13 de março de 2014

Lincoln, Nebraska

6 de dezembro de 2013.

Aterrizamos em Grand Island, na Nebraska, e o piloto informou a temperatura local. Eu ouvi, mas não entendi. Ou pelo menos achei que não tinha entendido. Perguntei para o Jared quantos graus estava na rua. Ele olhou para mim com uma cara quase de riso e disse: - tu quer mesmo saber? Eu falei que não queria saber e perguntei se era para eu colocar a minha touca. Ele disse que sim, com certeza.

Estava UM GRAU FAHRENHEIT. Se 32ºF é igual a 0ºC, vocês calculem o frio terrorista representado por 1ºF! F de fudid*, né? Me desculpem, mas é única coisa que eu posso dizer para vocês numa hora dessas. Estava -17ºC. 

O aeroporto em Grand Island é um ovo. Então tivemos que descer do avião no pátio mesmo, numa escadinha daquelas charmosas (nada charmosas nesse contexto) e caminhar até o terminal. Foram 20 passos infinitos e eu cheguei no terminal já transformada em cubo de gelo. O meu sogro fofo estava nos esperando com um cobertor na parte de trás do carro.

Depois de uma hora e meia chegamos em Lincoln e por um instante eu vivi na ilusão que iríamos poder curtir a família e os amigos, mas logo acordei do meu sonho com mil coisas para fazer again. A festa era no dia seguinte. Quando eu me dei conta já eram 6:45 e todo mundo ia nos encontrar em um restaurante às sete. 

Subi correndo para me arrumar e já não dava mais tempo de lavar os cabelos, ou sequer tomar um banho. Comecei a me maquiar como dava e me lembrei do Brasil, do jantar um dia antes do casamento e de mim, sem banho, sem maquiagem, com cara de louca, cabelo molhado da chuva e pensei, não vou cair nessa de novo. Pára tudo, vou tomar um banho e me arrumar direito. O mundo que me espere, eu sou a noiva - de novo. 

A noite foi uma delícia. Jantamos num bistrô com família e amigos mais chegados. A melhor parte de sexta-feira foi rever a minha amiga Nany, que se despencou de Baltimore no frio da putaquepariu para comemorar com a gente. Fazia mais de dois anos que a gente não se via, mas sabe aquele sentimento de que a gente se viu ontem? A Nany estava comigo em Vegas quando eu e o Jared nos conhecemos, o que fez a presença dela na festa mais especial ainda.

Depois do jantar, fomos para os barezinhos no centro de Lincoln. Eu de vestido, quase virei um icebergue. Mas para os amigos do Jared e agora meus amigos também, não tem tempo ruim. Para esquentar, não só bebemos como inalamos shots de cinamon crunch! Essas loucuras de Lincoln. O melhor lugar dos Estados Unidos para encher a cara.

No sábado de manhã, fomos para o salão acertar os últimos detalhes da decoração e da festa. Depois do almoço enrolamos os bem-casados e por volta das 4 da tarde fomos para o hotel nos arrumarmos para a festa que estava marcada para as 7 da noite.





Chegamos lá, o Jared tinha fechado um bloco de quartos para os nossos convidados, mas esqueceu de reservar uma suíte para nós dois. Já pode querer matar o marido de verdade? Ou ainda é cedo? Por sorte, o hotel tinha uma suíte vaga. Eu juro que era praticamente a única coisa que ele tinha que fazer para a festa em Lincoln, mas enfim. 

Às cinco da tarde, os amigos dele começaram a chegar no nosso quarto para o esquenta pré-casamento. Enquanto a Aubrey arrumava o meu cabelo, eles jogavam drinking games. Por volta das 6:30 corremos eles do quarto, ensaiamos a nossa dancinha traumática mais um vez e fomos para o salão. Um frio, um frio, um frio. Mas um friiiio. Os -17ºC viraram -20ºC na noite anterior e repetiram a façanha na noite de sábado. Quem mandou reclamar?


Antes de entrarmos na festa, passamos o vídeo do nosso casamento no Brasil, só para o povo saber que casamos de novo mesmo. Não era mentira. Assim que acabou o vídeo o Dj anunciou o Mister e Misses Ubben! O que por incrível que pareça, eu já me acostumei.

Abraçamos todo mundo e dançamos a nossa segunda primeira dança. Dessa vez, arrasamos na pista!




O pai do Jared fez um discurso fofíssimo e até nos enfiou em ponchos de gaúcho! Meu sogro devia ter nascido no Rio Grande do Sul. Até hoje ele diz, que não tira o Brasil da cabeça!


Logo em seguida, teve uma surpresinha da minha família. Esse vídeo aqui em baixo. Muito amor. As pessoas mesmo sem entenderem o que eles estavam dizendo se emocionaram. Mais uma prova de que o amor não tem nada a ver com entender e sim sentir. Eu quase sucumbi de saudade, mas parecia mesmo que eles estavam lá com a gente. De coração.

video

No meio da festa começou a nevar. O que eu achei lindo demais. Nem me incomodei mais com o frio. Cortamos o bolo, jogamos o buque (sapo) e garter, fizemos a dança do dólar. Dançamos e dançamos mais um pouquinho. Não faltou nada! Até um pedaço do bolo nós congelamos, como manda a tradição.







Detalhe, na hora do brinde o DJ não foi avisado que seriam servidas taças de champagne no bar para os convidados e todo mundo fez o brinde com o que já estavam bebendo. Sendo assim, 100 tacinhas de champagne ficaram bonitinhas no balcão do bar esperando os convidados.

Um problema sério que eu fiz questão de resolver quase sozinha e fui dando jeito de sumir com as tacinhas do bar. Eu e a minha sogra!

A noite chegou ao fim, mas ficaram mais memórias. Não ia ficar completo sem uma comemoração em Lincoln. Temos muita sorte em termos uma família tão especial e amigos de todo o canto do mundo. Me diz se é isso não é motivo para fazer muitas e muitas festas?


Preciso dizer, que eu não posso nem ouvir falar em vestido de noiva, mas a gente continua celebrando todos os dias - até os dias difíceis. E muitas outras grandes festas ainda virão. Até a próxima!



Photos by Corey Buller.