19 de setembro de 2013

pedaço de papel

8 de setembro de 2013.

Oito de setembro. Ironicamente, a blogueira que vos escreve completou um ano de casada. Sim, já passou um ano daquela tarde quente de setembro, quando eu e o Jared subimos até o sexto andar de um prédio antigo no velho centro de Las Vegas para assinar um papel.

O dia que era para ser quase segredo. Afinal de contas, o casamento no civil era só para agilizar o processo com a imigração. O dia que não era para ter nenhuma implicação nas nossas vidas, o dia que era para ser um pedaço de papel. O dia que inevitavelmente tomou conta de nós. O dia do casei!

Lembro que naquela época eu ainda tinha milhões de crises sobre essa coisa toda de casar. Então, eu dizia para mim mesma: é só um pedaço de papel. Eu não vou deixar um pedaço de papel e o meu medo dessas formalidades me impedir de viver essa história. Se não for para ser a gente rasga o papel e eu volto para casa.

Já faz um ano de papel inteiro. Um ano que vivemos aquele dia e dessa vez fizemos questão de comemorá-lo. Afinal era muito mais que um papel. Era o papel que não rasgamos e sim assumimos. Da mesma forma que assumimos o marido e mulher, as contas e as tarefas da casa, as manias e os sonhos um do outro.

Nesse ano, duas coisinhas me marcaram e fizeram eu me dar conta que já sou pra lá de casada. Sim, por causa do tal papel. A primeira foi quando fui de surpresa para o Brasil em janeiro de 2012. Na época, o Jared estava reclamando que não teria nada para fazer em casa sozinho por três semanas. Aí ele resolveu que iria na academia todos os dias (a-ham).

Diante dessa afirmação, eu disse brincando que ele ficar muito forte e bonito e que eu ia para casa da minha mãe engordar. Não era justo, ele ia acabar me dando um fora. Ele me olhou bem sério e disse: - eu não tenho como te dar um fora, se chama divórcio e isso nunca vai acontecer.

Essa brincadeira de casar é coisa séria. E eu sempre soube disso, mas preciso dizer para vocês que a palavra divórcio ganha um peso e tanto depois que a gente realmente casa. Parece muito mais fácil dizer quando a gente é solteiro "não deu certo, separa". Mas sinto-lhes informar que não é bem assim. Um divórcio vem associado com uma falha. É difícil a gente querer admitir que falhou.

Não estou fazendo nenhuma apologia às pessoas ficaram 30 anos casadas e infelizes porque não querem passar por um divórcio. Pelo contrário, acho que tem que se está ruim tem mais é que separar mesmo. O que eu estou querendo dizer é que a gente pensa milhões de vezes antes de considerar essa palavra. Bem diferente de terminar um namoro, que também já é uma coisa dolorida.

Esse não querer nem falar em divórcio, de certa forma torna os casais mais fortes. Em outras palavras, é mais que um pedaço de papel, é um papel adesivo, com cola grudenta.

A outra coisa sobre casar que me marcou, eu ouvi do cantor Michael Bublé numa entrevista na TV. Foi logo depois que nós casamos, mas eu lembro como se fosse ontem. Ele tinha se casado a pouco tempo também e falava que não entendia bem porquê as pessoas tinham necessidade de se casarem. É só um pedaço de papel.

Ele achou que não ia mudar muita coisa. Quando ele casou, ele logo percebeu o que o tal pedaço de papel tinha mudado uma coisa essencial. Agora, ela era a família dele. Desculpem se eu já usei essa referência, mas é uma lógica muito importante para as minhas emoções. Faz sentido racional e emocionalmente. Se é que isso faz sentido.

Eu sei que o dia 16 de novembro será o grande dia, o dia da igreja, o dia da  família, da festa e dos amigos, mas decidimos que o nosso dia vai continuar sendo o dia 8 de setembro, o dia que viramos uma família e o primeiro contato de emergência um do outro.

Dizem que os primeiros sete anos são os mais difíceis. Que venham os próximos seis e todos os outros!


  

8 comentários:

  1. Isso aí, a vida está aí para ser encarada de peito aberto! Melhor ainda se estiver bem acompanhada por alguém que te compreende,ama e respeita.

    Escreve muito, Fabih!

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    1. Isso aí Laura Maria! Só falta vcs!!
      Beijo beijo mega saudade!

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  2. Feliz primeiro aniversário de casamento atrasado! O Conor e eu queremos ser assim quando a gente crescer hihi
    Que texto mais lindo! Eu acredito que ainda veremos nas bancas o livro "não quero me casar".
    Bjs!

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    1. Hahhaha muito obrigada Annita pelo carinho sempre! Quem sabe um dia né?! Beijokas

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  3. 'Essa lógica é muito importante para as minhas emoções' também Fabi.
    E o relacionamento de vocês me marcou/marca também.
    Bjs
    Lana

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  4. Sempre leio tuas histórias e acompanho tua história. Aqui do meu cantinho te admiro muito e desejo muitas felicidades, parabéns! :)

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    1. <3 muito obrigada Juci querida! It means a lot!! Beijao

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