30 de setembro de 2013

modeletes

Aí que o Shutterfly fez um post por mim. Um, não. Dois. Por $10 de desconto na minha próxima compra eu disse que colocaria o guestbook no blog. Cliquei YES, achando que eu teria a chance de dar uma editada, escrever algumas coisinhas, mas só hoje percebi que já estava feito o carreto, como dizem lá na minha terra.

Então, aqui estou eu editando post já postado, porque já que caiu no blog vai ficar. Lá em março desse ano, eu conheci uma brasileira chamada Adriana, que mora aqui há dez anos! A Adri e o maridão Fábio são fotógrafos de casamentos aqui em Las Vegas.

Um dia, eu disse que precisava de fotos e ela disse que precisava de textos. A coisa óbvia a fazer era trocar fotos por textos. E trocamos. Eu escrevi uns posts para o blog deles em português, mais uns textinhos para o site e eles fizeram esse ensaio super fofo da gente.

Foi um dia mega divertido. Eu queria as fotos para fazer um livro de presenças personalizado. Total narcisismo, eu sei. Mas, enfim, tá aqui o livro de presenças extra cheesy, como o Jared diz, melado demais.

Create your own custom photo books at Shutterfly.com.

E já sabem, se beberem água contaminada com essa ideia de casar em Las Vegas e precisarem de fotógrafos, fica a dica. Fica dica tá tão manjado, que quando eu preciso usar eu me sinto babaca. Coisa mais babaca, mas fica a dica. Vocês encontram eles nos sites http://fabioandadri.com/br/ e http://fabioandadri.com/

26 de setembro de 2013

o dia que não era para chegar, chegou

12 de setembro de 2013.

Aconteceu  a coisa mais que eu mais temia: perdi um dos meus avós. A mãe do meu pai nos deixou numa quinta qualquer, que virou a pior quinta-feira de todas. A vida é muito truculenta e faz questão de jogar na cara das pessoas o quão despreparados nós somos. Somos pequenos. Minúsculos.

Antes de eu decidir vir para cá, eu pensei muito nisso. Pensei que a minha avó ia morrer e eu não ia estar presente. Pior do que isso, pensei que eu ia perder os últimos anos de vida dela e chamei ela para uma conversa séria. Acho até que já contei para vocês. Ela me disse que a gente já tinha muitas memórias juntas e que quando ela morresse, eu não poderia fazer muito coisa. Era para eu vir e ser feliz.

A ironia da coisa toda é que essa avó, continua viva, firme e forte. Batam na madeira comigo. A minha outra avó foi que me deixou. Sem aviso, sem preparo, sem conversa. Eu nunca tive medo que ela fosse morrer, pelo simples fato de que eu acreditava com todo o meu coração quando ela me dizia que ia viver muitos e muitos anos.

Ela não tinha nenhum problema sério de saúde e gostava tanto de viver que nem cogitava a ideia da morte. Muito menos eu, muito menos nós. Foi uma puxada de tapete e tanto.

Eu falei com ela na quarta-feira, dia 11. Ela disse que queria comprar um computador para poder me ver. Pedi para ela fazer um videozinho dela e do vô dançando para eu poder montar uma coisinha para o casamento. Ela achou a ideia muito bonita e ainda para completar falou que andava com uma dor nas costas, mas que estava se cuidando para poder dançar bastante no casamento. Ela adorava uma festa.

Mandou beijo para o Chima e para o Jared. Ela sempre repetia o nome dele duas ou três vezes, tentando dizer "certo". Desligamos. Na manhã seguinte, outra ligação. Não era dela.

Era cedo. Eu tinha largado o Jared no trabalho e mal tinha chegado em casa para começar o meu dia. Ele me ligou e disse com a voz apressada. - Eu só quero te avisar que estou chegando em casa daqui uns cinco minutinhos e não tenho a chave da frente. Vou bater na porta.

Eu prontamente perguntei: - por que tu tá vindo pra casa? Aconteceu alguma coisa? Ao que ele respondeu: - já estou chegando, cinco minutinhos. Eu desliguei o telefone sem insistir numa resposta concreta, porque não gosto que ele fale no celular enquanto dirige. 

No entanto, assim que eu desliguei, minhas pernas amoleceram e eu sabia que alguma coisa terrível tinha acontecido. Liguei de novo. Cinco minutos era muito tempo. 

- Jared me diz o que aconteceu. 
   Ele não falava nada.
- Jared tua família tá bem? Minha família tá bem?
- To chegando, to aqui na esquina.
- Jared me diz, pelo amor de Deus.

Nessa hora, eu já estava na frente da casa e vi o carro da empresa dele dobrar na nossa rua. Me diz o que aconteceu, eu quase implorava. Aí ele me disse. Ainda pelo telefone: - a mãe do teu pai faleceu.

Eu entendi que alguém da minha família tinha morrido, mas não entendi quem. Entrei em casa aos prantos pensando que o pai da minha mãe tinha morrido. Ele disse que não, que tinha sido a mãe do meu pai. Ainda sem entender, eu perguntei se a mãe da minha mãe tinha morrido. Ele me abraçava e repetia que a mãe do meu pai tinha morrido. Eu não entendia. 

Teria sido terrível a morte de qualquer um deles e acho que a confusão faz parte do choque. Ela não tinha nada de grave. Naquela noite, ela teve um ataque cardíaco, chegou a ser levada ao hospital e foi para UTI. Depois do infarto, ela teve uma parada cardíaca e não resistiu. Isso foi o que eu entendi, mesmo que nada disso faça nenhum sentido.

A minha prima, que também mora nos EUA, avisou o Jared, que veio para casa com a má notícia. Ainda bem que deu tempo de ele chegar antes da ligação da minha mãe. Pelo menos ele estava aqui comigo. Ele tirou a manhã de folga e me levou na igreja. Uma igreja bonita. Rezei, chorei, rezei de novo. Acendi velas elétricas. Não tinha Cristo que me fizesse entender essa coisa tão permanente, tão imponente e tão tão triste.

Eu me sentia a pessoa mais sortuda do mundo e enchia a boca para dizer que eu tinha os quatro avós vivos. De qualquer forma, eu continuo muito agradecida por ter tido os quatro o tempo que eu tive. E pelos três que ainda tenho. Se eu pudesse pedir mais um dia, mais uma ligação, mais uma semana, quem sabe dois meses, eu ia querer qualquer pedacinho de tempo a mais com a minha Vó Nenê.

Quando pequena, eu não conseguia dizer o nome dela direito. Então eu chamava ela de Vó Nenê. Aí eu cresci, aprendi a falar, mas continuei chamando ela de Vó Nenê. Quando os meus irmãos nasceram, eles também adotaram o apelido e  nós os três chamávamos ela de Vó Nenê.

Eu não ia escrever sobre isso porque não existem palavras para falar da morte. Ninguém sabe o que dizer, mas mesmo sem a gente saber direito, eu acho que precisa ser dito. Eu não ia conseguir vir aqui escrever sobre o casamento como se nada tivesse acontecido. Eu mal consigo responder a pergunta genérica das pessoas - se está tudo bem - sem pensar, não está nada bem, minha Vó Nenê morreu.

Eu falo nela todos os dias. Às vezes me esqueço que ela morreu. Pra mim não parece verdade. Pra mim não passa de uma infeliz ligação telefônica. Aí eu me lembro dela e digo para mim mesma que ela morreu. Quase que um beliscão. Fico triste de novo. Depois passa. E volta. É uma dor que vai e vem.

Não sei como vai ser quando eu chegar no Brasil e ela não estiver lá, falando rápido e bastante, com o riso fácil e solto. Só sei que eu gosto muito da minha Vó Nenê e vou guardar comigo o amor que ela tinha pela vida junto com a saudade que eu já sentia antes, mas que agora é uma saudade diferente. Uma saudade irreversível, sem recarga. Sem fim.

19 de setembro de 2013

pedaço de papel

8 de setembro de 2013.

Oito de setembro. Ironicamente, a blogueira que vos escreve completou um ano de casada. Sim, já passou um ano daquela tarde quente de setembro, quando eu e o Jared subimos até o sexto andar de um prédio antigo no velho centro de Las Vegas para assinar um papel.

O dia que era para ser quase segredo. Afinal de contas, o casamento no civil era só para agilizar o processo com a imigração. O dia que não era para ter nenhuma implicação nas nossas vidas, o dia que era para ser um pedaço de papel. O dia que inevitavelmente tomou conta de nós. O dia do casei!

Lembro que naquela época eu ainda tinha milhões de crises sobre essa coisa toda de casar. Então, eu dizia para mim mesma: é só um pedaço de papel. Eu não vou deixar um pedaço de papel e o meu medo dessas formalidades me impedir de viver essa história. Se não for para ser a gente rasga o papel e eu volto para casa.

Já faz um ano de papel inteiro. Um ano que vivemos aquele dia e dessa vez fizemos questão de comemorá-lo. Afinal era muito mais que um papel. Era o papel que não rasgamos e sim assumimos. Da mesma forma que assumimos o marido e mulher, as contas e as tarefas da casa, as manias e os sonhos um do outro.

Nesse ano, duas coisinhas me marcaram e fizeram eu me dar conta que já sou pra lá de casada. Sim, por causa do tal papel. A primeira foi quando fui de surpresa para o Brasil em janeiro de 2012. Na época, o Jared estava reclamando que não teria nada para fazer em casa sozinho por três semanas. Aí ele resolveu que iria na academia todos os dias (a-ham).

Diante dessa afirmação, eu disse brincando que ele ficar muito forte e bonito e que eu ia para casa da minha mãe engordar. Não era justo, ele ia acabar me dando um fora. Ele me olhou bem sério e disse: - eu não tenho como te dar um fora, se chama divórcio e isso nunca vai acontecer.

Essa brincadeira de casar é coisa séria. E eu sempre soube disso, mas preciso dizer para vocês que a palavra divórcio ganha um peso e tanto depois que a gente realmente casa. Parece muito mais fácil dizer quando a gente é solteiro "não deu certo, separa". Mas sinto-lhes informar que não é bem assim. Um divórcio vem associado com uma falha. É difícil a gente querer admitir que falhou.

Não estou fazendo nenhuma apologia às pessoas ficaram 30 anos casadas e infelizes porque não querem passar por um divórcio. Pelo contrário, acho que tem que se está ruim tem mais é que separar mesmo. O que eu estou querendo dizer é que a gente pensa milhões de vezes antes de considerar essa palavra. Bem diferente de terminar um namoro, que também já é uma coisa dolorida.

Esse não querer nem falar em divórcio, de certa forma torna os casais mais fortes. Em outras palavras, é mais que um pedaço de papel, é um papel adesivo, com cola grudenta.

A outra coisa sobre casar que me marcou, eu ouvi do cantor Michael Bublé numa entrevista na TV. Foi logo depois que nós casamos, mas eu lembro como se fosse ontem. Ele tinha se casado a pouco tempo também e falava que não entendia bem porquê as pessoas tinham necessidade de se casarem. É só um pedaço de papel.

Ele achou que não ia mudar muita coisa. Quando ele casou, ele logo percebeu o que o tal pedaço de papel tinha mudado uma coisa essencial. Agora, ela era a família dele. Desculpem se eu já usei essa referência, mas é uma lógica muito importante para as minhas emoções. Faz sentido racional e emocionalmente. Se é que isso faz sentido.

Eu sei que o dia 16 de novembro será o grande dia, o dia da igreja, o dia da  família, da festa e dos amigos, mas decidimos que o nosso dia vai continuar sendo o dia 8 de setembro, o dia que viramos uma família e o primeiro contato de emergência um do outro.

Dizem que os primeiros sete anos são os mais difíceis. Que venham os próximos seis e todos os outros!


  

6 de setembro de 2013

tudo muda, muda tudo

Agosto/Setembro de 2013.

O Jared é exatamente quatro semanas mais velho que eu. Não é um mês e sim quatro semanas. Por isso, o nosso aniversário cai sempre no mesmo dia. Ele nasceu no dia 4 de agosto de 1986. Eu nasci no dia 1º  de setembro também de 1986. Não façam as contas, estamos mais pra lá do que pra cá.

A vida é uma coisa maluca. A gente nasceu bem pertinho um do outro e ao mesmo tempo bem longe. Vivemos a maior parte das nossas vidas em países diferentes. Aí um dia, de todos os outros dias, no meio de tantas outras pessoas, a gente se encontra. Muda tudo.

Ouvindo histórias de como casais se conheceram pela primeira vez, me faz concluir que o amor é uma coisa quase aleatória. No entanto, como pode esse sentimento tão forte nascer de algo tão casual, como a fila do bar ou até a do banheiro? Será que é tudo obra do destino mesmo?

Eu sei que tem essas pessoas que se conhecem a vida inteira e um dia se apaixonam, mas até nesses casos, tudo começa em um dia qualquer, de todos os outros dias. Um dia essas pessoas começam a se olhar diferente. O que muda? Tudo muda.

O amor muda tudo e muda quase todos. Todo ano, quando chega a época dos nossos aniversários, eu me pego pensando que enquanto eu crescia, ele crescia. Ele aprendia andar e a falar e eu andava e falava. Ele fazia cinco anos, eu também. Aprendemos a ler, a escrever, a somar. Eu ralava os joelhos andando de patins e ele deslocava o ombro andando de skate.

Fomos para o ensino médio mais ou menos juntos, namoramos outras pessoas, fomos pra faculdade, viajamos, nos divertimos com os nossos amigos e um dia qualquer nos encontramos e tudo mudou para sempre. Não é uma loucura isso? 

Romantismos à parte, esse foi o primeiro ano que comemoramos os nossos aniversários depois de casados (no civil). Aniversário do meu marido, aniversário da minha mulher. A terminologia sempre nos engole. 

No dia do aniversário do Jared, meu marido, eu me desdobrei em dez, menti a torto e direito que ia fazer uma torta e que ia no supermercado comprar as coisas que faltavam, mas eu tinha mesmo era encomendado um bolo de sorvete que ele adora. Porque, né, achei que ele não merecia uma torta feita por mim, considerando o fato de que eu não sei fazer tortas.


No meu dia, ele foi proibido de comprar bolo, porque não estou podendo comer bolo. Mas ele foi fofo demais e elaborou uma caça ao tesouro com os meus presentes. No auge dos meus 27 anos, ele consegue fazer eu me sentir uma criança. E, tá vai lá, ganhei cupcakes e comi só um. Esse aqui da foto.


Claro que faltou a família e os amigos de sempre nos dois dias, mas tudo mudou e agora a gente virou a família e os amigos um do outro. Não precisava ter mudado tanto, mas a mudança é sempre um pacote fechado. Mudou sem a gente querer, quase sem a gente perceber. Foi aquele dia que mudou tudo. Ainda bem.