25 de julho de 2013

igreja

Julho de 2013.

A nossa história com a Igreja Católica começou lá em janeiro desse ano, quando eu fui falar pessoalmente com o padre em Encantado. Ele me explicou que por morarmos aqui, teríamos que dar entrada nos papéis pela nossa paróquia em Las Vegas.

Putz. A gente não tinha paróquia. Pesquisamos as poucas igrejas católicas na região e no começo de março marcamos um encontro com o padre Bill. Muito simpático, ele nos deu uma lista de documentos e tarefas para serem cumpridas durante a "preparação para o casamento cristão".

Entre os documentos, estavam certidões de batismos atualizadas. Não aquela certidão original que eu trouxe de casa me achando super precavida e, sim, uma certidão nova, impressa nos últimos 6 meses. Coloquei uma das minhas avós na busca em Pelotas e entrei em contato com a igreja onde o Jared foi batizado.

A essas alturas, eu descubro que o Jared não é católico. Sim, a essas alturas. Ele é luterano, mas como a mãe dele é católica eu presumi que ele tinha sido batizado católico. No final das contas, nem ele sabia o que ele era. Finalmente, consegui falar com o pastor da igreja luterana, que me mandou uma carta reafirmando o batismo do Jared e que ele nunca tinha sido casado.

Falando em nunca tinha sido casado, tivemos que pedir para pessoas que nos conhecem no mínimo desde os 14 anos de idade para escreveram uma afirmação de que nunca tínhamos sido casados. Uma burocracia e tanto minha gente. Quase pior que a imigração.

Feito isso, fomos instruídos a entrar em contato com os coordenadores do curso preparativo para noivos, chamado "For Better and For Ever"- para melhor e para sempre. O curso era de cinco aulas, uma por semana, e eles só teriam vagas em junho.

Chegou junho e as cinco aulas, viraram seis. As cinco semanas, viraram oito. O tempo foi passando e eu surtando. Eles tinham me informado que precisariam mandar a papelada toda para a diocese no Brasil seis meses antes do casamento. Faltavam cinco e a gente não via o fundo dessa panela.

Antes das aulas, tínhamos que estudar determinados capítulos do livro e responder as perguntas mais controversas que eu já vi na minha vida inteira. Tais como, qual é o papel da mulher no casamento? E o papel do homem? Como você pretende explicar para os seus filhos que era sexualmente ativo antes do casamento? Como você lida com o escândalo que isso possa ter causado em outras pessoas? Agora que você aprendeu sobre métodos contraceptivos naturais (tabelinha) como você pretende fazer o seu planejamento familiar?

Sério, eu juro por Deus que o livro trazia essas perguntas. Deus esse que deve se remoer com o tempo que os católicos perdem discutindo essas coisas bestas e ultrapassadas com tanta coisa mais importante para gente se preocupar. No entanto, durante as aulas, a gente mais conversava informalmente sobre todas essas questões do que respondia especificamente às perguntas.

Entre tópicos de grande ajuda e outros extremamente catolicistas, o livro ainda sugere um acordo pré-marital, no qual, os noivos deveriam se comprometer em não manter relações sexuais em preparação para a noite de núpcias. SIM. Tipo revirginizar, eu acho. Na descrição desse contrato, eles também sugerem para manter as carícias do pescoço para cima, assim evitando os perigos de cair na tentação da carne.

Não assinamos contrato nenhum, obviamente, e eu usei todas as forças dentro de mim para não polemizar muito nos outros tópicos. Entre um chute e outro debaixo da mesa, eu acabei respondendo as perguntas de maneira politicamente correta, sem mentir ou me sentir hipócrita. Foi um exercício e tanto, mas sobrevivemos ao curso preparativo de noivos.

No final das contas, foi um espaço bom para falarmos sobre nós dois, nossos planos e expectativas e o casal de coordenadores era mil vezes mais bacana do que previmos. Não foi tão doloroso quanto soou!

Não satisfeita, com todas as aulas e exercícios, a igreja nos pediu para fazer um teste de compatibilidade. Quase a Santa Inquisição! O teste constava de 189 afirmações e precisávamos concordar ou discordar. Por exemplo: eu me preocupo que os meus sogros vão interferir na minha vida ou nós conversamos e concordamos em ter filhos. Coisas super xeretas do gênero.

Antes de fazermos o teste, o padre nos tranquilizou dizendo que não existe reprovação. É só uma ferramenta para nos conhecermos melhor. Caso não formos compatíveis, a igreja irá encontrar a pessoa certa para cada um de nós e ao invés de um casamento, serão dois. Risos. Ele fez essa piada duas vezes, e a gente riu nas duas vezes. Depois de todo esse LIVRO para ficarmos juntos, era só o que me faltava.

Uma semana depois, nos encontramos com o padre para falar sobre os resultados do teste. Respondemos 89% das perguntas da mesma forma. Dos 11% que não concordamos, a maioria das perguntas era relacionada à religião. Já que nunca conversamos muito sobre o assunto, não temos uma conclusão a dois sobre o tema.

Ah! Também nesses 11%, vale destacar que o Jared concordou com a seguinte afirmação: eu não me sinto confortável com a quantidade de álcool ingerida pelo meu futuro esposo/esposa. Gente! Como assim, Jared? Ele deixou claro que não interpretou a afirmação direito e que ele não tem nenhum problema com o meu alcoolismo (hahaha). O padre deixou passar e não me mandou para nenhum rehab. O mais injusto é que eu estou de regime para o casamento e mal e porcamente tomo uma taça de vinho no final de semana.

Foram três encontros com o padre para discutir cada questão que a gente marcou diferente e algumas outras que apesar de nós termos "acertado", ele queria expandir os nossos pensamentos. A gente adorou os encontros. Mesmo! O padre, super pé no chão, cabeça aberta e realista, nos deu vários conselhos úteis de como ter uma vida a dois mais saudável e duradora.

Vocês devem estar se perguntando, como o padre pode saber tanto de casamento. A explicação é que ele coordena terapia de casal há mais de 20 anos. No caso, ele é o terapeuta. Ele é um excelente terapeuta. Me deu até vontade de trazer ele para casa num potinho para falar dos meus problemas de verdade, que não tem nada a ver com o quase santo do meu marido. Eu disse quase!

Enfim, nossos compromissos com a igreja para o casamento acabaram, mas tenho certeza que vamos sempre lembrar das palavras e conselhos do padre Bill. Devo dizer que a experiência foi muito válida e enfim conseguimos a permissão dos homens para nos casarmos na casa de Deus.


Agora rezem para a gente achar um padre que fala inglês em Encantado e me deem um aleluia, já que esse post gigante chegou ao fim. Amém.

15 comentários:

  1. Apenas uma pergunta: Se acha absurdos os questionamentos e tantas outras coisas mais, entre elas, que seu esposo nem sabia o que "era", estás casando na igreja por quê? Apenas para cumprir papel perante à sociedade?

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    1. Oi Anônimo, primeiro, não acho absurdo os questionamentos e sim acho eles ultrapassados e fora da realidade que a maioria das pessoas vivem. Segundo, o fato de o meu marido não ser religioso não faz dele uma pessoa pior. Ele não sabia que era Luterano pq ele não se interessa por religião, no entanto ele fez as aulas comigo na maior boa vontade, participou e até gostou e não vê a hora de subirmos no altar. Terceiro, não me preocupo com a sociedade e não acho que casamento religioso seja um "papel a cumprir" hoje em dia. Já sou casada no civil e então a maneira que eu encontrei de dividir essa alegria e benção com a minha família no Brasil foi através de uma cerimônia religiosa. Nasci e cresci católica e apesar de não concordar com muitas coisas, a minha igreja, essa aí da foto, sempre me acolheu muito bem, sem julgamentos pela minha fé não tão fervorosa. E mais importante, eu quero uma benção do cara lá de cima e se tem alguém que merece, esse alguém sou eu. Obrigada pela visita :)

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  2. hahahah! é bem assim mesmo! é uma "jornada" esses cursos para noivos. mas no final, eu e o fred tb achamos legal, pois valeu a experiência de falarmos mais sobre nós e a nossa "futura" vida de casados. :D
    obs: quero ver achar um padre que fale inglês mesmo em encantado! hahahah!

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    1. Sim, eles são bem rigorosos! Mas ta certo né, faz parte, casamento é pra vida toda! Já valeu a pena! Além disso, deu super certo contigo e com o Fred. Então, vamos seguir o exemplo de vcs!! Aliás, estou contando com a presença dos 3 para acompanhar esse momento! :) beijão e cruza os dedinhos pro padre bilíngue! hahaha

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  3. Fabi, que jornada ein!
    Ri litros quando o padre disse que se não fossem compativeis seriam 2 casamentos e não só 1 rsrsrs
    ah! que paciência pra responder o anônimo, eu de verdade não tenho saco pra quem não se identifica =S
    Beijos, até quinta que vem

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    1. Oi Fernanda, essa era mesmo a intenção do texto, carregar vcs por mais essa jornada, com o meu estilo divertido. Em momento nenhum quis desrespeitar a minha religião, que convenhamos é meio avessa de vez em quando, mas continua sendo parte da minha identidade. Os anônimos fazem parte e eu estou aqui para esclarecer as más interpretações e aquietar as más línguas! ;)

      Que bom que vc entendeu o propósito e gostou do texto! Obrigada pelo carinho, pela empatia, pelo comentário fofo e pela visita =) quinta que vem tem a saga do vestido... te espero, beijao.

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  4. Fabiana, não me recordo em que blog achei o seu blog, mas devo dizer que você ganhou um leitora. Simplesmente não consegui parar de ler seu blog até ler o último post. Muito linda a sua história, não foram poucas as vezes que lágrimas me escorreram do rosto ou gargalhadas foram arrancadas de mim ao lê-la. Desejo do fundo do meu coração que Deus possa derramar bençãos infinitas na sua vida e na do Jared. Toda a felicidade do mundo para vocês!

    E obrigada por compartilhar essa história tão linda conosco.

    Bjão

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    1. Oi Liz! Poucas coisas nessa vida me deixam mais feliz que leitoras novas :D muito obrigada por parar por aqui para ler a minha história, LONGA! Despertar lágrimas e risos nas pessoas, dá um sentido maior para essa loucura toda. Vocês dão sentido para essa loucura toda! Muito obrigada mesmo! Volta sempre. Beijao

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  5. Nossa que perguntas cabeludas! "manter as carícias do pescoço para cima, assim evitando os perigos de cair na tentação da carne" acho que a expressão correta seria "that ship has sailed! hahah Ainda bem que vocês sobreviveram.
    Nunca imaginei que fosse tanta burocracia pra se casar na Igreja, está quase mais fácil tirar o green card mesmo!
    Boa sorte procurando por uma padre que fale inglês OU essa é uma ótima oportunidade para o Jared levar os estudos de Português para um outro nível! muahahaha
    Ps: voto para o chima levar as alianças até o altar! hihi

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    1. Eu tbm foi surpreendida pela tamanha burocracia da igreja, ainda mais depois de sobreviver ao processo de imigração. Achei que ia ser mais fácil, mas fácil eh uma coisa não existe nessa vida adulta. Tem que ser difícil! hahahaha

      Muito obrigada, em ultimo caso vou contratar um interprete, pq já perdi minhas esperanças de o Jared aprender a falar em três meses. Ele ta tentando, mas eh difícil mesmo. No entanto, vou dizer pra ele que tu disse isso. Pressão!!!

      Se eu aparecer com o meu cachorro dinossauro na igreja, ai sim que o padre desiste de me casar hahaha, mas ia ser lindo neh?! beijokas

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  6. Eu ri, mas eu também chorei imaginando o que vai acontecer dentro desta igreja "encantada". Frio na barriga, dedos cruzados e contando os dias!! Que saudades de vocês!!!!!! <3

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  7. Nossa.. Aqui a gente ligou pro padre e explicou a situação... Levamos toda a papelada la ele preencheu os papéis mandou pra diocese e eles mesmo mandaram perto Brasil.... Afinal a gente já vai estar casado por quase 2 anos quando casarmos no Brasil...

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    1. que sorte de vcs, Ro. A gente já vai tá casado no civil ha um ano, mas não nos deram mole! hahaha beijos, obrigada pela visita!

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  8. Nossa, q coisa difícil Meu Deus!!!
    Mas, q bom q está td encaminhado. Bjos

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