26 de dezembro de 2013

maratona

23 de novembro de 2013.

A festa continuou no dia seguinte com um churrasco bem gaúcho na casa dos meus pais. Familiares, padrinhos e amigos de longe passaram o domingo com a gente, o que deu para compensar um pouco a loucura da noite de sábado e ter uma conversa maior que duas palavas com cada um.

Foi um dia lindo, de novo. Sol, festa, comida, bebida e gente querida. Eu gostaria de ter me transformado em uma esponja para absorver tudo e mais um pouco de tudo mundo, mas juro que vou parar de reclamar.






Cada grupo que ia embora no decorrer do dia, se despedia, batia foto na frente da casa, acenava um tchauzinho enquanto alguém secava uma lágrima teimosa. E assim foi o domingo, um dia nostálgico por si só, que virou especial e cheio de memórias, com boa parte das minhas pessoas preferidas no mundo.


Segunda, terça e quarta, nos transformamos em guias turísticos e alugamos uma van para levar os americanos e franceses ainda em Charmed City para conhecer os encantos do Vale do Taquari. Eles adoraram e a gente também. Comemos do bom e do melhor, com destaque para o carreteiro de carne de churrasco com feijão, feito pelos meus pais. Não sobrou nem o cheiro!

 

Na quarta-feira de manhã, o nosso último grupo de convidados foi embora e nós podemos curtir exclusivamente a minha família e amigas de Encantado por dois breves dias. Rápido demais, chegou a hora de arrumar as malas de novo.

Sexta-feira nos despedimos da minha vozinha amada, que voltou para Pelotas. Seguimos para a Porto Alegre, para ficar junto com a minha irmã, que estava em semana de provas e de quebra passar mais tempo com meus tios que moram na capital.

Sábado fomos nos camelôs, porque o Jared precisa ir aos camelôs quando vai para o Brasil. Não me perguntem porquê. Finalmente, as 6 da tarde nos dirigimos para o aeroporto. Pela primeira vez, eu tinha o Jared comigo para passar pelas portas do portão de embarque. Mil vezes melhor do que atravessar solo

No entanto, mesmo assim ainda foi difícil. Como já falei aqui, acho que nunca fica fácil. Meus pais tiveram que sair um pouco antes da gente ir embora. A pior parte daquele tchau prematuro foi ver a minha mãe chorando e pedindo desculpas por não poder ficar mais aquele pouquinho. 

Meu coração se quebra em mil pedaços com o fato de que, por causa da minha escolha, eu privo ela diariamente de passar tempo comigo e no entanto ela é quem me pede desculpa por não poder ficar mais um pouquinho no aeroporto. Ai, ai.

Acho que é o tipo de coisa que a gente só entende quando se torna mãe. Falando nisso, a pressão para netos e sobrinhos já começou, mas aviso aos navegantes que os herdeiros vão demorar. Por milhões de infinitos motivos.

Viemos embora. Dessa vez, tive o ombrinho do marido para deitar e espantar a tristeza de ir embora. Assim que descemos do avião em Miami, ele olhou para mim e disse que já estava com saudade do Brasil. Eu também.

Ao mesmo tempo, eu estava com saudade de casa e, principalmente, do nosso Chima. Ainda por causa da Expedia ter trocado o nosso itinerário na última hora, tivemos que fazer uma escala de cinco horas em Miami. Cinco horas, depois de quase 10 horas de voo é para f@$%& o C* do palhaço, né?! Preciso ficar rica logo para acabar com essas palhaçadas de conexões intermináveis.

Depois da longa espera no aeroporto, tínhamos outras infinitas cinco horas de voo até Vegas. Não nos deram nem amendoim para passar o tempo. Eu já não tinha mais sono, posição ou paciência. Graças a Deus, chegamos e os amigos que nos levaram no aeroporto estavam lá nos esperando.

O Jared entrou em casa comigo no colo como manda o figurino, mas não temos fotos porque estávamos acabados! O vizinho já tinha deixado o Chima em casa a nossa espera. Tomamos banho, comemos uma comida chinesa, o ápice de prático, barato e reconfortante e caímos mortos na cama.

Assim foi a nossa lua de mel, dormimos das seis da tarde até às seis da manhã do outro dia! A gente tinha um cansaço físico, mental e emocional enorme. Acho que a lua de mel mesmo será só no ano que vem, numa prainha qualquer no caribe, quando a gente tiver dinheiro e disposição de novo.

Aliás, durante toda aquela semana ficamos no fuso horário do Brasil, indo dormir às oito da noite e acordando às seis da manhã, que nem um casal casado à trinta e cinco anos. Parecíamos uns loucos (na minha cabeça) tomando café e assistindo às notícias às seis e meia da madrugada. Por vontade própria.

No final de semana seguinte, regulamo-nos. Mal nos situamos em casa de novo e já começamos a nos organizar para o final e semana seguinte. No dia 6 de dezembro, já voávamos para Lincoln, para a nossa festa de casamento lá!

Vamos de novo! Arrumar as malas, encomendar bem-casados, acertar detalhes com o Dj, contratar projetor e definir os pormenores da decoração. Eu não queria me casar, mas acabei virando expert. Juro que agora chega, mas semana que vem (ou na outra) eu venho contar como foi a nossa festinha gelada lá na Nebraska.

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Boas Festas!


Espero que o Papai Noel tenha sido bonzinho com todos vocês e desejamos um super 2014 cheio de sonhos realizados e mais sonhos sonhados. Beijo grande nosso.




12 de dezembro de 2013

grande dia

16 de novembro de 2013.

Para ser sincera, o dia 16 de novembro ainda é um borrão. O borrão vermelho do vestido da minha mãe e azul da cor dos olhos sorridentes do meu pai e dos olhos emocionados do meu noivo. Um borrão colorido. Amarelo, cinza e branco.

Quando eu comecei a contar a nossa história, eu tinha um ano entre o presente e o passado que eu compartilhei com vocês. Inevitavelmente, o blog alcançou o tempo real das coisas e hoje me pego escrevendo sobre a semana passada, o que é meio esquisito para mim. E essa é a minha desculpa esfarrapada pela demora do post. Eu estava e ainda estou absorvendo cada minutinho daquele dia lindo.

Aquela conversa de que eu só iria me estressar até a quinta-feira, dia 14 de novembro foi uma ilusão tão distante da realidade, mas tão distante da realidade que eu nem consigo explicar. Eu bem que tentei deixar tudo certinho antes daquela quinta, mas as coisas fora do meu controle desabaram na sexta-feira, junto com a chuva.

Uma chuvarada e doze americanos me deixando zonza de tanto amor e pergunta. Um enxurrada de "Fabi", "Fabi", "Fabi". Entre acomodar todo mundo no hotel, destrancar o Cael (6 anos) do banheiro, dar atenção para a família de Pelotas que já estava chegando, ir no salão ver a decoração e levar o povo todo para comer pizza, eu precisava de umas dez de mim.

Talvez vinte Fabianas para poder dar toda atenção merecida a cada um e curtir as pessoas do jeito que eu queria. Para mim, ficou faltando mais tempo com todo mundo. O tempo sempre falta nessas horas.

Nesse êxtase, quase vício por mais tempo, eu não dormi naquela sexta-feira. Nem um minuto. Mais preocupada do que ansiosa. Preocupada com o tanto de coisas que eu tinha que fazer no sábado, que eu não queria ter que fazer, que já era para estar pronto. Passei a noite pensando em como eu deveria dormir para estar disposta no dia seguinte. Quanto mais eu pensava, menos eu dormia. As seis da manhã, eu finalmente desisti de tentar.

O Jared foi acompanhar o pessoal em um passeio pela cidade. Eu tinha que conversar com o cara da iluminação, terminar de arrumar as mesas, ver onde todo mundo ia sentar, levar os buquês das damas para a cerimonialista, colocar a placa na entrada, ir ao ensaio na igreja e estar no salão de beleza às duas da tarde. Fazer tudo isso, sem carro e sem celular. O meu dia de noiva mais parecia o dia do desafio.

Enquanto a minha mãe se dividia entre levar as minhas amigas de fora no salão de beleza e dar atenção para os convidados que já estavam na cidade, meu pai correu comigo para cima e para baixo. Sem ele, eu não teria dado conta. Fizemos tudo que tínhamos que fazer, não almoçamos e eu me atrasei só meia horinha no salão. Sucesso!

Cheguei lá, encontrei as minhas damas e esqueci de todo o resto. Bebemos champagne e eu virei a noiva, finalmente. Elas, as moças do salão e as minhas damas, me paparicaram, me massagearam, me fizeram as unhas, me maquiaram, me arrumaram o cabelo, me fizeram rir e chorar. 

A minha irmã e cunhada ficaram lá até o último minuto. Desamassaram o meu véu viajado com secador de cabelos (oO), me ajudaram a entrar no vestido e a colocar o sapato. Até que o pai chegou dirigindo um fusca conversível vermelho! Estava acontecendo.

Meu pai estava um gato. Eram 8 horas em ponto. E nós estávamos prontos e ansiosos. Resolvemos ir indo, devagarinho no fusquinha. Chegamos na igreja pelo lado e o Jared ainda estava do lado de fora! Enterrei a cabeça no meio do vestido para ele não me ver dentro do carro.

Enquanto a Silvana se parou na frente do carro, na tentativa de me esconder. O Jared não olhou para trás, apesar da comoção dos padrinhos e das damas que davam gritinhos, me abanavam e mandavam beijos. 

Chegou a hora de entrar na igreja. As pessoas comentaram como eu estava calma e sorridente. Chorar, nem passou pela minha cabeça. No entanto, eu não estava calma não. Eu acho que estava em transe, dopada em serotonina, dopamina e endorfina. Eu estava feliz, numa nuvem qualquer, tentando aproveitar o momento ao máximo.

A cerimônia foi relativamente tranquila. Encontramos um padre mexicano, que falava um pouquinho de inglês e um pouquinho de português. Apesar do sotaque forte nas duas línguas, ele foi ótimo! Eu e o Jared adoramos o padre, que até das palavras esqueceu e me fez rir no altar. Tinha que ser descontraído para ter a nossa cara.

Eu fiz questão de fazer meus votos em português e em inglês para o Jared poder ouvir com todas as letras e me fazer manter minha palavra até que a morte nos separe. E dizem as más línguas que eu dei uma reboladinha no altar, quando o padre nos pronunciou marido e mulher.

 

Saímos da igreja casados de novo, dessa vez sob os olhos de Deus, pais e amigos. Saímos da igreja prontos para a festa e o meu pai nos levou de fusquinha até o local da recepção.


Entramos no salão, abraçamos todo mundo, tiramos fotos com os convidados e quando chegamos na última mesa, o meu cabelo já tinha desmanchado de tão afofada que eu fui. Inclusive, enquanto todo mundo me abraçava e me dizia que eu estava linda (confetes), uma prima super espirituosa da minha mãe, me abraçou e disse: -ai, tás toda babada! Eu morri rindo. A partir daí, vocês imaginam o tsunami de amor que recebemos dos nossos convidados.

E teve mais amor, teve discurso da minha mãe e dos nossos padrinhos de Pelotas, que nos fizeram chorar sorrindo. Teve brinde e muita música. E o semi desastre da primeira dança.

A gente escolheu a música My Girl dos The Temptations, criada em 1960 e bolinha. De lá pra cá, a música teve milhares de interpretações e diferentes versões. No sábado de manhã, o Dj tocou a música para eu ver se era a versão certa. Eu mais tonta que uma barata tonta disse que era aquela mesmo. Mas não era.

Nem Jesus para nos salvar com a música tocando levemente mais rápido do que a versão original, mais vestido longo, mais nervosismo. Logo percebemos que estava tudo errado e começamos inventar uma coreografia. E foi do jeito que deu. O Jared ficou mais de cara que eu. Eu achei até engraçado.

Passou a primeira dança e a valsa e o povo invadiu a pista. Não deu tempo nem de olhar para os lados. Logo em seguida, eu resolvi jogar o buquê, a fim de ficar livre das minhas atribuições de noiva. Tirei o sapato, catei o microfone  larguei um "solta o som Dj"! Eu estava pronta para dançar tudo e mais um pouco.

E dancei, mas faltou tempo para curtir as pessoas individualmente. Fica aqui o meu pedido de desculpas. Era muita gente querida, muita coisa acontecendo junto, sem falar que eu estava ainda no meu transe, alucinando na serotonina e administrando a saia do vestido que o pessoal pisava em cima constantemente.

Se tem uma coisa que eu faria diferente, seria ter absorvido mais. Só mais um pouquinho. Se vocês não casaram ainda, se agarrem nos segundos e acreditem quando as pessoas dizem que passa rápido demais. Porque passa mesmo. Eu não comi, não bebi um copo inteiro de nada, não sentei e não fiz xixi. A festa foi até as 4 da manhã e para mim parece que durou 20 minutos. Mágicos 20 minutos, que ficarão na nossa memória sempre e que valeram a pena.

Foram quase 4 anos dessa história, muitas idas e vindas, chegadas e partidas, mais dúvidas que certezas. Nesse dia 16 de novembro, comemoramos essa história toda, que nos trouxe até aqui. Comemoramos o amor. O nosso amor. Incerto, complicado, que veio com um preço alto a ser pago. Um preço que pagamos juntos e vamos continuar pagando, dessa vez com mais certezas do que dúvidas, menos chegadas ou partidas e sem idas e vindas.

Um viva ao amor! Um viva a esse novo capítulo das nossas vidas! O nosso felizes para sempre começa aqui. Assistam o vídeo no link ao lado e o nosso muito obrigada a todos vocês que subiram no altar com a gente, pessoal ou virtualmente. Um beijo, agora oficialmente, Fabiana Ubben.

5 de dezembro de 2013

foi dada a largada

9 de novembro de 2013.

Naquele sábado de manhã começou a nossa maratona. Eu acordei bem antes do despertador tocar, chegou o dia de ir para o Brasil. Ir para o Brasil é a coisa mais linda do mundo para mim, com ou sem casamento. Banho, café da manhã, largar o Chima nos vizinhos fofos, colocar as malas no carro dos amigos que nos levaram para o aeroporto. As malas quase não cabem, o carrinho de bagagens no terminal 3 custa 5 dólares, mas está tudo lindo, muito mais bonito que o normal. 

Nada ia me tirar do meu melhor humor. Nem o fato de que a Expedia mudou o nosso itinerário na última hora e depois de passarmos duas noite no tele atendimento, conseguimos manter o voo original, mas pegamos os piores acentos do avião. Pela primeira vez, iríamos para o Brasil juntos, mas em lugares separados do avião.

Quando compramos as passagens lá em março, cuidadosamente escolhemos os nossos lugares. Depois de fazermos uma escala em Washington DC, embarcamos no voo para São Paulo. Eu e ele com acentos no meio de outras pessoas. Sabe, aquele lugar infeliz no meio de dois estranhos? Onde o ser humano fica espremido por dez horas, sem poder se encostar em nada? Tentamos trocar, mas o avião estava lotado e ninguém queria nossos maravilhosos acentos! Mas, tudo bonito, tudo lindo. O importante era chegar e chegar com as malas.

Acabei sentando entre dois brasileiros que estavam nos Estados Unidos à trabalho. Um deles caiu no sono antes da decolagem e outro dividiu comigo uma das histórias de amor mais legais que eu já ouvi na vida. Eu sei que vocês estão curiosos para saber os detalhes do casamento, mas antes eu preciso dividir com vocês a história do Renan e da Natascha. 

A gente começou  a conversar e eu disse que estava indo casar no Brasil. Ele disse que tinha se casado a três semanas atrás e que ainda nem tinha conseguido curtir a nova esposa. Com a viagem para os EUA logo após o casamento, o jeito foi encher a mala com presentes para ela. Maridos, anotem isso.

Aí ele me contou que eles se conheceram no cemitério, há anos atrás. E de repente, parou de contar e disse: - não vou te contar, vou te mandar um vídeo. Vocês imaginem a minha cara de "como assim, se conheceram no cemitério?" e, pior, "como assim, não vai me contar?".  Ele não sabia que a curiosidade jornalística pode ser letal. Então ele anotou meu e-mail no saquinho do vômito e foi isso: tive que esperar. Do mesmo jeito que vocês estão esperando (e querendo me matar) o texto sobre o casamento que não sai nunca. 

Pois bem, aqui está o vídeo. Muito obrigada Renan e Natascha por me autorizarem a publicá-lo no NQMC. Desejo que vocês sempre lembrem das adversidades, idas e vindas que os uniram e o que final feliz de vocês seja todos os dias.



Semana que vem, eu volto com mais sobre o nosso grande dia. Prometo. Está no forno. Está no forno.