12 de dezembro de 2013

grande dia

16 de novembro de 2013.

Para ser sincera, o dia 16 de novembro ainda é um borrão. O borrão vermelho do vestido da minha mãe e azul da cor dos olhos sorridentes do meu pai e dos olhos emocionados do meu noivo. Um borrão colorido. Amarelo, cinza e branco.

Quando eu comecei a contar a nossa história, eu tinha um ano entre o presente e o passado que eu compartilhei com vocês. Inevitavelmente, o blog alcançou o tempo real das coisas e hoje me pego escrevendo sobre a semana passada, o que é meio esquisito para mim. E essa é a minha desculpa esfarrapada pela demora do post. Eu estava e ainda estou absorvendo cada minutinho daquele dia lindo.

Aquela conversa de que eu só iria me estressar até a quinta-feira, dia 14 de novembro foi uma ilusão tão distante da realidade, mas tão distante da realidade que eu nem consigo explicar. Eu bem que tentei deixar tudo certinho antes daquela quinta, mas as coisas fora do meu controle desabaram na sexta-feira, junto com a chuva.

Uma chuvarada e doze americanos me deixando zonza de tanto amor e pergunta. Um enxurrada de "Fabi", "Fabi", "Fabi". Entre acomodar todo mundo no hotel, destrancar o Cael (6 anos) do banheiro, dar atenção para a família de Pelotas que já estava chegando, ir no salão ver a decoração e levar o povo todo para comer pizza, eu precisava de umas dez de mim.

Talvez vinte Fabianas para poder dar toda atenção merecida a cada um e curtir as pessoas do jeito que eu queria. Para mim, ficou faltando mais tempo com todo mundo. O tempo sempre falta nessas horas.

Nesse êxtase, quase vício por mais tempo, eu não dormi naquela sexta-feira. Nem um minuto. Mais preocupada do que ansiosa. Preocupada com o tanto de coisas que eu tinha que fazer no sábado, que eu não queria ter que fazer, que já era para estar pronto. Passei a noite pensando em como eu deveria dormir para estar disposta no dia seguinte. Quanto mais eu pensava, menos eu dormia. As seis da manhã, eu finalmente desisti de tentar.

O Jared foi acompanhar o pessoal em um passeio pela cidade. Eu tinha que conversar com o cara da iluminação, terminar de arrumar as mesas, ver onde todo mundo ia sentar, levar os buquês das damas para a cerimonialista, colocar a placa na entrada, ir ao ensaio na igreja e estar no salão de beleza às duas da tarde. Fazer tudo isso, sem carro e sem celular. O meu dia de noiva mais parecia o dia do desafio.

Enquanto a minha mãe se dividia entre levar as minhas amigas de fora no salão de beleza e dar atenção para os convidados que já estavam na cidade, meu pai correu comigo para cima e para baixo. Sem ele, eu não teria dado conta. Fizemos tudo que tínhamos que fazer, não almoçamos e eu me atrasei só meia horinha no salão. Sucesso!

Cheguei lá, encontrei as minhas damas e esqueci de todo o resto. Bebemos champagne e eu virei a noiva, finalmente. Elas, as moças do salão e as minhas damas, me paparicaram, me massagearam, me fizeram as unhas, me maquiaram, me arrumaram o cabelo, me fizeram rir e chorar. 

A minha irmã e cunhada ficaram lá até o último minuto. Desamassaram o meu véu viajado com secador de cabelos (oO), me ajudaram a entrar no vestido e a colocar o sapato. Até que o pai chegou dirigindo um fusca conversível vermelho! Estava acontecendo.

Meu pai estava um gato. Eram 8 horas em ponto. E nós estávamos prontos e ansiosos. Resolvemos ir indo, devagarinho no fusquinha. Chegamos na igreja pelo lado e o Jared ainda estava do lado de fora! Enterrei a cabeça no meio do vestido para ele não me ver dentro do carro.

Enquanto a Silvana se parou na frente do carro, na tentativa de me esconder. O Jared não olhou para trás, apesar da comoção dos padrinhos e das damas que davam gritinhos, me abanavam e mandavam beijos. 

Chegou a hora de entrar na igreja. As pessoas comentaram como eu estava calma e sorridente. Chorar, nem passou pela minha cabeça. No entanto, eu não estava calma não. Eu acho que estava em transe, dopada em serotonina, dopamina e endorfina. Eu estava feliz, numa nuvem qualquer, tentando aproveitar o momento ao máximo.

A cerimônia foi relativamente tranquila. Encontramos um padre mexicano, que falava um pouquinho de inglês e um pouquinho de português. Apesar do sotaque forte nas duas línguas, ele foi ótimo! Eu e o Jared adoramos o padre, que até das palavras esqueceu e me fez rir no altar. Tinha que ser descontraído para ter a nossa cara.

Eu fiz questão de fazer meus votos em português e em inglês para o Jared poder ouvir com todas as letras e me fazer manter minha palavra até que a morte nos separe. E dizem as más línguas que eu dei uma reboladinha no altar, quando o padre nos pronunciou marido e mulher.

 

Saímos da igreja casados de novo, dessa vez sob os olhos de Deus, pais e amigos. Saímos da igreja prontos para a festa e o meu pai nos levou de fusquinha até o local da recepção.


Entramos no salão, abraçamos todo mundo, tiramos fotos com os convidados e quando chegamos na última mesa, o meu cabelo já tinha desmanchado de tão afofada que eu fui. Inclusive, enquanto todo mundo me abraçava e me dizia que eu estava linda (confetes), uma prima super espirituosa da minha mãe, me abraçou e disse: -ai, tás toda babada! Eu morri rindo. A partir daí, vocês imaginam o tsunami de amor que recebemos dos nossos convidados.

E teve mais amor, teve discurso da minha mãe e dos nossos padrinhos de Pelotas, que nos fizeram chorar sorrindo. Teve brinde e muita música. E o semi desastre da primeira dança.

A gente escolheu a música My Girl dos The Temptations, criada em 1960 e bolinha. De lá pra cá, a música teve milhares de interpretações e diferentes versões. No sábado de manhã, o Dj tocou a música para eu ver se era a versão certa. Eu mais tonta que uma barata tonta disse que era aquela mesmo. Mas não era.

Nem Jesus para nos salvar com a música tocando levemente mais rápido do que a versão original, mais vestido longo, mais nervosismo. Logo percebemos que estava tudo errado e começamos inventar uma coreografia. E foi do jeito que deu. O Jared ficou mais de cara que eu. Eu achei até engraçado.

Passou a primeira dança e a valsa e o povo invadiu a pista. Não deu tempo nem de olhar para os lados. Logo em seguida, eu resolvi jogar o buquê, a fim de ficar livre das minhas atribuições de noiva. Tirei o sapato, catei o microfone  larguei um "solta o som Dj"! Eu estava pronta para dançar tudo e mais um pouco.

E dancei, mas faltou tempo para curtir as pessoas individualmente. Fica aqui o meu pedido de desculpas. Era muita gente querida, muita coisa acontecendo junto, sem falar que eu estava ainda no meu transe, alucinando na serotonina e administrando a saia do vestido que o pessoal pisava em cima constantemente.

Se tem uma coisa que eu faria diferente, seria ter absorvido mais. Só mais um pouquinho. Se vocês não casaram ainda, se agarrem nos segundos e acreditem quando as pessoas dizem que passa rápido demais. Porque passa mesmo. Eu não comi, não bebi um copo inteiro de nada, não sentei e não fiz xixi. A festa foi até as 4 da manhã e para mim parece que durou 20 minutos. Mágicos 20 minutos, que ficarão na nossa memória sempre e que valeram a pena.

Foram quase 4 anos dessa história, muitas idas e vindas, chegadas e partidas, mais dúvidas que certezas. Nesse dia 16 de novembro, comemoramos essa história toda, que nos trouxe até aqui. Comemoramos o amor. O nosso amor. Incerto, complicado, que veio com um preço alto a ser pago. Um preço que pagamos juntos e vamos continuar pagando, dessa vez com mais certezas do que dúvidas, menos chegadas ou partidas e sem idas e vindas.

Um viva ao amor! Um viva a esse novo capítulo das nossas vidas! O nosso felizes para sempre começa aqui. Assistam o vídeo no link ao lado e o nosso muito obrigada a todos vocês que subiram no altar com a gente, pessoal ou virtualmente. Um beijo, agora oficialmente, Fabiana Ubben.

12 comentários:

  1. que lindo!
    tudo de melhor pra vcs, msm msm msm <3

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    1. muito obrigada Carol!! beijo grande pra ti, saudades. <3

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  2. QUE LINDO! O que são essas cebolas sendo cortadas ao meu redor?! Muito emocionante assistir o vídeo! Vocês dois estavam tão tão felizes! Vocês merecem toda essa felicidade e muito mais! A cidade de Encantado nunca mais será a mesma! haha Tudo de bom pra vocês, muito amor sempre <3 Bjs! :'D

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    1. eeeeeeeeee!!! obrigada Annita!!! Agora estamos ansiosos pela tua chegada! beijao

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  3. Que lindo,amiga! "Más linguas"!?mto obrigada!!hahaha!rebolou mto sim!bem Fabi!;-) Ve

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    1. hahahaha eu estava esperando as más línguas se acusarem!!! obrigada Vezoca! Por tudo, principalmente pela super surpresa <3 beijo beijo, saudadona.

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  4. Ai Fabiiiiii, td tãaaao lindo! Já perdi as contas de quantas vezes chorei lendo seu blog. Só de começar o relato desse dia eu já estava chorando e qdo assisti o vídeo então chorei q nem criança. Eu amei!!!! Depois coloca mais fotos pra gente!
    Curtam mto seu Felizes para Sempre!
    Bjos

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    1. hahahahaha quanto choro!!! Muito obrigada Débora querida! Tu tem cadeira cativa aqui no bloguinho. Assim que eu receber as fotos oficiais eu venho aqui publicar!! Beijo grande

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  5. Parabéns Fabi! Mais uma vez :)
    Saiu tudo muito lindo! Tava curiosa com o vestido, depois de tantos acontecimentos. E nada melhor que ler e imaginar tuas caretas! hihihihihi
    Agora é só aproveitar e SER FELIZ Sempre!
    Mil Beijos
    Marta Gentilini

    *Não esquece que se publicares um livro, serei uma das primeiras a comprar! hihihi Adoro ler teus posts!

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    1. muito obrigada Martinha :) Se um dia sair o livro te aviso! hahaha
      tudo de bom pra vcs, feliz natal e um lindo ano novo! beijokas

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