20 de junho de 2013

casa

Fim de janeiro, começo de fevereiro de 2013.

A viagem de volta para Vegas foi relativamente tranquila. Até hoje me martirizo por não ter olhado para trás (de novo) na hora de dar tchau para eles no aeroporto. Eu só me lembro de dar o último tchauzinho quando eles já não podem mais ver e fico me sentindo a pior pessoa do mundo porque sei que eles estavam me olhando até eu sumir do campo de visão deles. Arg. Enfim.

Fiz uma escala em Brasília e aproveitei para comer um enroladinho de goiabada, enquanto em terras brasileiras. Goiabada aqui é luxo, meu povo. A minha mãe me escreveu uma cartinha que eu só tive coragem de ler quando fiz a primeira escala nos EUA, quando o meu emocional já estava mais estruturado. O Brasil mexe demais comigo. Não sei o quê é, o ar, a língua, o clima. Tudo me deixa meio desconcertada.


Quando cheguei em terras americanas, fui toda prosa para a fila de residentes estampar o meu Green Card na cara do agente da imigração. Achei que eu ia ganhar um tratamento menos hostil, agora que eu sou residente permanente. Que nada! Tá, a fila do residentes é mais rápida que a dos estrangeiros, mas o tratamento gelo é o mesmo. Acho que vou ter que virar cidadã para poder lidar com esse gente. 

Depois do interrogatório todo, ele fez um sacrifício e disse: welcome back home. Não aguentei e dei um sorrisinho. Eu estava de volta em casa. O meu espírito só ficou melhor quando eu recebi uma mensagem do Jared dizendo "vai ser muito fácil me achar no aeroporto, eu sou o cara com o maior sorriso no rosto". Quem resiste?


Finalmente cheguei em Vegas. Sem sombra de dúvida era muito bom estar de volta, mas confesso que os três ou quatro primeiros dias foram assombrados pelo mesmo choque de realidade que é voltar para o Brasil. É sempre um processo de adaptação. Não vou mentir para vocês, nada é assim tão lindo. Só o meu Chima.


Isso sem falar que caiu a ficha do 2013. O ano de dar um rumo na minha vida profissional, sem a imigração no caminho, provavelmente o que mais me assusta nesse processo todo. Não tenho mais desculpas, não tenho mais tempo. Esse ultimato acaba comigo. Além disso, o casamento religioso está dobrando a esquina. Sabe o pé frio da pessoa que já casou e ainda sim morre de medo de casar? Pois é, tudo que eu vinha me preparando para acontecer, escrevendo, planejando, temendo, estava acontecendo mesmo, no gerúndio. 

A cada dia daquele mês de fevereiro, eu vivia mais e mais a minha decisão. Sim, agora eu sou residente dos Estados Unidos, sim eu vou realmente entrar em um vestido de noiva e trocar votos de eternidade na frente das nossas famílias e amigos, sim o casamento é lá, mas a minha vida agora é aqui e cada vez mais aqui.  

Àquelas alturas, não tinha mais espaço para dúvidas. Quisera eu ter entrado nessa história, como entro nos portões de embarque da vida: sem olhar para trás. No entanto, a minha inquietude não me deixa quieta e a minha personalidade controladora vive a analisar os "e ses?", na ilusão de ter algum controle.

Como sempre, o futuro virou presente muito rápido e mal deu tempo de eu me preparar para viver todas essas coisas que eu venho falando a tanto tempo. Isso porque a vida não tem preparo, não tem ensaio, não tem controle. A vida acontece. E a gente tem que seguir vivendo, sobrevivendo, sonhando.

Em fevereiro não tem mais carnaval, nem praia, muito menos futebol. O fevereiro de Iemanjá, calor e fim de férias, não é mais o meu fevereiro. A vida agora é outra e num piscar de olhos, fevereiro virou o fim do inverno e o dia dos namorados. E eu? Eu mudei com a vida. Na marra.

8 comentários:

  1. Lindo post! O ultimo paragrafo me arrepiou. Fico imaginando o Chima no casamento no maior estilo "Marley & Eu" :P Beijos

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    1. obrigada Jamila! O chima é total Marley e Eu. Venho pensando em assistir de novo, pq so vi o filme, antes dele. Ja sei que morrerei chorando! Beijo grande

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  2. Interessante saber que a imigração é "um gelo" tmb com os residentes... eu JURO que achava que isto só acontecia com os estrangeiros rsrsrsrs

    Lindo seu cachorro, Fabi!!!! que carinha de quem quer ser abraçado e amassado!!!!!

    É engraçado como as coisas acontecem na vida... quando a gente menos espera... voilà! :)

    Espero que daqui pra frente, com toda documentação ok, vc consiga rapidamente voltar ao mercado de trabalho, assim como vc passa pelos portões de embarque :)

    Beijos!

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    1. Pois eh Claudia, achei que ia melhorar, mas ainda não! Ou eu que sou sem sorte mesmo! De qualquer forma, residentes continuamos estrangeiros, então deve ser por isso. Quando eu virar cidadã,eu te conto! hehe

      Meu cão eh lindo demais mesmo! hahaha não resisto a ele.

      Muito obrigada pela força. Amém para as suas palavras!! :D Tudo de bom pra vc tbm! beijão!

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  3. Querida Fabiana, sugiro que ao inicio dos teus posts voce possa colocar um alerta: Pode provocar lagrimas, senao, ficam pessoas como eu, que estao matando o tempo checando as atualizacoes dos blogs em publico e causando frisson nas pessoas ao redor que ficam encucadas porque aquela moca diferente esta chorando KKKKKKKK enfim linda, como sempre AMEI teu post! E claro que me identifiquei muito com suas palavras. Agora conta como anda a preparacao para o casorio! Eu tambem estou nesse barco! :-) Beijos e fica com Deus!

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    1. Oi Flor! Adoro o teu nome, sempre qd escrevo penso como acho bonito :) obrigada pelos comentários fofos e desculpa pelos constrangimentos no trabalho! hahaha morri de rir! Prometo que a partir do mês que vem, conto tudinho sobre os preparativos! Para quem não queria casar, vou acabar virando blogueira de dicas de casamento! É a vida, né! Beijão, obrigada mais uma vez.

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  4. Poxa Fabi, eu dei sorte algumas vezes, já peguei agentes de imigração até q mto simpáticos e até um brasileiro!

    'Welcome back home' foi demais né? Eu já estaria chorando nessa hora....rs

    Bjos

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    1. hahaha eu nao tenho sorte nao. Pode ser que voltando com o Jared esse ano seja melhor! =)

      Sim o welcome back home foi fofo, ate compensou a frieza anterior! Eu nao chorei, mas sempre me engasguei! hahah

      bjooo

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