meio de dois estranhos? Onde o ser humano fica espremido por dez horas, sem poder se encostar em nada? Tentamos trocar, mas o avião estava lotado e ninguém queria nossos maravilhosos acentos! Mas, tudo bonito, tudo lindo. O importante era chegar e chegar com as malas.

Acabei sentando entre dois brasileiros que estavam nos Estados Unidos à trabalho. Um deles caiu no sono antes da decolagem e outro dividiu comigo uma das histórias de amor mais legais que eu já ouvi na vida. Eu sei que vocês estão curiosos para saber os detalhes do casamento, mas antes eu preciso dividir com vocês a história do Renan e da Natascha. 

A gente começou  a conversar e eu disse que estava indo casar no Brasil. Ele disse que tinha se casado a três semanas atrás e que ainda nem tinha conseguido curtir a nova esposa. Com a viagem para os EUA logo após o casamento, o jeito foi encher a mala com presentes para ela. Maridos, anotem isso.

Aí ele me contou que eles se conheceram no cemitério, há anos atrás. E de repente, parou de contar e disse: - não vou te contar, vou te mandar um vídeo. Vocês imaginem a minha cara de "como assim, se conheceram no cemitério?" e, pior, "como assim, não vai me contar?".  Ele não sabia que a curiosidade jornalística pode ser letal. Então ele anotou meu e-mail no saquinho do vômito e foi isso: tive que esperar. Do mesmo jeito que vocês estão esperando (e querendo me matar) o texto sobre o casamento que não sai nunca. 

Pois bem, aqui está o vídeo. Muito obrigada Renan e Natascha por me autorizarem a publicá-lo no NQMC. Desejo que vocês sempre lembrem das adversidades, idas e vindas que os uniram e o que final feliz de vocês seja todos os dias.



Semana que vem, eu volto com mais sobre o nosso grande dia. Prometo. Está no forno. Está no forno.


8 de novembro de 2013

malas prontas

Para falar a verdade, as malas já estão semi-prontas desde o começo de outubro. Eu adoro fazer malas, não me contenho. O Jared implica comigo, mas não me incomodo. Vou colocando tudo na mala. 

De lá para cá, eu venho só adicionando mais e mais tranqueiras. Estamos levando umas coisas super absurdas, como 15 bloquinhos de madeira para colocar números nas mesas. Estes, que irão na bagagem de mão porque parecem pacotinhos de droga. Então, se está na bagagem de mão, pelo menos a gente consegue explicar o que eles realmente são. Imaginem a confusão!

Outras coisas que vão na mão, não é nem na bagagem de mão, é na mão mesmo, são o meu vestido e o terno do Jared. Com o histórico dele de perder malas no caminho para o Brasil, esse assunto nem entrou em discussão. Tudo que vamos vestir e usar no dia do casamento vai dentro do avião com a gente. Coladinho.

Nas malas que vão no bagageiro do avião, estamos levando 60+ pares de chinelo para a galera dançar até o amanhecer. Torçam para que a imigração não ache que estamos contrabandeando chinelos. Isso, entre outras bizarrices e presentes, que resolvemos comprar aqui em função do custo e tempo curto que teremos no Brasil.

Posso dizer para vocês que acredito que está tudo sob controle. É só ir e chegar com tudo bonitinho lá. Saímos daqui em menos de 24 horas! Coração na mão. Ao mesmo tempo que quero entrar logo no avião, já estou sofrendo com saudade antecipada do meu Chima, que vai ficar sob os cuidados dos meus vizinhos fofos.



Enquanto a hora de embarque não chega, estamos aqui ficando lindos de viver para o grande dia!



PS. - Não me esperem semana que vem, estarei surtando esperando meus convidados internacionais no aeroporto. Sur-tan-do. Beijos para minhas leitoras queridas. Torçam para eu não perder o pouco da sanidade que me resta e até a volta! =)


31 de outubro de 2013

para sonhar

Gente! Tá chegando o dia e o dia não para de chegar. Estou uma pilha de nervos. Mas, é um nervosismo gostosinho. Se é que isso pode.

O estômago já nem tem mais borboletas, agora são papagaios, tucanos, jacarés e ursos polares. Acordo no meio da noite para ir no banheiro e fico me dizendo: Fabiana, não pensa no casamento, pensa em outras coisas. Uva. Banana. Abacaxi. Morango. Morango? A sobremesa do casamento tem morango. Não, Fabiana, não pensa no casamento. Volta a dormir, Fabiana. Olha que delícia de travesseiro, vai dormir. 

Às vezes dá certo e eu volto a dormir, outras vezes eu fico uma hora me virando de um lado para outro na cama, tentando lembrar o que eu estou esquecendo. E assim vai.

Na academia é a mesma coisa, um dia me peguei com os olhos cheios de lágrimas na esteira imaginando encontrar minha amiga Cindy no aeroporto, que não vejo há 3 anos. 3 anos! Aí eu já começo a imaginar todas as outras coisas e começo a sorrir no meio do elíptico. O povo da academia deve achar que eu tenho problemas. E eu tenho mesmo. Pelo menos, essa maratona emocional está me ajudando a emagrecer os últimos quilinhos antes de entrar no temeroso vestido branco.

Falando nisso, a costureira me disse com todas as letras que eu NÃO posso emagrecer. hahaha Achei o máximo. O vestido está certinho, diz ela. Se eu emagrecer vai ficar feio. Oi, Brasil? Nunca achei que eu ia ouvir isso de alguém de forma tão sincera. "Não é pra emagrecer." Claro que eu não concordo, era para ter encomendado um tamanho menor! Mas enfim, continuo saboreando as palavras da costureira e azar do mundo magro. Suck it, bitches! (Sorry, I had to).

Como estou aqui sonhando dormindo e sonhando acordada, vou deixar vocês nesse climinha. Semana que vem tem mais um pouquinho de expectativa e antecipação. E depois vem o grande dia! =) Happy Halloween.




24 de outubro de 2013

sobre ele

Um dia, eu prometi que ia escrever um post inteirinho sobre o Jared. Chegou o dia. É difícil colocar em palavras tudo que ele representa para mim sem ficar parecendo aquelas adolescentes chatas. Se o estômago de vocês é sensível à melação, parem de ler aqui.

Esse blog foi sempre para mim e sobre mim. Os sentimentos e personalidade do Jared quando apareceram aqui foi através do meu ponto de vista, em conjunto ou contraste com os meus sentimentos. Nunca escrevi sobre ele e tão só ele.

O Jared nasceu no dia 4 de agosto de 1986. Na capital do estado da Nebraska. No meio do país. O lugar de onde ele vem, define muito quem ele é. As pessoas lá tem um coração enorme e só indo para Lincoln para saber.

Desde o comecinho dessa história toda, ele sempre disse que eu ia ser dele. No sentido figurado, é claro. Não vou entrar nesse mérito, obviamente, mas acho que o fato de eu ser tão dona do meu nariz, foi o que mais motivou a ele a querer " me ter".  Eu, por também ser um pouco teimosa, me identifiquei com a teimosia dele e acabei querendo que ele "me tivesse". Sim, porque no começo, foi tudo teimosia da parte dele. Homem teimoso demais.

Ele queria ficar comigo custe o custasse. E não falo isso para me gabar. Não me levem a mal. Em muitos momentos, eu quis que ele não me quisesse mais. Não seria o primeiro. Talvez nem o último. No entanto, mais do que querer, ele estava determinado a passar o resto da vida comigo. Não tinha jeito. 

Determinação é sempre a primeira coisa que eu penso, quando eu penso no Jared. Depois vem trabalho, dedicação, simplicidade e diversão. Ele trabalha mais do que todo mundo que eu já conheci na vida. Ele trabalha demais. Esse trabalho todo e tão somente essa dedicação, levou ele ao cargo de vice-presidente da empresa. Dedicação que ele também tem comigo e com o nosso relacionamento.

O Jared tem orgulho, mas não é orgulhoso e quando eu falo trabalho, eu falo trabalho intelectual e braçal. Ele não tem medo de meter a mão na massa. Não tem frescura. E aí, entra a simplicidade. 

Ele é simples, fácil e descomplicado. Ele é seguro. Seguro o suficiente para me pedir desculpa, mesmo quando ele não está errado. Não por ser babaca, mas por ser uma pessoa muito melhor que eu, que joga tanto tempo fora remoendo as coisas, enquanto ele vive.

Ele vive e me ensina a viver. Não custa muito para gente ser feliz. A gente faz uma jantinha qualquer e fica tudo gourmet, porque a gente faz junto, com carinho e diversão. Essa é a outra coisa que define o meu Jared. Bom humor. A gente ri um do outro e a gente chora de rir junto. As pessoas sempre dizem que a gente deve casar com quem nos faz rir. Eu não só concordo, como aceitei o conselho e estou prestes a aceitar de novo.

Nem tudo são flores e nunca foi minha intenção criar uma imagem ilusória de nós dois. Acho que vocês sabem disso. A gente briga sim, mais do que deveria. A gente se implica. A gente quase fica de mal, mas nunca dura.

Às vezes eu dou o braço a torcer, às vezes ele. A gente é flexível. Exercitamos flexibilidade todos os dias. E vamos para a academia juntos. Vamos escalar juntos. Vamos no supermercado juntos. E no shopping. Eu não sei mais comprar roupas sem o Jared. Critiquem-me. Eu não gosto de comprar roupas sem o Jared. 

O Jared pinta e dá banho de creme no meu cabelo. Eu dobro as cuecas dele e separo as camisetas por cor. E isso não faz nenhum de nós dois menos homem ou menos mulher. Fazemos um para o outro. E pronto.

A gente faz as contas da casa juntos. Dorme e acorda junto. Toma banho junto. Sai para jantar, para dançar e vamos ao cinema. Agora a gente dança sem sair de casa. Jogamos vídeo games, fazemos projetos de decoração na garagem e enchemos a cara.

Uma vez ele me disse, que quando dividia um apartamento com os melhores amigos, tinha dias que ele não queria nem ver os caras. Ele enchia o saco. Ele não entende como ele não se enche o saco de mim. Nem eu, para falar a verdade. E isso já faz um ano e tanto. Quem sabe daqui um tempo? Que esse tempo não venha.

A gente faz tudo isso juntos e não deixamos de ter as nossas individualidades, particularidades. Sabemos existir sem o outro, mas não queremos. E agora, não precisamos. Outra coisa que as pessoas dizem, tão sábias e cheias de palpites, é que devemos casar com o nosso melhor amigo. Ficou desnecessário dizer mais.

Estou aqui na expectativa, contando os dias para casar de novo com o amor da minha vida, o meu maior fã e incentivador e o meu melhor amigo, por tão tão mais clichê que seja. O amor é clichê. E a gente também.

17 de outubro de 2013

falta um mês

Quando eu estava na primeira série, minha professora da época foi reclamar para a minha mãe que eu conversava demais com os meus coleguinhas. Vocês acreditam numa coisa dessas? No entanto, o meu rendimento escolar era bom, o problema era que eu fazia os meus exercícios rápido para poder papear.

Assim sendo, eu comecei a receber tarefas extras da professora, a fim de me manter ocupada e quieta. Prova que ela era uma excelente professora, é que essa técnica funciona até hoje. Aqui estou eu, ocupada e quieta. Por isso, não dei as caras por aqui semana passada.

Eu sou aquele tipo de pessoa que funciona muito bem com uma lista de afazeres. Enquanto a lista não termina, eu quase não durmo. Assim tem sido os meus dias, um item da lista de cada vez. Como todo virginiana que se preza, sinto um prazer quase orgasmático em riscar itens da minha lista. 

Falando em signo, se eu pudesse escolher um mês da minha vida para não ser virginiana, seria esse, com certeza. Minha personalidade perfeccionista, detalhista, exigente e controladora está acabando comigo! Eu não me aguento mais. 

Mas enfim, ao mesmo tempo estou feliz. Feliz mesmo. Sei que se nada sair do jeito que eu estou planejando, é porque vai ser melhor do que eu planejei. Bem do jeitinho dessa vida de casada fora do país que eu nunca quis, mas que hoje não consigo imaginar não viver. 

Estou me auto-condicionando para me estressar bastante até quarta-feira, dia 13 de novembro. A partir de quinta, estarei proibida por mim mesma de surtar. Vou focar no essencial e não nos detalhes, nas pessoas e não nos guardanapos, nas emoções e não nas flores.

Me desculpem a brevidade, mas preciso voltar para a minha lista. Já está me dando uma coceira. Como eu gostaria de poder convidar todos vocês que acompanham o NQMC, aqui vão as fotos do convite. Se sintam convidados de coração. Muito obrigada pelo carinho de todo mundo que vem sempre aqui, torce, ri e chora com a gente. =)




3 de outubro de 2013

dois pra lá, um pra cá outro acolá

Outubro de 2013.

O noivo não sabe dançar. Na verdade, ele até dança, mas falta um gingado no bichinho. Deve ser uma coisa de Brasil. Ou uma coisa minha, que fui criada por um pai, que cresceu nos CTG's (Centro de Tradições Gaúchas) da vida. O meu velho dança tão bem que eu mal consigo acompanhar. Danço uma e devolvo ele para minha mãe que já tem quase 30 anos de estrada.

De qualquer forma, o fato de o Jared não saber dançar só piora com a ideia de que ele acha que sabe dançar. Sim. Ele acha que sabe dançar. Nada disso seria problema, se não fosse por um momento conhecido como primeira dança dos noivos. 

Tendo isso em vista, nós concordamos em fazer umas aulinhas de dança de casal para soltar os ossos e coordenar os esqueletos. Quando a gente sai para dançar aqui, só toca música de balada. Não tem nem um pagodinho, nem nada.

Lá em junho, fomos em alguns estúdios dar uma olhada e o Jared acabou gostando de um professor bem descolado, chamado Martin. Eu achei que ia ser uma experiência legal. Mais um tempo que a gente investe na gente e no nosso relacionamento. O resultado só pode ser bom. Né?

Não necessariamente. Começamos as aulas em agosto, porque o mês de julho se perdeu no calendário. O Jared me fez jurar de pé junto que eu não ia contar para ninguém que eu arrastei ele para aulas de dança. Então, é segredo nosso. 

Foram oito aulas, que oscilaram entre muito amor e ódio. A linha do tempo de sentimentos foi a seguinte: entusiasmo, diversão, frustração, stress, tensão, instinto assassino, confiança, cumplicidade e realização.

Terça-feira foi a nossa última aula. Um viva para nós! Estamos bem felizes com o resultado do esforcinho que fizemos juntos. O Jared mais feliz ainda por não precisar mais dançar com o professor. O que me fazia morrer de rir. Se vocês vissem a cena, iam rir junto.

Além disso, também estou um pouquinho orgulhosa em saber que puxamos os nossos limites de casal mais uma vez. A gente sempre sai mais forte. A nossa primeira dança não vai ser nada de outro mundo, bem longe de uma dança dos famosos, mas pelo menos a ideia de dançar no casamento não nos assusta mais.

A gente finalmente consegue dar dois pra lá, dois pra cá sorrindo e sem se enredar um no outro. Os longos dois minutos e trinta segundos da música que escolhemos deixou de ser uma eternidade e voltaram a ser apenas dois minutos e trinta segundos. 

Dançar juntos é uma metáfora óbvia para falar de casamento. A vida a dois exige muito rebolado. Um tem que entrar no ritmo do outro. Casamento para mim é isso. É funcionar bem junto. Encaixar. Infelizmente não adianta ter amor, se não tem encaixe, se não tem ajuste. Não adianta. Ame as suas plantas.

Quando o negócio é casamento, o amor é metade, o resto é afinidade, amizade e trabalho em equipe. E a nossa dancinha representa um pedacinho disso tudo. Só falta a gente fazer certo no dia. Chega logo dia.

30 de setembro de 2013

modeletes

Aí que o Shutterfly fez um post por mim. Um, não. Dois. Por $10 de desconto na minha próxima compra eu disse que colocaria o guestbook no blog. Cliquei YES, achando que eu teria a chance de dar uma editada, escrever algumas coisinhas, mas só hoje percebi que já estava feito o carreto, como dizem lá na minha terra.

Então, aqui estou eu editando post já postado, porque já que caiu no blog vai ficar. Lá em março desse ano, eu conheci uma brasileira chamada Adriana, que mora aqui há dez anos! A Adri e o maridão Fábio são fotógrafos de casamentos aqui em Las Vegas.

Um dia, eu disse que precisava de fotos e ela disse que precisava de textos. A coisa óbvia a fazer era trocar fotos por textos. E trocamos. Eu escrevi uns posts para o blog deles em português, mais uns textinhos para o site e eles fizeram esse ensaio super fofo da gente.

Foi um dia mega divertido. Eu queria as fotos para fazer um livro de presenças personalizado. Total narcisismo, eu sei. Mas, enfim, tá aqui o livro de presenças extra cheesy, como o Jared diz, melado demais.

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E já sabem, se beberem água contaminada com essa ideia de casar em Las Vegas e precisarem de fotógrafos, fica a dica. Fica dica tá tão manjado, que quando eu preciso usar eu me sinto babaca. Coisa mais babaca, mas fica a dica. Vocês encontram eles nos sites http://fabioandadri.com/br/ e http://fabioandadri.com/

26 de setembro de 2013

o dia que não era para chegar, chegou

12 de setembro de 2013.

Aconteceu  a coisa mais que eu mais temia: perdi um dos meus avós. A mãe do meu pai nos deixou numa quinta qualquer, que virou a pior quinta-feira de todas. A vida é muito truculenta e faz questão de jogar na cara das pessoas o quão despreparados nós somos. Somos pequenos. Minúsculos.

Antes de eu decidir vir para cá, eu pensei muito nisso. Pensei que a minha avó ia morrer e eu não ia estar presente. Pior do que isso, pensei que eu ia perder os últimos anos de vida dela e chamei ela para uma conversa séria. Acho até que já contei para vocês. Ela me disse que a gente já tinha muitas memórias juntas e que quando ela morresse, eu não poderia fazer muito coisa. Era para eu vir e ser feliz.

A ironia da coisa toda é que essa avó, continua viva, firme e forte. Batam na madeira comigo. A minha outra avó foi que me deixou. Sem aviso, sem preparo, sem conversa. Eu nunca tive medo que ela fosse morrer, pelo simples fato de que eu acreditava com todo o meu coração quando ela me dizia que ia viver muitos e muitos anos.

Ela não tinha nenhum problema sério de saúde e gostava tanto de viver que nem cogitava a ideia da morte. Muito menos eu, muito menos nós. Foi uma puxada de tapete e tanto.

Eu falei com ela na quarta-feira, dia 11. Ela disse que queria comprar um computador para poder me ver. Pedi para ela fazer um videozinho dela e do vô dançando para eu poder montar uma coisinha para o casamento. Ela achou a ideia muito bonita e ainda para completar falou que andava com uma dor nas costas, mas que estava se cuidando para poder dançar bastante no casamento. Ela adorava uma festa.

Mandou beijo para o Chima e para o Jared. Ela sempre repetia o nome dele duas ou três vezes, tentando dizer "certo". Desligamos. Na manhã seguinte, outra ligação. Não era dela.

Era cedo. Eu tinha largado o Jared no trabalho e mal tinha chegado em casa para começar o meu dia. Ele me ligou e disse com a voz apressada. - Eu só quero te avisar que estou chegando em casa daqui uns cinco minutinhos e não tenho a chave da frente. Vou bater na porta.

Eu prontamente perguntei: - por que tu tá vindo pra casa? Aconteceu alguma coisa? Ao que ele respondeu: - já estou chegando, cinco minutinhos. Eu desliguei o telefone sem insistir numa resposta concreta, porque não gosto que ele fale no celular enquanto dirige. 

No entanto, assim que eu desliguei, minhas pernas amoleceram e eu sabia que alguma coisa terrível tinha acontecido. Liguei de novo. Cinco minutos era muito tempo. 

- Jared me diz o que aconteceu. 
   Ele não falava nada.
- Jared tua família tá bem? Minha família tá bem?
- To chegando, to aqui na esquina.
- Jared me diz, pelo amor de Deus.

Nessa hora, eu já estava na frente da casa e vi o carro da empresa dele dobrar na nossa rua. Me diz o que aconteceu, eu quase implorava. Aí ele me disse. Ainda pelo telefone: - a mãe do teu pai faleceu.

Eu entendi que alguém da minha família tinha morrido, mas não entendi quem. Entrei em casa aos prantos pensando que o pai da minha mãe tinha morrido. Ele disse que não, que tinha sido a mãe do meu pai. Ainda sem entender, eu perguntei se a mãe da minha mãe tinha morrido. Ele me abraçava e repetia que a mãe do meu pai tinha morrido. Eu não entendia. 

Teria sido terrível a morte de qualquer um deles e acho que a confusão faz parte do choque. Ela não tinha nada de grave. Naquela noite, ela teve um ataque cardíaco, chegou a ser levada ao hospital e foi para UTI. Depois do infarto, ela teve uma parada cardíaca e não resistiu. Isso foi o que eu entendi, mesmo que nada disso faça nenhum sentido.

A minha prima, que também mora nos EUA, avisou o Jared, que veio para casa com a má notícia. Ainda bem que deu tempo de ele chegar antes da ligação da minha mãe. Pelo menos ele estava aqui comigo. Ele tirou a manhã de folga e me levou na igreja. Uma igreja bonita. Rezei, chorei, rezei de novo. Acendi velas elétricas. Não tinha Cristo que me fizesse entender essa coisa tão permanente, tão imponente e tão tão triste.

Eu me sentia a pessoa mais sortuda do mundo e enchia a boca para dizer que eu tinha os quatro avós vivos. De qualquer forma, eu continuo muito agradecida por ter tido os quatro o tempo que eu tive. E pelos três que ainda tenho. Se eu pudesse pedir mais um dia, mais uma ligação, mais uma semana, quem sabe dois meses, eu ia querer qualquer pedacinho de tempo a mais com a minha Vó Nenê.

Quando pequena, eu não conseguia dizer o nome dela direito. Então eu chamava ela de Vó Nenê. Aí eu cresci, aprendi a falar, mas continuei chamando ela de Vó Nenê. Quando os meus irmãos nasceram, eles também adotaram o apelido e  nós os três chamávamos ela de Vó Nenê.

Eu não ia escrever sobre isso porque não existem palavras para falar da morte. Ninguém sabe o que dizer, mas mesmo sem a gente saber direito, eu acho que precisa ser dito. Eu não ia conseguir vir aqui escrever sobre o casamento como se nada tivesse acontecido. Eu mal consigo responder a pergunta genérica das pessoas - se está tudo bem - sem pensar, não está nada bem, minha Vó Nenê morreu.

Eu falo nela todos os dias. Às vezes me esqueço que ela morreu. Pra mim não parece verdade. Pra mim não passa de uma infeliz ligação telefônica. Aí eu me lembro dela e digo para mim mesma que ela morreu. Quase que um beliscão. Fico triste de novo. Depois passa. E volta. É uma dor que vai e vem.

Não sei como vai ser quando eu chegar no Brasil e ela não estiver lá, falando rápido e bastante, com o riso fácil e solto. Só sei que eu gosto muito da minha Vó Nenê e vou guardar comigo o amor que ela tinha pela vida junto com a saudade que eu já sentia antes, mas que agora é uma saudade diferente. Uma saudade irreversível, sem recarga. Sem fim.

19 de setembro de 2013

pedaço de papel

8 de setembro de 2013.

Oito de setembro. Ironicamente, a blogueira que vos escreve completou um ano de casada. Sim, já passou um ano daquela tarde quente de setembro, quando eu e o Jared subimos até o sexto andar de um prédio antigo no velho centro de Las Vegas para assinar um papel.

O dia que era para ser quase segredo. Afinal de contas, o casamento no civil era só para agilizar o processo com a imigração. O dia que não era para ter nenhuma implicação nas nossas vidas, o dia que era para ser um pedaço de papel. O dia que inevitavelmente tomou conta de nós. O dia do casei!

Lembro que naquela época eu ainda tinha milhões de crises sobre essa coisa toda de casar. Então, eu dizia para mim mesma: é só um pedaço de papel. Eu não vou deixar um pedaço de papel e o meu medo dessas formalidades me impedir de viver essa história. Se não for para ser a gente rasga o papel e eu volto para casa.

Já faz um ano de papel inteiro. Um ano que vivemos aquele dia e dessa vez fizemos questão de comemorá-lo. Afinal era muito mais que um papel. Era o papel que não rasgamos e sim assumimos. Da mesma forma que assumimos o marido e mulher, as contas e as tarefas da casa, as manias e os sonhos um do outro.

Nesse ano, duas coisinhas me marcaram e fizeram eu me dar conta que já sou pra lá de casada. Sim, por causa do tal papel. A primeira foi quando fui de surpresa para o Brasil em janeiro de 2012. Na época, o Jared estava reclamando que não teria nada para fazer em casa sozinho por três semanas. Aí ele resolveu que iria na academia todos os dias (a-ham).

Diante dessa afirmação, eu disse brincando que ele ficar muito forte e bonito e que eu ia para casa da minha mãe engordar. Não era justo, ele ia acabar me dando um fora. Ele me olhou bem sério e disse: - eu não tenho como te dar um fora, se chama divórcio e isso nunca vai acontecer.

Essa brincadeira de casar é coisa séria. E eu sempre soube disso, mas preciso dizer para vocês que a palavra divórcio ganha um peso e tanto depois que a gente realmente casa. Parece muito mais fácil dizer quando a gente é solteiro "não deu certo, separa". Mas sinto-lhes informar que não é bem assim. Um divórcio vem associado com uma falha. É difícil a gente querer admitir que falhou.

Não estou fazendo nenhuma apologia às pessoas ficaram 30 anos casadas e infelizes porque não querem passar por um divórcio. Pelo contrário, acho que tem que se está ruim tem mais é que separar mesmo. O que eu estou querendo dizer é que a gente pensa milhões de vezes antes de considerar essa palavra. Bem diferente de terminar um namoro, que também já é uma coisa dolorida.

Esse não querer nem falar em divórcio, de certa forma torna os casais mais fortes. Em outras palavras, é mais que um pedaço de papel, é um papel adesivo, com cola grudenta.

A outra coisa sobre casar que me marcou, eu ouvi do cantor Michael Bublé numa entrevista na TV. Foi logo depois que nós casamos, mas eu lembro como se fosse ontem. Ele tinha se casado a pouco tempo também e falava que não entendia bem porquê as pessoas tinham necessidade de se casarem. É só um pedaço de papel.

Ele achou que não ia mudar muita coisa. Quando ele casou, ele logo percebeu o que o tal pedaço de papel tinha mudado uma coisa essencial. Agora, ela era a família dele. Desculpem se eu já usei essa referência, mas é uma lógica muito importante para as minhas emoções. Faz sentido racional e emocionalmente. Se é que isso faz sentido.

Eu sei que o dia 16 de novembro será o grande dia, o dia da igreja, o dia da  família, da festa e dos amigos, mas decidimos que o nosso dia vai continuar sendo o dia 8 de setembro, o dia que viramos uma família e o primeiro contato de emergência um do outro.

Dizem que os primeiros sete anos são os mais difíceis. Que venham os próximos seis e todos os outros!


  

6 de setembro de 2013

tudo muda, muda tudo

Agosto/Setembro de 2013.

O Jared é exatamente quatro semanas mais velho que eu. Não é um mês e sim quatro semanas. Por isso, o nosso aniversário cai sempre no mesmo dia. Ele nasceu no dia 4 de agosto de 1986. Eu nasci no dia 1º  de setembro também de 1986. Não façam as contas, estamos mais pra lá do que pra cá.

A vida é uma coisa maluca. A gente nasceu bem pertinho um do outro e ao mesmo tempo bem longe. Vivemos a maior parte das nossas vidas em países diferentes. Aí um dia, de todos os outros dias, no meio de tantas outras pessoas, a gente se encontra. Muda tudo.

Ouvindo histórias de como casais se conheceram pela primeira vez, me faz concluir que o amor é uma coisa quase aleatória. No entanto, como pode esse sentimento tão forte nascer de algo tão casual, como a fila do bar ou até a do banheiro? Será que é tudo obra do destino mesmo?

Eu sei que tem essas pessoas que se conhecem a vida inteira e um dia se apaixonam, mas até nesses casos, tudo começa em um dia qualquer, de todos os outros dias. Um dia essas pessoas começam a se olhar diferente. O que muda? Tudo muda.

O amor muda tudo e muda quase todos. Todo ano, quando chega a época dos nossos aniversários, eu me pego pensando que enquanto eu crescia, ele crescia. Ele aprendia andar e a falar e eu andava e falava. Ele fazia cinco anos, eu também. Aprendemos a ler, a escrever, a somar. Eu ralava os joelhos andando de patins e ele deslocava o ombro andando de skate.

Fomos para o ensino médio mais ou menos juntos, namoramos outras pessoas, fomos pra faculdade, viajamos, nos divertimos com os nossos amigos e um dia qualquer nos encontramos e tudo mudou para sempre. Não é uma loucura isso? 

Romantismos à parte, esse foi o primeiro ano que comemoramos os nossos aniversários depois de casados (no civil). Aniversário do meu marido, aniversário da minha mulher. A terminologia sempre nos engole. 

No dia do aniversário do Jared, meu marido, eu me desdobrei em dez, menti a torto e direito que ia fazer uma torta e que ia no supermercado comprar as coisas que faltavam, mas eu tinha mesmo era encomendado um bolo de sorvete que ele adora. Porque, né, achei que ele não merecia uma torta feita por mim, considerando o fato de que eu não sei fazer tortas.


No meu dia, ele foi proibido de comprar bolo, porque não estou podendo comer bolo. Mas ele foi fofo demais e elaborou uma caça ao tesouro com os meus presentes. No auge dos meus 27 anos, ele consegue fazer eu me sentir uma criança. E, tá vai lá, ganhei cupcakes e comi só um. Esse aqui da foto.


Claro que faltou a família e os amigos de sempre nos dois dias, mas tudo mudou e agora a gente virou a família e os amigos um do outro. Não precisava ter mudado tanto, mas a mudança é sempre um pacote fechado. Mudou sem a gente querer, quase sem a gente perceber. Foi aquele dia que mudou tudo. Ainda bem.

29 de agosto de 2013

a saga do vestido - ato final

Agosto de 2013.

Depois da minha segunda desilusão com o vestido da Theia (primeiro com o falso e depois com o original), resolvi voltar para a lista da sogra e me lembrei dessa lojinha chamada Bowties Bridal. Eu tinha gostado de um modelo deles e resolvi dar uma segunda chance.

Eis que chego na loja e tenho que lidar com os olhares de - como assim, faltam 3 meses para o casamento e tu não tens vestido? Inspira, expira. Eu não quis experimentar o vestido que eu tinha gostado antes e fui logo reapresentada para a Maggie Sottero e para um modelo da nova coleção de outono, recém chegado.

O vestido era o primo rico do vestido da Vera Wang. O mesmo conceito, mas mais refinado. Quero experimentar, eu finalmente falei, depois de olhar todos os modelos da loja inteira. Um por um. Experimentei. Serviu. Ficou bonito. Fui para casa. Dormi. Sonhei que não tinha vestido.

Na mesma semana, resolvi voltar na loja para olhar o tal vestido da Maggie. Não tinha mais o que olhar. Não tinha mais tempo, não tinha mais romance. Eu precisava me decidir. Quase que nem o Jared. Era ou não era. E era. E foi. Comprei o modelo da Maggie por $1000. E paguei mais $150 de rush fee - urgência na entrega. Mas, a essas alturas, eu nem me importava mais. O vestido chegaria na loja entre duas e três semanas.

Nesse meio tempo, a gente decidiu que eu não precisava de buquê de flores para festa em Lincoln. Porque a gente não vai estar chegando da cerimônia, disse o Jared. Nesse mesmo raciocínio, o vestido que eu acabei escolhendo para o casamento no Brasil ficou meio fora de propósito com a festa na Nebraska. 

O Jared sugeriu usar o vestido do casamento do Brasil na decoração da recepção em Lincoln e comprar um vestido novo para a festa aqui nos EUA. Disso tudo, eu só ouvi as palavras comprar um vestido novo. Ao mesmo tempo que o meu ser se estremeceu com a ideia de achar OUTRO vestido de noiva, as palavrinhas mágicas comprar vestido novo, falaram mais alto. Boa ideia, eu disse!

No entanto, a coisa ficou toda meio no ar. Eu olhei uns modelos mais simples na internet e me programei para não gastar mais de $300 no vestido número 2. Além disso, eu também achei que eu podia comprar mais para frente, por ser algo mais simples.

Uma semana e meia depois, a moça da loja liga dizendo que o vestido chegou, mas que eu precisava ter os sapatos para o casamento antes de eu ir fazer a bainha. Então, eu precisava comprar sapatos para ontem, por que vai saber quanto tempo essas criaturas de Deus precisam para fazer uma bainha no vestido.

Saímos para comprar sapatos para nós dois. O Jared achou logo em seguida e de quebra ainda achou uma gravata. Eu preciso dizer que eu não encontrei sapato nenhum? Mas, contudo, porém, todavia, a procura do sapato entramos na Nordstrom, uma dessas lojas de departamento, e passamos pela seção de noivas.

Resolvemos dar uma olhada nos dois vestidos que a loja tinha. Os dois eram lindos, um curto e um longo. O Jared me incentivou a experimentar os dois. Como esse é o vestido para a recepção, a gente concordou que ele podia ver e me ajudar (graças a Deus). A parte mais difícil dessa busca desatinada por vestidos foi não ter a opinião dele. Sim, porque ele opina em todas as minhas roupas, às vezes eu não escuto, mas ele sempre opina.

Gostamos dos dois. Para complicar, eles custavam a mesma coisa.  Eu disse para ele decidir. Simplesmente, porque eu não tinha mais condições. Os dois estavam bonitos, eu já tinha escolhido um, ele podia escolher o outro. Ele não conseguiu decidir e a solução que ele encontrou foi comprar os dois. Não mesmo, eu falei. Nem pensar.

Ele me convenceu do plano: comprar os dois (só tinham aqueles no meu tamanho), experimentar com calma em casa, mostrar para as mães, irmãs e amigas e aí escolher um. O que a gente resolver não usar, nós devolvemos e pegamos o dinheiro de volta. Peraí, a gente já não fez isso com outro vestido de noiva?

Eu não queria casar e aqui estou eu. Já comprei cinco vestidos de noiva: um para o casamento no civil ano passado, um da China, um da Maggie Sottero e DOIS da Adrianna Papell para a recepção. Bem feito para mim.

Quase um ano depois que essa brincadeira de achar vestidos de noiva começou, posso dizer para vocês que agora eu tenho vestido, véu e sapato. Mas vocês vão ter que esperar até novembro para ver. Tá, vou mostrar um pedacinho.

Durante esse ano inteiro, eu me peguei olhando muitos episódios do Say Yes to the Dress, mas o melhor de todos foi semana passada, quando o Jared chegou em casa no finalzinho de um dos episódios, bem naquela parte, quando eles mostram a noiva entrando na igreja com o vestido escolhido. Ele olhou para mim e disse:

- Como é que eu não vou chorar? 


23 de agosto de 2013

sorte

Agosto de 2013.

Lá em fevereiro, a irmã do Jared me convidou para ser uma das madrinhas do casamento dela em agosto. Eu fiquei super honrada com o convite, porque eu podia muito bem ser a cunhada enfiada goela abaixo, né? O fato de ela realmente gostar de mim é um presente e tanto. Convenhamos, cunhado é sempre um lance de sorte. A gente teve sorte.

Sorte aqui define mais. Ela teve a sorte de encontrar o amor da vida dela. A gente sabe bem que o amor, além de determinação, é sorte. Ela teve sorte de se casar em um dia ensolarado e fresco. O verão úmido e abafado de Lincoln deu licença para uma brisa leve e eles se casaram na sombra de uma árvore linda, duas quadras de onde eles se conheceram.

Ela teve sorte, até quando foi picada por uma abelha no altar. A picada veio bem calhar com a fala do pastor. - O amor, assim como a dor, só existe para as pessoas reais, de carne e osso.

Eu tive a sorte de ver tudo bem de pertinho, embaixo da mesma árvore. Vi a abelha subir e descer na saia do vestido, vi os olhos do noivo se encherem de lágrimas, as tias babonas batendo fotos, pais, mães e avós emocionados. Vi o Jared ganhar um irmão e o meu coração sorriu cheio de orgulho quando ele disse essas palavras em voz alta.

Foi um daqueles dias perfeitos que vira foto no porta-retrato da sala. O porta-retrato que inspira nos dias difíceis. Foi um daqueles dias perfeitos, quando não só nasce uma família nova, mas duas famílias diferentes se unem. Foi um daqueles dias perfeitos, que fazem das pessoas uma família só. Eu cada vez me torno mais parte da família deles, que também é minha. Casar é bem isso, é virar família.




Foi um daqueles dias perfeitos. Um dia de amor e sorte. Depois que o sol se pôs e a festa acabou, eu voltei a pensar no meu dia e desde então, os outros dias todos se atropelam. Eu preciso decidir isso, resolver aquilo, acrescentar isso na lista. Os detalhes.

No entanto, viver um desses dias perfeitos, me ajudou a colocar as coisas em perspectiva. Todos os guardanapos estavam lá, os vestidos das damas, o sapato da noiva, comida, bebida, garçom, flores, lugar para os cartões. Não faltou nada dessas coisas todas da lista. Estava tudo lá, muito menor e menos importante do que no dia anterior.

Os detalhes cumpriram o seu papel, mas foram só detalhes. O mais bonito e o mais importante não estava na lista de afazeres.  Não foi planejado, ensaiado ou previsto. O mais bonito foi espontâneo, que nem o amor. E a sorte.

8 de agosto de 2013

a saga do vestido - segundo ato

Já era metade de junho e eu não tinha vestido. Faltava ainda uma loja na lista da sogra que eu não tinha ido. Olhei o site e achei que seria tudo muito caro. Com poucas alternativas e o tempo passando, resolvi dar uma chance para a tal boutique. Cheguei lá e a atendente me mostrou alguns modelos que eu poderia gostar na base dos dois mil dólares (!).

Olhei os vestidos que ela separou e concordei em experimentar alguns. Antes de entrar no provador, fui dar uma olhada por mim mesma no resto da loja e descobri um vestido simples e despretensioso no meio de rendas, bordados e saias de tule gigantes. Eu quero experimentar esse aqui, eu me ouvi dizer.

Coloquei no corpo o vestido dois tamanhos menores que eu. O zíper não queria subir, mas eu queria o vestido. A moça que estava me atendendo chamou a outra moça para ajudar com o zíper. Elas, simpáticas, disseram que aquele zíper estava com problema. E até podia estar mesmo, mas antes mesmo de me olhar no espelho, eu sabia que eu tinha gostado daquele vestido.

Dizem que a gente sabe quando encontra o vestido certo e naquele momento eu soube, era aquele mesmo. Não chorei porque eu choro mais de tristeza ou brabeza do que de felicidade, mas sorri de orelha a orelha. E fiz uma dancinha. O vestido custava $1500 obamas. Eu continuava fazendo a minha dancinha na frente do espelho.

A moça da loja não deixou a minha amiga Pri tirar uma foto. E eu continuava fazendo outra dancinha na frente do espelho. Ela alegou que as pessoas copiam os vestidos, por isso não podia bater foto. A mesma pessoa que não deixou eu tirar uma foto inocente para mostrar para minha mãe, me deu o nome da designer e o número do modelo. Theia, número tal. Eu joguei as informações no Google e achei outras duas lojas que vendiam o mesmo vestido por preços mais em conta. Home run!

Mostrei o modelo para a minha mãe, irmã, sogra, cunhada e para as minhas damas e fiquei morrendo de medo que elas não gostassem, achando que poderia desgostar junto. Todas acharam bonito, umas acharam muito simples, a minha mãe não gostou muito, a minha irmã disse para eu esperar mais um pouco. Alguém disse para eu continuar procurando. Eu fiz outra dancinha. Não tinha jeito, eu gostava do vestido.

Uma das lojas, o preço era $800, mas não tinha o meu tamanho disponível. Em um site da China, estavam vendendo por $438 e tinham todos os tamanhos. Desconfiei. No entanto, eu e o Jared chegamos na infeliz conclusão de que, hoje em dia, tudo é feito na China.

Comprando direto com eles, a gente estaria evitando pagar pela nome da loja. O vestido era igual. Nome da designer, número do modelo. Tudo igual. Caso, eu não gostasse, eu poderia devolver e pegar o meu dinheiro de volta. Resolvi deixar de ser fresca e arriscar. Fechei os olhos e comprei o vestido da China (atiram suas pedras nos comentários abaixo, porque eu mereço mesmo).

Quando o entregador bateu na minha porta com um SACO nas mãos, apalpando o pacote por todos os lados, meu coração parou de bater. Na hora, eu pensei: putaquemepariu. Quando finalmente eu abri o pacote, dei de cara com um vestido branco (eu encomendei ivory/champagne), que parecia ter sido feito das antigas cortinas de voil (voal) da minha vó. Um desastre sem precedentes.

Reuni minhas forças e coloquei o vestido no corpo. O pior é o que o danado serviu direitinho, precisava de pouquíssimos ajustes, mas o tecido e os acabamentos estavam fora de cogitação. Não tinha jeito, não tinha conserto. Tirei o vestido correndo e enfiei de volta no saco. Entrei em contato com a loja e, depois de me enrolarem por uma semana, eles finalmente devolveram o dinheiro e eu mandei o vestido de volta pro lado do mundo que ele pertence.

Nesse meio tempo, o Jared me disse para voltar na loja e comprar o vestido original. Dinheiro não era mais o problema. O problema era que eu não tinha vestido. Pouco mais de 3 meses para o casamento e eu não tinha vestido. Eu precisava ter um vestido. Ontem.

Não sei como funciona no Brasil, mas aqui as lojas encomendam o vestido no tamanho certo pela Internet (da China!). Então, eles precisam de no mínimo 4 meses para dar tempo de o vestido ser confeccionado e enviado e para fazer os ajustes. Em último caso, eu teria que comprar uma peça do mostruário, no tamanho que fosse e adequar. Isso, se eles concordassem em me vender o vestido do mostruário.

Em outras palavras, eu tava ferrada. Voltei com a cola no meio das pernas na boutique que vendia o modelo original. Por sorte, dava para encomendar a tempo. Ele continuava lá. Lindo, leve, refinado e se lixando com o meu drama. Experimentei o mesmo tamanho pequeno de antes. Ele era lindo, lindo, mas dessa vez não teve sorriso, não teve dancinha e eu não tive coragem de comprá-lo. Alguma coisa tinha se apagado.

Saí da loja com a promessa de voltar, mas nunca mais voltei. Tchau, Theia. Apesar dos pesares, foi bom te conhecer. Desculpa os meus tropeços, não podemos ser mais amigas. Fabiana.


1 de agosto de 2013

a saga do vestido - primeiro ato

Lá em setembro do ano passado, quando nós nos casamos no civil (lembram?) os pais e a irmã do Jared vieram para acompanhar a cerimônia. Um dia antes do casamento, eu e as minhas futuras sogra e cunhada resolvemos sair para olhar vestidos de noiva. 

A Kristin também já estava com casamento marcado para esse ano e apesar de ser super cedo para procurarmos vestidos, achamos que seria divertido. E foi! Experimentamos vários vestidos juntas, até o mesmo modelo, ao mesmo tempo, de brincadeira. 

Eu lembro que naquele dia, o único vestido que eu gostei foi um modelo da designer Vera Wang. Lindo. Lindo. No entanto, eu estava longe de pensar que aquele seria mesmo o meu vestido. A minha futura sogra foi embora oficialmente sogra e me deixou com uma lista de lojas de noivas em Las Vegas. Sim, ela é demais. Anda sempre cinco passos na minha frente e eu juro que eu adoro. Ela facilita horrores a minha vida.

Em novembro, a atendente da loja que a gente foi, David's Bridal, ligou sabendo se eu queria marcar um horário para uma segunda visita. Resolvi ir e levei comigo a minha amiga Deise. Não sei se já falei pra vocês da Deise. Ela é uma daquelas coincidências boas da vida, sabe a prima do marido de uma colega de trabalho da  minha mãe? 

A única coisa que sabíamos uma da outra, era que morávamos em Las Vegas e gostávamos de tomar chimarrão. Precisa mais? Viramos amigas antes da água da térmica acabar. Na ocasião, experimentei outros 7 ou 8 vestidos e saí da loja do mesmo jeito que entrei: com o preferido da Vera Wang na cabeça.

A vida foi passando e eu resolvi que só ia voltar a procurar vestidos em abril desse ano. Determinei nos meus planos perfeitos que em maio eu teria um escolhido. Fui em outra loja de cadeia nacional, chamada Alfred Angelo e achei que lá estava o "the one". Dessa vez fui sozinha e saí de lá com aquela sensação de mais ou menos. Nada pulava, nada gritava.

No mês que se passou, eu voltei nessas duas lojas mais duas vezes e o vestido da Vera continuava no topo da lista. No entanto, eu não conseguia dizer o sim. Minha gente, tão mais difícil dizer sim para o vestido do que dizer sim para o noivo. 

Aí me ocorreu que, de repente, o meu vestido estava escondido numa lojinha despretensiosa em um bairro qualquer na cidade capital mundial dos casamentos. Se eu não achasse um vestido de noiva em Las Vegas, eu não ia achar em lugar nenhum. Então me lembrei da lista da sogra e revirei a cidade atrás de um vestido. 

Liguei para todas as lojas, inspecionei os sites e marquei hora para encontrar o meu vestido ideal. Foi uma decepção atrás da outra e quanto menos eu achava um vestido que eu gostasse, que não me deixasse com cara de Barbie, de múmia ou parecendo um merenguinho da feira, mais eu pensava na minha amiga Vera.  

Então, o pior aconteceu. Primeiro, entrei numa das lojinhas da lista da sogra e dei de cara com uma cópia barata do meu vestido preferido, o vestido da Vera, desfigurado em um terrível manequim de veludo azul. Diante da minha cara incrédula, a dona da loja disse que ele tinha chegado naquela semana. É lindo, eu disse disfarçadamente.

Olhei a etiqueta e dizia U$1300. Made in China. Pasmem, 100 dólares mais caro que o vestido original. Tasquei uma foto, apesar da expressão contrariada da proprietária. Experimentei um outro vestido para disfarçar e fui embora para nunca mais voltar.

Na semana seguinte, a essas alturas já começo de junho, recebi um e-mail da David's Bridal dizendo que a coleção White da Vera Wang estava em promoção. Na mesma hora liguei perguntando se o modelo que eu queria estava incluído. Olhando para o site, eu falei o número do modelo para atendente, que também tinha esse número anotado na minha ficha, e ela disse sim, esse vestido está $400 off.

Se eu precisava de um incentivo para comprar de uma vez o tal do vestido, 400 dólares era um excelente empurrão. O problema era que só estavam na promoção os vestidos do mostruário, mas eles tinham o meu número na David's Bridal em Henderson (30 minutos de Las Vegas) e poderiam marcar um horário para eu ir ver o vestido naquele mesmo dia. 

Passei mão no cartão de crédito do marido e, determinada, resolvi ir comprar o vestido da Vera e acabar com essa palhaçada. Cheguei lá esbaforida e me apresentei para atendente que me pediu para esperar um pouquinho. Naquele pouquinho, meu nível de determinação também diminuiu um pouquinho. 

Ela voltou com o vestido que estava separado para mim. Eu olhei para ela e disse: esse não é o meu vestido. Ela pediu para esperar outro pouquinho. Esse pouquinho, virou mais outro pouquinho. E a pouquinha paciência que Deus me deu, estava ficando cada vez mais insuficiente e pouquinha.

Até que ela voltou com o vestido certo e disse que infelizmente esse determinado modelo da coleção White não estava na promoção. O meu coração não quebrou porque o vestido não estava $400 dólares mais barato e, sim, pela explicação que veio depois. "É que esse modelo vende muito".  Ela olhou para mim de novo e disse, com um sorrisinho falso, quer experimentar mais uma vez?

Já que eu estava lá e o vestido também, no tamanho certo e tudo, resolvi experimentar. Serviu e ficou bonito, mas de uma forma esquisita, aquele vestido não me servia mais. Vendo que eu estava descontente, a moça chamou a gerente para ver se teria como dar um desconto. Ela saiu e me deixou presa dentro do vestido. 

O vestido, por ser do mostruário estava sujo e batido. Pior que isso, fedia. Pedi para uma outra atendente me ajudar a tirar, porque nessas lojas elas fazem questão de ajudar a colocar e tirar o vestido. Ela disse que não podia e de repente a minha determinação estava toda de volta.

Determinada a tirar o vestido fedido, voltei para o provedor e tirei ele eu mesma. Depois de muito esperar, peguei a minha bolsa, a chave do carro e fui embora sem me despedir ou querer saber de desconto ou até do vestido de brinde. Tchau Vera, foi um prazer te conhecer.




Era fim junho e eu não tinha vestido. To be continued.

25 de julho de 2013

igreja

Julho de 2013.

A nossa história com a Igreja Católica começou lá em janeiro desse ano, quando eu fui falar pessoalmente com o padre em Encantado. Ele me explicou que por morarmos aqui, teríamos que dar entrada nos papéis pela nossa paróquia em Las Vegas.

Putz. A gente não tinha paróquia. Pesquisamos as poucas igrejas católicas na região e no começo de março marcamos um encontro com o padre Bill. Muito simpático, ele nos deu uma lista de documentos e tarefas para serem cumpridas durante a "preparação para o casamento cristão".

Entre os documentos, estavam certidões de batismos atualizadas. Não aquela certidão original que eu trouxe de casa me achando super precavida e, sim, uma certidão nova, impressa nos últimos 6 meses. Coloquei uma das minhas avós na busca em Pelotas e entrei em contato com a igreja onde o Jared foi batizado.

A essas alturas, eu descubro que o Jared não é católico. Sim, a essas alturas. Ele é luterano, mas como a mãe dele é católica eu presumi que ele tinha sido batizado católico. No final das contas, nem ele sabia o que ele era. Finalmente, consegui falar com o pastor da igreja luterana, que me mandou uma carta reafirmando o batismo do Jared e que ele nunca tinha sido casado.

Falando em nunca tinha sido casado, tivemos que pedir para pessoas que nos conhecem no mínimo desde os 14 anos de idade para escreveram uma afirmação de que nunca tínhamos sido casados. Uma burocracia e tanto minha gente. Quase pior que a imigração.

Feito isso, fomos instruídos a entrar em contato com os coordenadores do curso preparativo para noivos, chamado "For Better and For Ever"- para melhor e para sempre. O curso era de cinco aulas, uma por semana, e eles só teriam vagas em junho.

Chegou junho e as cinco aulas, viraram seis. As cinco semanas, viraram oito. O tempo foi passando e eu surtando. Eles tinham me informado que precisariam mandar a papelada toda para a diocese no Brasil seis meses antes do casamento. Faltavam cinco e a gente não via o fundo dessa panela.

Antes das aulas, tínhamos que estudar determinados capítulos do livro e responder as perguntas mais controversas que eu já vi na minha vida inteira. Tais como, qual é o papel da mulher no casamento? E o papel do homem? Como você pretende explicar para os seus filhos que era sexualmente ativo antes do casamento? Como você lida com o escândalo que isso possa ter causado em outras pessoas? Agora que você aprendeu sobre métodos contraceptivos naturais (tabelinha) como você pretende fazer o seu planejamento familiar?

Sério, eu juro por Deus que o livro trazia essas perguntas. Deus esse que deve se remoer com o tempo que os católicos perdem discutindo essas coisas bestas e ultrapassadas com tanta coisa mais importante para gente se preocupar. No entanto, durante as aulas, a gente mais conversava informalmente sobre todas essas questões do que respondia especificamente às perguntas.

Entre tópicos de grande ajuda e outros extremamente catolicistas, o livro ainda sugere um acordo pré-marital, no qual, os noivos deveriam se comprometer em não manter relações sexuais em preparação para a noite de núpcias. SIM. Tipo revirginizar, eu acho. Na descrição desse contrato, eles também sugerem para manter as carícias do pescoço para cima, assim evitando os perigos de cair na tentação da carne.

Não assinamos contrato nenhum, obviamente, e eu usei todas as forças dentro de mim para não polemizar muito nos outros tópicos. Entre um chute e outro debaixo da mesa, eu acabei respondendo as perguntas de maneira politicamente correta, sem mentir ou me sentir hipócrita. Foi um exercício e tanto, mas sobrevivemos ao curso preparativo de noivos.

No final das contas, foi um espaço bom para falarmos sobre nós dois, nossos planos e expectativas e o casal de coordenadores era mil vezes mais bacana do que previmos. Não foi tão doloroso quanto soou!

Não satisfeita, com todas as aulas e exercícios, a igreja nos pediu para fazer um teste de compatibilidade. Quase a Santa Inquisição! O teste constava de 189 afirmações e precisávamos concordar ou discordar. Por exemplo: eu me preocupo que os meus sogros vão interferir na minha vida ou nós conversamos e concordamos em ter filhos. Coisas super xeretas do gênero.

Antes de fazermos o teste, o padre nos tranquilizou dizendo que não existe reprovação. É só uma ferramenta para nos conhecermos melhor. Caso não formos compatíveis, a igreja irá encontrar a pessoa certa para cada um de nós e ao invés de um casamento, serão dois. Risos. Ele fez essa piada duas vezes, e a gente riu nas duas vezes. Depois de todo esse LIVRO para ficarmos juntos, era só o que me faltava.

Uma semana depois, nos encontramos com o padre para falar sobre os resultados do teste. Respondemos 89% das perguntas da mesma forma. Dos 11% que não concordamos, a maioria das perguntas era relacionada à religião. Já que nunca conversamos muito sobre o assunto, não temos uma conclusão a dois sobre o tema.

Ah! Também nesses 11%, vale destacar que o Jared concordou com a seguinte afirmação: eu não me sinto confortável com a quantidade de álcool ingerida pelo meu futuro esposo/esposa. Gente! Como assim, Jared? Ele deixou claro que não interpretou a afirmação direito e que ele não tem nenhum problema com o meu alcoolismo (hahaha). O padre deixou passar e não me mandou para nenhum rehab. O mais injusto é que eu estou de regime para o casamento e mal e porcamente tomo uma taça de vinho no final de semana.

Foram três encontros com o padre para discutir cada questão que a gente marcou diferente e algumas outras que apesar de nós termos "acertado", ele queria expandir os nossos pensamentos. A gente adorou os encontros. Mesmo! O padre, super pé no chão, cabeça aberta e realista, nos deu vários conselhos úteis de como ter uma vida a dois mais saudável e duradora.

Vocês devem estar se perguntando, como o padre pode saber tanto de casamento. A explicação é que ele coordena terapia de casal há mais de 20 anos. No caso, ele é o terapeuta. Ele é um excelente terapeuta. Me deu até vontade de trazer ele para casa num potinho para falar dos meus problemas de verdade, que não tem nada a ver com o quase santo do meu marido. Eu disse quase!

Enfim, nossos compromissos com a igreja para o casamento acabaram, mas tenho certeza que vamos sempre lembrar das palavras e conselhos do padre Bill. Devo dizer que a experiência foi muito válida e enfim conseguimos a permissão dos homens para nos casarmos na casa de Deus.


Agora rezem para a gente achar um padre que fala inglês em Encantado e me deem um aleluia, já que esse post gigante chegou ao fim. Amém.